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19 de jun. de 2014

Enjoados de Photoshop: Por Menos Desenho e Mais Fotografia!

Estamos enjoados de ver mulheres desmesuradamente "photoshopadas".
Mulheres desnudas de variações e de tons, quase translúcidas.
De monótono tom perolado.

É moda um tal de branqueamento e uniformização da cútis sem fim, em uma produção em série de mulheres do tipo - como diria Guimarães Rosa - baratas descascadas!

De afrodescendente à branquela dos cachinhos dourados: tendência onipresente do clareamento uniformizante no mundo da imagem, como que a desvestir a modelo de sua própria pele.
A fotomontagem acima mostra uma manipulação da imagem tão hiperbólica que permite a licença humorística (olhe e reolhe e veja se não ri!) e mostra que, indubitavelmente, photoshop em exagero falseia, engana, ilude:
  • O que se vê, não é;
  • O que parece estar, não está;
  • O que não está, estava.
As possibilidades de transformação dos atuais softwares de edição de imagens é tanta que é justo se desconfiar que a aparente finíssima cintura da modelo da capa de sua revista preferida pode provir, na verdade, de uma conjunção de tecidos adiposos pertencente a uma silhueta convexa, e a "pele de pêssego" pode ter, em sua origem, uma cútis idêntica a um protuberante abacaxi!
Enfim, aquelas proporções perfeitas, o corpo escultural e a pele uniformíssima do rosto da "gata-da-capa" mostrados na revista preferida podem ter como matriz geradora um corpo assimétrico-disforme-decadente!


A verdade é que se, inicialmente, o olhar é atraído para uma bela modelo super trabalhada em photoshop, um segundo olhar - mais atento - geralmente traz um "q" de estranheza, seguido de uma sensação de estarmos sendo enganados, que cresce rapidamente e mata qualquer admiração de longo período.
É fato inescapável: na maioria das vezes o exagero de edição traz uma sensação de irrealidade, falseamento ou mesmo de surrealidade, como se estivéssemos vendo uma personagem fictícia retirada diretamente de um anime japonês.

Fazendo-se uma revisão no mundo da moda e da imagem, descobre-se que o exagero de uso do recurso é tanto que, periodicamente, surgem verdadeiras aberrações:
  • Sumiço de umbigos das modelos;
  • Pescoço e pernas deslocadas em relação ao eixo do tronco;
  • Assimetrias de forma e tamanho de um lado do corpo em relação ao outro;
  • Cinturas e pernas tão finas que fariam a Barbie sentir-se "enorme de gorda".
E um outro tanto de barbaridades que somente um mundo que se distanciou das pessoas reais - mesmo das já "quase" perfeitas - pode produzir! Acha exagerada a colocação? Olhe a figura abaixo e concorde em gênero, número e grau:

Da beleza natural exuberante à boneca de plástico: excesso de photoshop que motivou uma campanha da supermodelo Gisele Bündchen contra o uso excessivo desta ferramenta.

Esta realidade já há algum tempo está em discussão no mundo da moda. Fala-se da influência destes estereótipos na cabeça dos jovens, produzindo insatisfação eterna com o próprio corpo, anorexia, e até mesmo suicídios.
Por conta deste fato, muitas reações vem acontecendo, tais como:
  • Nossa bela e famosa Gisele Bündchen iniciou uma campanha pessoal contra o uso excessivo da ferramenta, depois de ser "vítima" do excesso de manipulação, conforme mostrado na figura acima;
  • Leis sendo feitas e discutidas para tornar obrigatório um aviso do uso de manipulação digital, similar ao que acontece com cigarros (veja aqui); 
  • Campanhas de beleza sendo banidas por excesso de photoshop (aqui); 
  • Campanhas mostrando a "beleza real" da mulher (youtube); 
  • A revista feminina Verily dispensou o uso de photoshop, ou a revista feminina (chilena) Ya que anunciou que trabalhará somente com modelos maquiadas, mas nunca retocadas por photoshop (entre no site destas revistas e veja por você mesma(o) se o uso do software fez falta...).

Digite no Google "antes e depois do photoshop", e veja por si! Olhe outro exemplo abaixo:

Madonna: antes e depois do photoshop, mostrando um "produto" final irritantemente fora da realidade.

E que se registre em todos os anais do mundo do glamour e da sensualidade: na imensa maioria das vezes seria muito, mas muito mais interessante - pelo menos para um Homem - ver a mulher real!
Real, mas com direito a toda a produção, roupas, cenário, cabelos, ângulos e bocas que valorizem suas formas e características interessantes - e sim, pintura é aceitável!

