19 de jul. de 2014

Elefantíase Impiedosa

Elefantíase é a manifestação mais grave da doença chamada filariose, caracterizada pelo aumento excessivo do tamanho dos membros do paciente. Impiedosa é a pessoa que não expressa compaixão, desumana, cruel.
"Elefantíase impiedosa" é como vou chamar aqui uma maldade do tipo "GGG" que certos "humanos" são capazes de infligir a outro ser senciente – bicho ou homem. Extra grande porque é cronificada e contínua: dia após dia, ano após ano, década após década – o acúmulo e o cúmulo da crueldade continuada.

Mais especificamente, a expressão me surgiu vendo este triste e emocionante caso recém-noticiado (10/07/2014):
http://www.wildlifesos.org/blog/rajus-journey-freedom-photo-journal
Elefante Raju (Índia): libertado após passar 50 anos preso com correntes e argolas fabricadas com pontas perfurantes, o animal chorou de emoção ao se ver livre!

Segundo a fundação Wildlife SOS UK, responsável pela libertação do elefante, este passou 50 anos preso – praticamente todas as horas destes anos todos – por correntes com pregos, que causavam lesões e não o deixavam se movimentar, nem nos limites das correntes.
Sim, argolas com pregos nas patas, ao modo de uma crucificação de 50 anos, infligida por animais (des)humanos.
Essa restrição ininterrupta de movimentos causou uma dolorosa artrite no animal, além das outras agressões físicas que sofria e da fome eterna a que era submetido.

Bodas de ouro no cárcere, bodas de ferro em carne viva, bodas vermelhas de sangue.

Advirto: tentar se colocar no lugar do animal e sentir o que ele sentia, causa depressão.

Segundo seus salvadores, quando o animal percebeu que estava livre após tanto tempo de sofrimento, lágrimas de emoção rolaram de seus olhos.
Forte imagem! É como se toda natureza se expressasse ali, naqueles olhos paquidérmicos subnutridos.
Triste imaginar que todos estes anos de convivência não geraram nenhuma afeição por parte dos humanos que estavam diariamente com Raju.
Crueldade do tamanho do majestoso animal, insensibilidade elefantíaca.

Não há como ter certeza que houveram mesmo estas lágrimas, pois não foram registradas, mas com certeza houve a emoção que as geraria. Se não pode concordar de cara com esta afirmação, existem outros casos que vão no sentido de corroborar esta afirmação, como os a seguir (o primeiro, um mamífero humano; os outros, vários casos com outros seres sencientes – estes com vídeo):
  • Menina mantida 17 anos em cárcere privado: Reportagem.
  • Vacas pulando de alegria ao serem postas em liberdade, após uma vida como matrizes de leite: Aqui.
  • Chimpanzés sendo libertados após 30 anos presos em um laboratório. Alguns nunca tinham estado fora da sala: Aqui. 
  • Outro caso com chimpanzé : Aqui.
  • Cães resgatados, cobaias de um laboratório, veem o sol pela primeira vez: Vídeo.
  • Leão sendo libertado já velho e doente (dos 40 aos 60 segundos). Comovente (mas desconsidere algumas cenas açucaradas)! Vídeo:



Vendo as cenas do leão na hora da libertação – extremamente didático para uma humanidade doente – as imagens resgataram da minha memória (mais do que as imagens, a "atmosfera emocional") o conto "Negrinha", de Monteiro Lobato (1920).

Um resumo: Negrinha – nascida na senzala e órfã aos quatro anos – era a menina dos olhos maus de dona Inácia; dona das mão pesadas como chumbo, dos beliscões caprichados dados por seus dedos duros e frios como o aço do alicate. Negrinha não podia brincar, não podia chorar (nunca pôde). Era mero instrumento de alívio sádico de uma mulher de "virtudes apostólicas", como dizia o vigário:
"O 13 de Maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava Negrinha em casa como remédio para os frenesis. Inocente derivativo:
— Ai! Como alivia a gente uma boa roda de cocres bem fincados!..."
Um dia, quando Negrinha já tinha sete anos, desceram dois anjos à casa. Duas meninas loiras, sobrinhas de dona Inácia e nascidas em berço de ouro. E elas brincavam! "Porque dona Inácia permitia outras crianças brincar?". E, assim, somou-se às dores de Negrinha a dor da injustiça.
Mas como toda criança é novidadeira, Negrinha foi levada pelas meninas, pela primeira vez, a brincar. Aventura das aventuras! Ao pegar – também pela primeira vez – uma boneca nas mãos, aconteceu:
"Negrinha olhou para os lados, ressabiada, com o coração aos pinotes. Que ventura, santo Deus! Seria possível? Depois pegou a boneca. E muito sem jeito, como quem pega o Senhor menino, sorria para ela e para as meninas, com assustados relanços de olhos para a porta. Fora de si, literalmente... era como se penetrara no céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe tivesse vindo adormecer ao colo" (...) "Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que trazia em si e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa –e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa" (Grifos meus).

Por acaso o vídeo não mostra que sentiu-se assim, de alguma maneira, o leão? É ao modo desta imagem perfeita da opressão e crueldade sobre um ser de menor poder, construída pelo grande escritor Monteiro Lobato, que imagino sentir-se este leão no seu momento com anjos, bem como todos os animais – humanos e não-humanos – libertados após uma vida de aprisionamento e maus tratos. O ambiente de exuberante natureza era seu céu; ali, pela primeira vez, ele podia brincar! É o momento mágico de libertação de uma vida de sofrimento e privação – do tipo que faria um animal do tamanho do elefante chorar. Penso que também para estes animais, de quem roubaram a vida e a majestade, seria impossível viver de novo uma vida de objeto.

Se a sociedade e a cultura humana atuais tornam demagogas as ideias de libertação dos seres sencientes chamados de irracionais, que pelo menos eles tenham o mínimo de condições para sentir um pouco da beleza do mundo; uma vida rica o suficiente para ter valido a pena – mesmo na condição de escravos de humanos e reserva proteica – viver.

Acredito que a humanidade – como raça e sentimento – se desenvolverá com o tempo e, um dia, teremos na terra, naturalmente, uma elefantíase piedosa, onde nenhum animal precisará ser libertado, pois todos serão, por regra, livres da vida de coisa.


EdiVal
19/07/2014
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Um texto para iniciar 2015 refletindo...:




PRECE DE FINAL DE ANO A UM CAVALO

Por Marcio de Almeida Bueno

MARCIO 131212 anda vang

ADICIONAL:

19 de jun. de 2014

Enjoados de Photoshop: Por Menos Desenho e Mais Fotografia!

Estamos enjoados de ver mulheres desmesuradamente "photoshopadas".
Mulheres desnudas de variações e de tons, quase translúcidas.
De monótono tom perolado.

É moda um tal de branqueamento e uniformização da cútis sem fim, em uma produção em série de mulheres do tipo - como diria Guimarães Rosa - baratas descascadas!

De afrodescendente à branquela dos cachinhos dourados: tendência onipresente do clareamento uniformizante no mundo da imagem, como que a desvestir a modelo de sua própria pele.
A fotomontagem acima mostra uma manipulação da imagem tão hiperbólica que permite a licença humorística (olhe e reolhe e veja se não ri!) e mostra que, indubitavelmente, photoshop em exagero falseia, engana, ilude:
  • O que se vê, não é;
  • O que parece estar, não está;
  • O que não está, estava.
As possibilidades de transformação dos atuais softwares de edição de imagens é tanta que é justo se desconfiar que a aparente finíssima cintura da modelo da capa de sua revista preferida pode provir, na verdade, de uma conjunção de tecidos adiposos pertencente a uma silhueta convexa, e a "pele de pêssego" pode ter, em sua origem, uma cútis idêntica a um protuberante abacaxi!
Enfim, aquelas proporções perfeitas, o corpo escultural e a pele uniformíssima do rosto da "gata-da-capa" mostrados na revista preferida podem ter como matriz geradora um corpo assimétrico-disforme-decadente!


A verdade é que se, inicialmente, o olhar é atraído para uma bela modelo super trabalhada em photoshop, um segundo olhar - mais atento - geralmente traz um "q" de estranheza, seguido de uma sensação de estarmos sendo enganados, que cresce rapidamente e mata qualquer admiração de longo período.
É fato inescapável: na maioria das vezes o exagero de edição traz uma sensação de irrealidade, falseamento ou mesmo de surrealidade, como se estivéssemos vendo uma personagem fictícia retirada diretamente de um anime japonês.

Fazendo-se uma revisão no mundo da moda e da imagem, descobre-se que o exagero de uso do recurso é tanto que, periodicamente, surgem verdadeiras aberrações:
  • Sumiço de umbigos das modelos;
  • Pescoço e pernas deslocadas em relação ao eixo do tronco;
  • Assimetrias de forma e tamanho de um lado do corpo em relação ao outro;
  • Cinturas e pernas tão finas que fariam a Barbie sentir-se "enorme de gorda".
E um outro tanto de barbaridades que somente um mundo que se distanciou das pessoas reais - mesmo das já "quase" perfeitas - pode produzir! Acha exagerada a colocação? Olhe a figura abaixo e concorde em gênero, número e grau:

Da beleza natural exuberante à boneca de plástico: excesso de photoshop que motivou uma campanha da supermodelo Gisele Bündchen contra o uso excessivo desta ferramenta.

Esta realidade já há algum tempo está em discussão no mundo da moda. Fala-se da influência destes estereótipos na cabeça dos jovens, produzindo insatisfação eterna com o próprio corpo, anorexia, e até mesmo suicídios.
Por conta deste fato, muitas reações vem acontecendo, tais como:
  • Nossa bela e famosa Gisele Bündchen iniciou uma campanha pessoal contra o uso excessivo da ferramenta, depois de ser "vítima" do excesso de manipulação, conforme mostrado na figura acima;
  • Leis sendo feitas e discutidas para tornar obrigatório um aviso do uso de manipulação digital, similar ao que acontece com cigarros (veja aqui); 
  • Campanhas de beleza sendo banidas por excesso de photoshop (aqui); 
  • Campanhas mostrando a "beleza real" da mulher (youtube); 
  • A revista feminina Verily dispensou o uso de photoshop, ou a revista feminina (chilena) Ya que anunciou que trabalhará somente com modelos maquiadas, mas nunca retocadas por photoshop (entre no site destas revistas e veja por você mesma(o) se o uso do software fez falta...).

Digite no Google "antes e depois do photoshop", e veja por si! Olhe outro exemplo abaixo:

Madonna: antes e depois do photoshop, mostrando um "produto" final irritantemente fora da realidade.

E que se registre em todos os anais do mundo do glamour e da sensualidade: na imensa maioria das vezes seria muito, mas muito mais interessante - pelo menos para um Homem - ver a mulher real!
Real, mas com direito a toda a produção, roupas, cenário, cabelos, ângulos e bocas que valorizem suas formas e características interessantes - e sim, pintura é aceitável!

Aproveitando a ideia acima, pode-se destacar outro fator muito importante e que não se vê discutido por aí, pelo menos não com o peso que deveria ter:
Uma trabalho de edição no computador, ao possibilitar a construção, desconstrução e reconstrução sem limites (ad infinitum) da imagem digital, concentra a maior parte do trabalho em cima de um profissional da área: o operador do software. Assim, onde vários criativos e talentosos trabalhadores poderiam estar agindo e interagindo em dinâmica atenção à modelo, o falsário computador reina...

Outro fator de igual ou maior valor: onde fica a valorização de quem se cuida verdadeiramente? A modelo que leva uma vida saudável, se exercita, estuda e corre atrás, por exemplo, construindo sua beleza plástica e sua graça. Não devemos sair do mundo do faz de conta e recompensar o que é real? Valorizar a genética, o esforço pessoal, o sex appeal e o investimento em si mesmo?

E aí, "mercado da imagem", necessitando disfarçar os "terríveis" defeitos de uma celebridade?
A pele manchada e enrugada da artista de novela que nem passa perto do que a telinha tenta passar?
A celebridade que já está na terceira idade e que necessita ser "apessegada"?
Dobras se sucedem na cintura delas e constroem um engavetamento de material circular?

Deixem para os profissionais da maquiagem, da fotografia, de iluminação, de construção de cenários! Para os personal stylist e personal trainers! Estes trabalhadores talentosos são especialistas na valorização do que o ser humano a ser clicado tem ou pode ter de melhor, mais bonito, mais chamativo.
Quanta criatividade, força de trabalho e talento que podem estar sendo desvalorizados por um programa de computador! Quanta beleza real ignorada!

A verdade é que deveria ser uma ofensa para a mulher necessitar ser inteiramente modificada para se tornar publicável em um número de revista.

Tudo bem, não sejamos fanáticos intransigentes: um suave photoshop poderia ser utilizado (afinal o operador é um talentoso profissional!).
Mas que seja suave, leve, e nunca trabalho de escultor.


Nós, os consumidores, podemos dar o tom! Nosso bolso é nossa arma. Reclame da imagem muito alterada, bote em discussão!
Que os amantes da beleza honesta boicotem os exageros "photoshopísticos"!

Viva a beleza real!
Viva a valorização do que existe de verdade, e não do que vem ao mundo como um desenho gerado no computador!

E que a beleza seja eterna enquanto vinda de um corpo e rosto sinceros.



Dival (aquele que prefere a mulher real).

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Um exemplo de criatividade que valoriza o uso do photoshop: Beleza do mesmo rosto de acordo com as preferências de 25 países.
http://www.buzzfeed.com/ashleyperez/global-beauty-standards
No projeto “Before and After“, uma foto foi enviada para diferentes artistas digitais, objetivando o uso da ferramenta do para "direcionar" a beleza de acordo com as preferências do país.


8 de jun. de 2014

Os Fótons, a Luz e outras Radiações: Entendendo para Desmistificar

Os fótons - este ente misterioso e objeto de estudo da Física - tem tudo a ver com essa luz que nos alumia.
Também com algumas maléficas radiações que - veremos porque - devemos evitar.
E com enganos/engodos nada iluminados em textos cientificamente obscuros.

A motivação para escrever este artigo foi, primeiramente, a ideia de que um conhecimento (mesmo que superficial) acerca do que são e como agem estas entidades físicas, contribuiria para que as pessoas evitassem certas radiações destrutivas - chamadas de ionizantes - a que estamos expostos diariamente (ou eventualmente). Mais especificamente, vejo constantemente pessoas comprando óculos de sol de camelôs, sem os imprescindíveis filtros, ou tostando ao sol, sem filtro solar.

A segunda motivação vem do fato de que é generalizada a falta de consistência e do entendimento físico mínimo em muitos textos da Internet, quando se toca nos temas fótons, luz e radiações.  Outro dia, por exemplo, vi alguns absurdos científicos em um texto esotérico/apocalíptico envolvendo os misteriosos fótons - a meu ver aproveitando a falta de familiaridade da maioria das pessoas com o tema. Um exemplo é este parágrafo:

"Em 1961 informações de satélites descobriram uma faixa de FÓTONS ou ANEL MANÁSICO que a Física não conseguiria explicar, envolvendo o sistema das Plêiades da qual, na verdade, nosso sol e várias outras estrelas também fazem parte. Assim, nosso Sol orbita este sistema em num período de 24.000 anos, durante os quais nós passamos alternadamente 10.000 anos na escuridão e 2.000 anos na luz do cinturão. Neste momento, estamos na premência de entrar na luz de novo, levando nossos átomos à uma SUTILIZAÇÃO. Outra maneira de ver esse fenômeno seria: numa órbita completa, temos aproximadamente cinco sextos de trevas e aproximadamente um sexto de luz, ou uma proporção de 5:1, com predominância das trevas...."

Constelação de Plêiades
Muitos argumentos a favor ou contra o texto surgiram. Os familiarizados com a área da Física (Astrofísica, Física de Partículas e de Campos) enxergaram erros crassos na teoria, tanto físicos quanto astronômicos. Também pode-se identificar elementos clássicos dos hoaxes, ou e-farsas, como a não citação de fontes. Só "googlar" que aparecerão alguns textos sobre o assunto.

O fato é que "fótons", luzes e radiações parecem entes muito misteriosos...e são! Mas não no sentido que certos textos se aproveitam.

Minha intenção não é criticar de alguma forma quem leva ideias como as do texto acima em conta, mas existem muitos pecados dentro da argumentação científica que finge desenvolver, fato este que enxergo com certa clareza por ser da área.

Desta maneira, com a visão de físico, vi que não existe nada na Internet que esclareça, especificamente mas de maneira ampla, o que é importante para uma pessoa não familiarizada com Física saber sobre os misteriosos FÓTONS. Neste sentido, se discorrerá aqui um pouco sobre este tema, mas em linguajar simples pois, sendo a linguagem da Física a matemática avançada, só quem é de áreas afins tem obrigação de compreender.

Então vamos lá, começando com um pouquinho só de definições e teorias:

FÓTON é a partícula elementar mediadora da força eletromagnética. É um quantum de energia da radiação eletromagnética (ou - mais romanticamente - poderia até ser chamado de "a partícula quântica da luz"!).
De acordo com a dualidade partícula-onda (descrita pela mecânica quântica), um fóton pode atuar como uma partícula, como quando sensibiliza um filme numa câmera, ou como uma onda, por exemplo quando passa através de uma lente ótica.
Já de acordo com a relatividade geral, no espaço vazio os fótons (luz, radiação) estão em perpétuo movimento e viajam à velocidade da luz (299.792.458 metros por segundo) em uma linha reta, depois de se levar em conta a curvatura do espaço-tempo. Isso quer dizer que fótons só podem desviados de alguma maneira da trajetória reta, no espaço, pela presença de um campo gravitacional, como os gerados por astros celestes ou buracos negros.

O que chamamos de LUZ VISÍVEL- tão importante para nossa existência - é formada por uma grande quantidade de fótons, tendo a sua intensidade ou brilho dada pela quantidade dos mesmos que se encontra no fluxo que chega a nossos olhos. É digno de nota que a luz que nos permite enxergar o mundo é apenas uma insignificante faixa do espectro eletromagnético, um minúsculo fio na trama universal.

Tendo os conceitos acima em mente, observa-se que o fóton, ao se manifestar nas mais diversas frequências, forma o chamado "ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO" (mostrado na próxima figura), que é o intervalo completo das RADIAÇÕES (ou ONDAS) eletromagnéticas, e começa com as ondas de rádio e vai até a radiação gama (ou raios γ). Como toda onda, a radiação eletromagnética (como a faixa da luz visível) carrega energia, tem uma freqüência (f) característica (dada em ciclos por segundo) e um comprimento de onda (λ), dado em metros.
No caso de ondas eletromagnéticas que se deslocam no vácuo, temos f = c/λ, em que c é a velocidade da luz no vácuo. Essa expressão diz que quanto maior a frequência, mais energia a onda carrega e menor é o seu comprimento de onda.

A elucidativa figura abaixo está no site do Wikipédia no tema "espectro eletromagnético" (leia, está bem elaborado!):

Espectro Eletromagnético


Energia>>          Freqüência>>       <<Comprimento de onda
----1---------2---------3---------4---------5---------6--------7----

Pela figura, pode-se ver claramente que o espectro eletromagnético é um continuum, não existindo subdivisões "reais", mas alguns nomes são dados de acordo com alguns intervalos de interesse, tais como:
  1. Ondas de Rádio. Freqüência de 30 MHz a 3 GHz; Comprimento de onda: 10 m a 10 cm.
  2. Microondas. Freqüência: 3 GHz a 30 GHz; Comprimento de onda: 10 cm a 1 mm.
  3. Infravermelho. Freqüência: 300 GHz a 400 THz; comprimento de onda: 1 mm a 700 nm.
  4. Luz Visível. A radiação visível vai, aproximadamente, de 400 THz ("lado" do vermelho) até cerca de 769 THz ("lado" do violeta); comprimento de onda: 780 nm a 390 nm.
  5. Ultravioleta. Freqüência: 750 THz a 300 PHz; comprimento de onda: 400 nm a 1 nm.
  6. Raios X. Freqüência: 300 PHz a 60 EHz; comprimento de onda: 1 nm a 5 pm.
  7. Raios Gama. Freqüência: ~ 60 EHz a 300 ZHz/300 YHz; comprimento de onda: ~ 5 nm a 1 fm/1 am.
                                                (Obs.: 1 nm (nanometro)= 0,000000001metros)

O comprimento de onda determina com que ou quem a radiação vai interagir para transferir sua energia. Veja que dados interessantes (atenção especial aos dois últimos!):
  • Ondas de rádio tem essa medida dada em metros, e por este motivo interagem com grandes objetos, como casas.
  • Microondas: Tem seu comprimento de onda na casa dos centímetros ou milímetros. Por isso, a ideia de se revestir um presídio com telas (gaiola de Faraday) para bloquear celulares (que trabalham na faixa dos microondas) não é boa, pois a malha teria de ser extremamente pequena e, por isso mesmo, caríssima!
  • Infravermelho. Tem tamanho de onda maior que as moléculas de nosso corpo, por isso interagem com nossa pele, esquentando-a.  É graças à energia da radiação infravermelha emitida pelo sol que é possível a vida na terra (aquecimento).
  • Luz. Observe que o que chamamos de luz visível é apenas um pequeno intervalo do espectro eletromagnético, e é da mesma natureza das ondas de rádio e dos raios X, diferindo apenas pela frequência!
  • Ultravioleta. A partir do ultravioleta  (UV) se começa a entrar na faixa da chamada RADIAÇÃO IONIZANTE, nociva à saúde. Este fato se deve ao seu pequeno comprimento de onda, abaixo da faixa dos micrômetros - ordem de grandeza das moléculas. Assim, estes fótons altamente energéticos podem penetrar em nosso corpo, indo até as camadas mais profundas da pele, interagindo com nossas células e com o DNA das mesmas, desequilibrando-as. Este pequeno comprimento de onda também explica porque em dias nublados não se sente queimar a pele, mas mesmo assim devemos usar filtro solar. Funciona assim: as nuvens bloqueiam os raios infravermelhos (os que esquentam), mas não bloqueiam o UV, pois seu o menor comprimento de onda faz com que ele não "enxergue" o vapor d'água das nuvens, passando direto. Atenção: para evitar que a radiação ionizante do sol danifique seus olhos, NÃO USE ÓCULOS ESCUROS SEM OS DEVIDOS FILTROS!
  • Raios X e raios gama. Estas radiações tem comprimentos de onda menores que nossas células, e por isso penetram profundamente em nosso corpo. O problema é que estas radiações estão na escala de tamanho dos átomos, interagindo com eles e causando danos. O acidente radioativo de Goiânia envolveu os raios gama.
Como se vê, os fótons e os conceitos relacionados são muito bem estabelecidos na Física. Vamos utilizá-los numa análise crítica? Como, então, ficaria uma análise do texto "Cinturão de Fótons" mencionado no início do texto?

Em primeiro lugar, quando se fala em "cinturão" - no sentido astronômico - está se falando de uma reunião de materiais, como partículas de poeira e rochas, que orbitam um astro, geralmente lembrando a forma de um disco. Bom, já sabemos que fótons estão sempre em movimento, normalmente em linha reta e na velocidade da luz. Assim, para se ter fótons formando um cinturão, significa que os mesmos deveriam estar constantemente em trajetória curva (como a lua em volta da terra) presos numa determinada região do espaço. Isso seria possível?

Só se pode estabelecer algum tipo de hipótese para que isto ocorresse forçando muitíssimo a barra:
- Uma curvatura do espaço-tempo devido à presença de um intenso campo gravitacional. Será que existe um buraco negro no centro do cinturão? Obviamente não!.
- Reflexão por espelhos curvos? Refração como na fibra ótica? Acho que estes dispositivos não existem no espaço...

O texto também fala que, quando se "entra no cinturão", se "entra na luz, levando as trevas embora". Quer dizer que a frequência destes fótons "presos" no cinturão é aquela característica da pequena faixa do espectro eletromagnético que os olhos humanos utilizam e que é chamada por nós de luz visível?
E a sutilização que, segundo o texto, deve ser promovido em nossos átomos? Como? Com o calor do infravermelho? Com a atividade destrutiva das radiações ultravioleta, raios X ou gama? O texto diz fótons, não diz?

O autor do texto místico-apocalíptico poderia em sua argumentação, em vez de especificar fótons e assim construir tolices científicas, ter generalizado mais: quem sabe dizer que o cinturão é formado por uma espécie de energia desconhecida da ciência, diferente da radiação eletromagnética e de tudo que se conhece, fugindo assim dos erros dos conceitos da Física ao denominar seu ente misterioso de "cinturão de fótons" e deixando tudo por conta da fé (e mesmo assim iam ficar os gigantescos erros astronômicos...).

Espero que, com este texto, uma certa "intuição" e capacidade crítica sobre teses mencionando estas entidades físicas - a luz, a radiação, os fótons - tenham se interiorizado naquele que desconhecia totalmente o assunto e teve paciência de ler até o fim.

Muita luz para todos nós (mas não a do tipo ionizante!)!

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*Curiosidade 1: Partículas que não são constituídas de fótons - mais energéticas ainda que os raios gama - chamadas de raios cósmicos, tem um comprimento de onda tão pequeno que milhares deles atravessam a terra e o nosso corpo a cada segundo, sem sequer tomar conhecimento da nossa existência!
*Curiosidade 2: Nosso corpo produz muita radiação, desde fótons até neutrinos!



Dival

22 de mai. de 2014

Amor Vira-Lata

Existem muitos tipos de amor.
Amor romântico, amor filial, amor de mãe.
Amor entre amigos, entre irmãos.

O amor, se verdadeiro e compartilhado por pessoas bem resolvidas, é uma dádiva da vida.
Mas em boa parte dos amores que vemos por aí não é bem assim e, muitas vezes, ocorrem ações no relacionamento que machucam e podem fazer com que a troca amorosa talvez não valha a pena, ou  pelo menos indiquem a necessidade de uma recauchutagem, parcial ou completa.

Digo isso porque notei, em muitas observações e experiências, um comportamento bastante frequente entre pares amorosos - um padrão de tratamento de um para com o outro - ao qual denominei "amor vira-lata", numa associação com um tipo comum de relação de donos com seus amigos peludos.

É claro que existem pessoas que tratam seus pets melhor que os humanos, mas este é outro caso...

Mas em que ponto, especificamente, se daria essa semelhança de tratamento?

O cachorrinho da relação!

De maneira geral, as pessoas adoram seus amigos peludos, e da alegria pura e simples que eles demonstram quando nos vê. Quem tem (ou teve) sabe: eles podem nos fazer sentir a pessoa mais especial do universo!

A chave é que essa relação homem-cão é desigual: o primeiro tem poder praticamente total sobre o segundo, podendo fazer quase tudo que deseja - mesmo infligir sofrimento - sem muitas possibilidades de que sejam geradas consequências. Essa é a verdade e um perigo para o mais fraco da relação.

Na dinâmica relacional do dia-a-dia entre eles, quando está de bom humor o dono brinca com seu totó, o afaga, aperta e até fala com aquela voz infantilizada. E o "au au" adora, apreciando intensamente tudo que recebe.

Mas num "belo" dia, o dono retorna irritado para casa. E grita com ele, ralha com ele, bate nele, manda deitar! Como diz a expressão popular, chega "chutando o cachorro".

Enfim, usa o pobre e confuso animal para descarregar as mazelas que acumulou no dia.

Mais tarde, o dono muda de humor e sente-se culpado ao ver o totó amuado em um canto, e volta com os afagos, agrados e novamente aquela "voz" que a titia faz para o bebê. E o ciclo se repete com o passar do tempo.

E o pobre animal (canis ou homus) só sente a confusão se instalar por não saber como agir, o que fez de errado, como se portar.

E assim, com um dos dois sendo tratado com carinhos e beijinhos em um dia, e como lixo em outro, constrói-se o amor vira-lata, que nem é tão incomum quanto se pode pensar num primeiro momento.
Começa em casa com os o pai, a mãe ou os dois, agindo desta maneira com outro ser de baixo poder: os filhos. Pode ser desta maneira também com a relação irmão mais velho/irmão mais novo (ou quem sabe o inverso?). Com os namorados, esposa e esposo, amigos e colegas, professores e alunos.
Enfim, em toda relação mais próxima.

É a transformação do outro em um objeto pessoal. "Sou o dono teu: acarinho se me dá prazer, bato se me trouxer alívio, de acordo com minhas vontades" seria uma tradução deste comportamento. Num caso como este, pode-se afirmar seguramente que até os momentos de carinho são expressões egoístas. Todos temos dias ruins, mas quem ama de verdade segura seus impulsos de agressão em consideração e respeito a pessoa do outro.

Duvido que alguém, aqui e aí, nunca tenha passado por muitas experiências de ser o "vira-lata" ou o "mau dono"; afinal, tanto os seres com quem compartilhamos a vida mais intimamente como nós mesmos somos falhos, temos dias ruins e, pasmem, erramos de vez em quando.
A questão é a frequência e a intensidade com que acontecem.

Pode-se pensar - com grande probabilidade de acerto - que numa relação majoritariamente deste tipo os estragos são maiores do que naquela em que a agressão é a norma, pois gera grande confusão e conflitos internos. No primeiro você tem certeza do que está acontecendo e sabe, pelo menos, o que deveria fazer; no outro, se rasga na indecisão e na perplexidade.
(Ab initio: não fazer nada, no primeiro caso, é assumir a vira-latisse!).

Tendo isto em mente, devemos estar atentos para saber separar um caso esporádico de tratamento canino de uma relação em que este seja o padrão: o amor vira-lata trazendo uma vida de cachorro!

Se sua identificação foi com a dono bipolar, aproveite esta percepção e mude! Positive o status quo e ganhe um parceiro que saberá expressar o quão satisfeito está com as mudanças.

Lembre-se: as pequenas agressões, físicas ou psicológicas - são destrutivas (senão criminosas) e podem sair do controle, ganhando energia sem que se perceba, e abrir uma verdadeira Caixa de Pandora, de onde os males espalhados podem destruir muitas coisas (inclusive você mesmo!).

Se for você o vira-lata (ipso facto) da história, protestar é preciso! Mostre com clareza que não gostou de cada ato deste tipo - de preferência sem descontroles emocionais. Converse, seja franco, lata (ops, fale)!

As coisas não são simples na vida e nas relações, contudo...
Se não houver solução, melhor fugir ou trocar de dono!

Eu não sou cachorro não!

17 de mai. de 2014

Como Transformei o Twitter em minha Secretária

O Twitter é um microblog / rede social, e tem um formato interessante. Não é a toa que foi uma revolução.
Twitter se revelando ferramenta.
Entre muitas características, o site permite que internautas se cadastrem gratuitamente e realizem postagens, limitadas ao limite máximo de 140 caracteres - chamadas de tweets - que podem ser lidas instantaneamente por seus "seguidores", e vice-versa.
Devido a estes limites é estimulada - de forma natural - a postagem de notícias e atualizações daquilo que cada usuário cadastrado (usuário) considera relevante, na hora que acontecem e de forma muito sintética.
Há a possibilidade, ainda, de que se disponibilize links de redirecionamento para outras páginas onde o tema do tweet está exposto de forma mais completa.

Estas características fizeram com que o Twitter caísse no gosto do público, popularizando-se rapidamente e atingindo, hoje (2014), a marca de 255 milhões de contas ativas.

A verdade é que, se olhado de forma rápida, o Twitter vai parecer superficial e incapaz de apresentar conteúdo que valha a pena. Para entender seu lado "mais profundo", é necessário utilizá-lo por um tempo. Olhado assim, mais de perto, percebe-se que o mesmo pode ser uma grande fonte de compartilhamento de informações e de construção coletiva de conhecimento e eventos.
As pessoas com interesses comuns são colocadas em contato ligeiro, em conversas construídas na velocidade dos jovens ultra-conectados e no limite dos 140 caracteres, formando um caldeirão em efervescência - imprevisível e sinergético - onde de repente as coisas acontecem!
Haja vista o papel deste nas recentes manifestações pró-liberdade que mudaram países, transformando-se em uma das ferramentas modernas para a luta dos povos por seus interesses.

Mas não menos interessante é o fato de que não só pessoas, mas instituições, empresas, causas, agremiações, grupos, entre outros, podem ter um perfil com os respectivos seguidores e "tweetar" o que desejam compartilhar, anexando os links de redirecionamento para outras páginas com o tema mais desenvolvido, se assim desejarem.
Um exemplo são os jornais: eles fazem uso desta ferramenta para divulgar o título de suas matérias e chamar a atenção dos leitores, e com isso eles podem selecionar rapidamente o que interessa e acessar a matéria completa. Muitas vezes, num dia sem tempo, só correr a página olhando os títulos das notícias já nos coloca a par do que está acontecendo no mundo.

Em meu caso, somente no ano passado me cadastrei - exatamente por não perceber suas potencialidades (uns tais pré-conceitos...) - e aos poucos fui seguindo perfis que tratam de temas que me interessam diretamente, tais como:
  • Notícias do Brasil e do mundo;
  • Temas de Ciência e tecnologia;
  • Assuntos relacionados à Ecologia e sustentabilidade;
  • Arte, humor, felicidade e viver bem;
  • Inovação, futurologia e realidade fantástica;
  • Filosofia, evolução e antropologia;
  • Educação e conhecimento;
  • Psicologia, emoções, sentimentos;
  • Saúde, nutrição e vida natural;
  • Desenvolvimento humano, social e pessoal.
Deste modo, com o passar do tempo fui sentindo que o microblog me mantinha atualizado sobre tudo que "rola na selva" dos meus interesses, de modo produtivo - reflexo dos perfis que selecionei criteriosamente para seguir - atualizados a cada segundo e sem complicações irritantes! Daí é só ir selecionando o que vale a pena ver mais de perto.

Ao perceber isto, senti que tinha encontrado uma ferramenta de grande utilidade. Também me lembrei do relato de um palestrante que também tinha múltiplos interesses - cujas palestras tinha assistido a muito tempo  - que disse, na época, pagar por um serviço de secretariamento que, de acordo com interesses preestabelecidos por ele, selecionava e sistematizava, diariamente, tudo que podia interessá-lo, poupando-o de um esforço enorme e da perda de tempo e de dinheiro. Não pude deixar de fazer uma associação com o serviço que eu tinha em mãos, e a levar mais a sério algo tão legal.

Hoje escolho os perfis para seguir de forma "quase profissional". São quase 500 que acompanho neste momento, sendo apenas dois deles de pessoas e não de instituições. Fazendo uma "conta subjetiva", posso "chutar" que, hoje, para ter acesso à mesma quantidade de informações selecionadas por unidade de tempo, sem o Twitter, seria impossível: um trabalho para vários "eus".

A figura abaixo mostra um print da tela do meu PC - tirado e editado enquanto digito este texto - e que ilustra a ideia aqui exposta:

Um momentum do meu Twitter em 17 de maio de 2014, as 15:02.

Façam a correlação com os temas de meu interesse que listei mais acima com esta figura. Percebem o serviço prestado? Gostei dos temas vistos nos tweets 3, 7 e 10, e cliquei nos links de redirecionamento para me aprofundar nos temas.

É muito útil, informativo e criativo!

E você, caro usuário do Twitter, até que ponto pode dizer que tem uma secretária em mãos?

EdiVal.


13 de mai. de 2014

Já ouviu? "I'm Alive" Brasil na Floresta da Tijuca

Quero compartilhar e encantar outros ouvidos com a canção ""I'm Alive": A song for Brazil's rainforests".



[Doe aqui <I'm Alive> para baixar.  A doação é a partir de $5, e será utilizada em investimentos de conservação das florestas brasileiras]

De singular beleza e extremamente rica em detalhes e variações. Sem dúvidas entrou para o seleto :) grupo de "minhas músicas favoritas".

Ela foi produzida para comemorar o dia da terra (22 de abril) e colaborar na luta pela preservação das florestas, tendo como cenário a Floresta da Tijuca, e foi sonorizada por um grupo de músicos conceituados, como Caetano Veloso, Lenine e Criolo.

É uma união de partes, porções de músicas independentes e incompletas que foram coladas seguidamente em harmonia, e essa diversidade de tons e melodias traz muitas possibilidades.

Uma canção para cada um destes trechos:
1- 0:40 até 1:42 (Criolo);
2- 2:02 até 2:17 (Sistah)
3- 2:28 até 2:54 (Julia Mestre, José Vitor Ibarra e Tom Veloso);
4- 2:54 até 3:16 (Caetano Veloso);
5- 3:25 até 3:51 (Ana Costa);
6- 4:23 até 4:48 (Lenine).

É assim se construiu esta admirável canção-colagem atual...
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Letra:
[Intro: Gisele Buchen]
If we ask ourselfs
How can we live more mindfully?
And what can we do better?
Better for the Earth, for forrests
For our life, for humanity
Laid the path toward possible
Given people ways to grew food, harvest hood
All in harmony with nature
And to learn a decente living in the process
That’s the Rainforrest Alliance is doing

[Criolo]

Sem braço, sem pernas, sem moedas no pote
Sem nenhuma boca grande pra dizer acorde
Estamos ai a sua mercê
Ele chegou aqui, cheio de ferramentas
Desavenças, falsas crenças
Em aço soberba, concreto e poder
Você vai viver assim numa caixa de vidro
Ou em leilão de álcool por quilo?
Aqui que jaz mãe nature...
Não quero dizer
Que se a janela da alma tem uma trava
Limpe seus olhos que tudo se acalma

Plural, quarta pessoa, verbo proteger

[Caetano Veloso]

I’m alive and vivo, muito vivo vivo
Feel the sound of music banging in my belly belly
Anda I know the one day I must die
I’m alive

[Sistah]

Quero aprender com o passarinhos melodias mais sutis
Fazer poesias delicadas como a Flor-de-lis

Obrigada natureza, é assim que se diz
O Sol nasce todo dia nem precisa pedir bis


[Lenine]

I’m alive! Ohhhhhh
Ohh Ohh Ohhhh

[Julia Mestre, José Vitor Ibarra e Tom Veloso]

Clama a floresta e-e-e-eeee
Sem fôlego
Para fazer dos teus frutos ninhos
Imagine como será...

[Lenine]

O céu chora , até chegar no mar
Demora

[Caetano Veloso]

I’m alive and vivo, muito vivo vivo
Feel the sound of music banging in my belly belly
Anda I know the one day I must die
I’m alive
Yes I know the one day I must die
I’m alive
Corre por tu savia, corre por tu sangre
Tiempo Deferente, tiempo idêntico
Corre tiempo en estos arrugas
Y nos círculos concéntricos

[Emicida]

Pétalas de um bem me quer
Arte, não mais, não menos
Jamais, sempre , parte, um
Sábio pajé falou: abre o xamã
Quem louva a beleza da natureza guarda o amanhã

Eu sou fã de quem constróis sem concreto
O que fica edifica pela palavra, dialeto
Nem todo poema é tinta e papel
Saiba ver de onde vem, onde tem
Cada alvorecer


[Ana Costa]

Sou a mãe e tenho sentimentos
Escuta o meu lamento, eu quero mais amor
Eu sigo viva e sigo nesse grito
E repita, eu quero mais amor

[Caetano Valoso]

And I know the one day I must die
I’m alive
And I know the one day I must die
I’m alive
Yes I know the one day I must die
I’m alive

[Lenine]

O rio ri
O céu chora
E até chegar ao mar
Demora
(2x)


12 de mai. de 2014

O Rádio Não Vai Acabar!

O rádio - amado, injustiçado e heroico - vem entretendo e informando os brasileiros desde a década de 20, caminhando para fazer um século de bons serviços.
Ele sobreviveu à popularização da TV nos anos 50 e 60, contrariando todos os prognósticos da época. Hoje, novamente sob ataque e vaticínios de morte, ele vem sobrevivendo à universalização da gigantesca World Wide Web (www) - nossa amada Internet - novamente mostrando grande resistência.

O rádio: vivo e cheio de charme.

Porquê? Qual seu segredo? É mesmo uma questão de tempo até sua morte?

O erro dos que acham que o rádio não tem lugar neste mundo altamente tecnológico é que eles estão subestimando seus valores e, por causa destes, ao contrário do que há tempos tem sido profetizado, o rádio não vai desaparecer! Não pelo menos no curto e médio prazo, ou até onde este mundo cheio de cada vez mais rápidas mudanças nos permite prever. Ele sempre terá seu lugar, seu nicho de mercado, assim como o livro de papel.

Deste modo, não cometamos o erro de menosprezá-lo, pois como foi dito acima, ele tem valorosas características. Algumas delas são:

  1. Físicas. Seu meio ambiente é a sonosfera, e por isso tem os poderes do som, como a omnidirecionalidade, nos permitindo locomover com total liberdade, até mesmo a outro ambiente e com grandes obstáculos materiais entre nós e o auto-falante e, mesmo assim, ficamos auditivamente sintonizados;
  2. Sinergéticas. Não tem dificuldades nem estresses, é só ligar e curtir, e a única interatividade possível e atenção necessária é a escolha da emissora. É o caminho de mínima energia que a natureza (e a gente) tanto adora;
  3. Geográficas. O rádio é uma mídia local, regional, trazendo maior noção de coletividade e tornando-o um instrumento de utilidade pública;
  4. Multitarefas. Por não necessitar de atenção demasiada, é a única mídia possível - fora simples tocadores de música - para ser utilizada enquanto se dirige ou trabalha, ou se interage com o mundo de alguma outra forma;
  5. Sociais. É democrático, pois basta um receptor baratinho (que ainda pode ser o antigo aparelho de rádio!) para se ter acesso;
  6. Artísticas. Depende ainda mais, quando comparado com outras mídias com mais recursos, do talento do locutor na arte de construir imagens na cabeça dos ouvintes e induzir emoções. É a eterna arte de um bom contador de histórias sendo requisitada;
  7. Mentais. Estimula a imaginação ao permitir, não a visão de uma figura pronta, mas da construção pessoal na mente de ouvinte da imagem daquilo que sai do auto-falante na forma de ondas sonoras. Somos, assim, co-criadores da história!
  8. Libertárias: Representa a libertação da atual e estressante necessidade de ter de escolher em demasia - como na Internet - ou da prisão de fixar o olhar na imagem - como na TV - nos preenchendo de encantadora simplicidade!

Enfim, o Rádio não é um patinho feio, muito menos um moribundo.
Ele possuiu qualidades únicas e características próprias e que, no final das contas, são produtos de grande valor comercial!

O ser multimidiático da atualidade quer ser ouvinte, espectador, internauta e leitor.

Quer diversidade e o melhor de cada um!


O rádio, definitivamente, não vai acabar!


Dival.

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Como adicional, deixo aqui um link do YouTube com a declamação radiofônica de um poema sobre o Rádio, como costumava ouvir à beira do fogão com minha mãe, quando eu era criança:

https://www.youtube.com/watch?v=s8nd8ED-8sU

Ouçam também sem imagens, como num rádio ouviriam...
Nostálgico, nostálgico...

E se o link "sair do ar", avisem pra mim, beleza? :)

5 de mai. de 2014

Repúdio Total aos Linchamentos

Nos últimos tempos, uma onda de linchamentos estampa as manchetes dos jornais brasileiros, como se fosse uma simples "modinha" destes novos tempos. Além disso, outros países, como a Argentina, já vem sofrendo com esta triste e ameaçadora realidade.

E para que estes fatos ocorram parece não existir a necessidade de certeza: a maioria dos agressores tem sua convicção de culpa e necessidade de punir geradas a partir dos relatos enlouquecidos dos que já estavam lá. É uma multidão enraivecida e que vai aumentando devido à curiosidade, excitada com a saída da rotina, repetindo e amplificando os boatos sem saber de onde se originaram, e muito menos da veracidade dos mesmos.

Nas discussões sobre estes acontecimentos, imputa-se tamanha fúria popular à sensação generalizada de impunidade somado ao aumento da violência. É possível, mas pode-se enxergar nestes atos, claramente, a momentânea exteriorização dos demônios de cada um!



A visão é mesmo algo infernal: nos vídeos que circulavam pela Internet, vê-se inacreditáveis, incontroláveis e incontidos murros e chutes, pedras, paus e até capacetes descendo violentamente sobre o corpo, que vai se avermelhando e deformando, desvanecendo e ressuscitando, desferidos por mãos, pés e instrumentos que surgem e desaparecem nas imagens como se não tivessem donos, em uma impessoalidade assombrosa, até a perda completa da consciência ou, em muitos casos, da vida do agredido.

E assim, a cada novo membro "indignado" que se soma à multidão, expressando um ódio que não se espera de pessoas comuns, um demônio de violência vai crescendo em um auto-alimentado acontecimento. É um novo perigo que se soma aos existentes, onde todos nós, nossos filhos, nossos pais e amigos, correm o risco de - num evento inimaginável como no caso relatado a seguir - ser vítima inocente deste tipo de atrocidade.

5 de maio de 2014: nesta data esta nova e obscura realidade desceu de maneira contundente sobre nós brasileiros, explícito nas manchetes dos jornais na forma da morte de uma mulher espancada por moradores do município de Guarujá, acusada do sequestro de crianças para práticas de magia negra (ressuscita-se, assim, a caça às bruxas!). 
A prova de sua culpa? Uma foto publicada em um site de uma "suspeita" que se assemelhava a ela.
Somente isso! Como se uma desculpa para o início da barbárie fosse o único fator necessário, e tudo está justificado desde que se inicie o ato: um verdadeiro festim diabólico!

A mulher era uma dona de casa de apenas 33 anos, se chamava Fabiane Maria de Jesus, e tinha duas filhas pequenas. 
E era inocente.

Inocente!
Contudo, a sociedade precisa entender que, mesmo para os "culpados", o sistema legal de justiça - que é falho mas fundamental para o mundo como conhecemos funcionar minimamente - deve sempre prevalecer.
A justiça não pode implicar em infligir sofrimento, senão é barbárie.
A vingança não é um direito, é um desequilíbrio emocional.
A denominada "justiça com as próprias mãos" já nasce antecedida pelo prefixo "in".

Quanto aos participantes dos atos como o relatado acima, não sejamos condescendentes nem superficiais: o fato é que as mãos dos executores dos linchamentos -  e até mesmo dos incentivadores - ficam indelevelmente e inexoravelmente manchadas de sangue, e isto é válido mesmo que o acusado seja culpado do crime de que é acusado. Este fato já tem um peso sobre a vida, a história pessoal e tudo que possa ser considerado sagrado e bonito na vida de cada uma destas pessoas que se reuniram para cometer este ato de inconsequente violência.

E o sangue nas mãos destas pessoas no caso acima exposto não é de qualquer um: é a de um inocente, de uma mãe de família. Dores eternas foram infingidas às pessoas próximas à Fabiane, pessoas em que foram abertas feridas que nunca serão curadas. Um marido sem sua mulher, duas filhas sem sua mãe, parentes e amigos sem Fabiane e todos remoendo a dor da injustiça e de imaginar o terrível sofrimento e terror que o ente amado passou ao ser desintegrado física e psicologicamente por uma coletividade fora de si. 

Não há como amenizar o ato e aplacar a consciência. Ao agir pelos impulsos, ao seguir a multidão, ao responder aos comandos de ódio, ao materializar atos de violência extrema, riscos e responsabilidades foram assumidos: todos se tornaram criminosos, todos se tornaram assassinos. 
Em um ato desta natureza, em qualquer configuração que seja montada, todos se tornam sempre piores do que aquele que acusam. 

E o que fazer? Linchá-los também? Não abramos esta CAIXA DE PANDORA!

Um basta tem de acontecer! Ao ser humano não é dado o direito de matar ou mesmo ferir seu semelhante, seja em que circunstâncias forem, exceptuando-se um ato de defesa. 
Quem nos dá o direito de julgar e condenar à danos físicos e sofrimento - ou mesmo à morte - quem quer que seja, tenha culpa do que é acusado ou não? Um amontoado de pessoas enfurecidas e alimentadas por cada vez mais desvinculados da verdade boatos, gerados pelos murmurinho dos ensandecidos?  

Não é possível imaginar como uma pessoa, num dia que até aquele momento era apenas mais um na vida corrida,  possa querer participar de algo com tamanho peso. Violência gera violência, e nunca será bom para a sociedade.
É uma monstruosidade e a banalização da selvageria, a degradação da humanidade e um passo atrás no custoso processo civilizatório dos povos gerada com muito custo ao longo de milênios.
Significará sempre o fim da humanidade e o recomeço da barbárie.

Devemos todos nos envergonhar de tais fatos, e como cidadães da terra e membros da espécie humana, mostrar nossa preocupação e indignação.

A observação diária nos dá indicações de que a maior parte das pessoas que compõem nossa e qualquer sociedade da terra são fundamentalmente pacíficas e não concordam com tais atos, sentindo - mesmo que não consigam colocar em palavras - como se algo estivesse muito errado!
Essas pessoas devem levantar sua voz, pressionando para que as autoridades tomem providências. A escalada de violência - ainda mais vinda de pessoas comuns - tem de ser interrompida!
Temos de nos encontrar novamente como seres humanos.

Que um alto e claro "REPÚDIO TOTAL AOS LINCHAMENTOS" seja dado pela sociedade brasileira e de qualquer país que esteja passando por tais aterrorizantes fatos.

É isto ou construiremos um mundo de terror e que não vale a pena viver. 
Será o fim da humanidade ao qual pertencemos, ou que valha a pena pertencer. 

 Edival

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Já são mais de 50 casos de linchamentos este ano:
http://g1.globo.com/politica/dias-de-intolerancia/platb/

25 de abr. de 2014

Como fazer a barba da melhor forma

Fazer a barba pode ser um dos tormentos diários da vida de um homem.

As mulheres reclamam que são obrigadas a passar por inúmeras experiências sacrificantes ao longo de sua (imprescindível) existência, como o ciclo menstrual e o parto, enquanto, segundo elas, o homem – “esse privilegiado” – passa incólume pela vida: tranquilo, leve e solto.
Mas eu retruco: tem muitas coisas que somente o homem tem de passar sim!
Fazer a barba é uma delas. E – pelo menos para mim – tem para todo dia ou mais!
Corto-a rente toda manhã, e se for sair à noite, já não existe mais "aquela maciez" propagandeada nos comerciais de TV. E lá vamos nós de novo!
Ter pelos na cara (podendo servir às vezes como lixa) que crescem todo dia e todo dia, e no dia seguinte de novo, significa:
- Conviver com uma escravidão diária;
- Ter de lidar habilmente com lâminas afiadíssimas;
- Gastos com produtos variados;
- Dores, ardências e pedaços de papel higiênico na cara, que estancam hemorragias que parecem não ter fim;
- Tempo perdido que se somado, dia após dia todos os dias da vida adulta, daria para fazer uma faculdade!
Para que esta “obrigação diária” não se torne um tormento – ou até mesmo uma cena de sangue – reuni minhas cinco regras de ouro para uma barba fácil e bem feita, desenvolvidas entre um corte e outro:
Regra 1: Ter sempre um aparelho novo, de três ou mais lâminas. Não adianta querer economizar neste quesito, a eficiência aumenta exponencialmente com o número de lâminas!
Regra 2: A primeira coisa a fazer no banheiro é passar aquela generosa camada de creme de barbear. Deixe a química fazer seu papel;
Regra 3: Escovar os dentes, fazer todas as outras “coisas mais”, deixando o creme agir e amaciar a “lixa”, e só depois tomar banho, deixando ir “ralo abaixo” toda esta primeira camada de creme. Deixe a água quente abrir os poros da pele;
Regra 4: De novo em frente ao espelho, passar o creme mais uma vez, e só aí iniciar – tranquilamente – o ato mecânico e transcendental de fazer a barba, enquanto filosofa sobre a vida em seus pensamentos difusos;
Regra 5: Passar o barbeador sempre no sentido em que nasce o pelo, ou seja, partindo da parte superior em direção à inferior, invertendo a direção no queixo e pescoço. Lembrar-se de esticar a pele com a mão livre, pois melhorará bastante todo o procedimento e evitará cortes.
O uso de uma loção pós-barba, se existe a tendência para irritações ou inflamações, é outro procedimento a ser adotado. Na inexistência de aparelhos melhores, podem ser usados os aparelhos descartáveis, desde que não nos esqueçamos de sua natureza descartável! Se for tomar sol, passe filtro solar.
Os barbeadores elétricos tem a vantagem da praticidade, da não utilização de cremes e de não causar traumas, e a desvantagem de não cortar o pelo tão rente. Pode ser a solução para dias corridos. Recomendo a aquisição do aparelho, como coringa.
Faça a escolha dos produtos adequados para seu tipo de pele. Não é frescura!
Deste modo, o aparelho "desliza macio" e "corta rente",  igualzinho aos comerciais que parecem saídos de mundos de fantasia.
E assim faço – todo dia e todo dia e todo dia de novo (viu mulheres!) – minha barba de propaganda de TV!