Aproveitando a ideia acima, pode-se destacar outro fator muito importante e que não se vê discutido por aí, pelo menos não com o peso que deveria ter:
Uma trabalho de edição no computador, ao possibilitar a construção, desconstrução e reconstrução sem limites (ad infinitum) da imagem digital, concentra a maior parte do trabalho em cima de um profissional da área: o operador do software. Assim, onde vários criativos e talentosos trabalhadores poderiam estar agindo e interagindo em dinâmica atenção à modelo, o falsário computador reina...

Outro fator de igual ou maior valor: onde fica a valorização de quem se cuida verdadeiramente? A modelo que leva uma vida saudável, se exercita, estuda e corre atrás, por exemplo, construindo sua beleza plástica e sua graça. Não devemos sair do mundo do faz de conta e recompensar o que é real? Valorizar a genética, o esforço pessoal, o sex appeal e o investimento em si mesmo?

E aí, "mercado da imagem", necessitando disfarçar os "terríveis" defeitos de uma celebridade?
A pele manchada e enrugada da artista de novela que nem passa perto do que a telinha tenta passar?
A celebridade que já está na terceira idade e que necessita ser "apessegada"?
Dobras se sucedem na cintura delas e constroem um engavetamento de material circular?

Deixem para os profissionais da maquiagem, da fotografia, de iluminação, de construção de cenários! Para os personal stylist e personal trainers! Estes trabalhadores talentosos são especialistas na valorização do que o ser humano a ser clicado tem ou pode ter de melhor, mais bonito, mais chamativo.
Quanta criatividade, força de trabalho e talento que podem estar sendo desvalorizados por um programa de computador! Quanta beleza real ignorada!

A verdade é que deveria ser uma ofensa para a mulher necessitar ser inteiramente modificada para se tornar publicável em um número de revista.

Tudo bem, não sejamos fanáticos intransigentes: um suave photoshop poderia ser utilizado (afinal o operador é um talentoso profissional!).
Mas que seja suave, leve, e nunca trabalho de escultor.


Nós, os consumidores, podemos dar o tom! Nosso bolso é nossa arma. Reclame da imagem muito alterada, bote em discussão!
Que os amantes da beleza honesta boicotem os exageros "photoshopísticos"!

Viva a beleza real!
Viva a valorização do que existe de verdade, e não do que vem ao mundo como um desenho gerado no computador!

E que a beleza seja eterna enquanto vinda de um corpo e rosto sinceros.



Dival (aquele que prefere a mulher real).

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Um exemplo de criatividade que valoriza o uso do photoshop: Beleza do mesmo rosto de acordo com as preferências de 25 países.
http://www.buzzfeed.com/ashleyperez/global-beauty-standards
No projeto “Before and After“, uma foto foi enviada para diferentes artistas digitais, objetivando o uso da ferramenta do para "direcionar" a beleza de acordo com as preferências do país.


13 de mai. de 2014

Já ouviu? "I'm Alive" Brasil na Floresta da Tijuca

Quero compartilhar e encantar outros ouvidos com a canção ""I'm Alive": A song for Brazil's rainforests".



[Doe aqui <I'm Alive> para baixar.  A doação é a partir de $5, e será utilizada em investimentos de conservação das florestas brasileiras]

De singular beleza e extremamente rica em detalhes e variações. Sem dúvidas entrou para o seleto :) grupo de "minhas músicas favoritas".

Ela foi produzida para comemorar o dia da terra (22 de abril) e colaborar na luta pela preservação das florestas, tendo como cenário a Floresta da Tijuca, e foi sonorizada por um grupo de músicos conceituados, como Caetano Veloso, Lenine e Criolo.

É uma união de partes, porções de músicas independentes e incompletas que foram coladas seguidamente em harmonia, e essa diversidade de tons e melodias traz muitas possibilidades.

Uma canção para cada um destes trechos:
1- 0:40 até 1:42 (Criolo);
2- 2:02 até 2:17 (Sistah)
3- 2:28 até 2:54 (Julia Mestre, José Vitor Ibarra e Tom Veloso);
4- 2:54 até 3:16 (Caetano Veloso);
5- 3:25 até 3:51 (Ana Costa);
6- 4:23 até 4:48 (Lenine).

É assim se construiu esta admirável canção-colagem atual...
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Letra:
[Intro: Gisele Buchen]
If we ask ourselfs
How can we live more mindfully?
And what can we do better?
Better for the Earth, for forrests
For our life, for humanity
Laid the path toward possible
Given people ways to grew food, harvest hood
All in harmony with nature
And to learn a decente living in the process
That’s the Rainforrest Alliance is doing

[Criolo]

Sem braço, sem pernas, sem moedas no pote
Sem nenhuma boca grande pra dizer acorde
Estamos ai a sua mercê
Ele chegou aqui, cheio de ferramentas
Desavenças, falsas crenças
Em aço soberba, concreto e poder
Você vai viver assim numa caixa de vidro
Ou em leilão de álcool por quilo?
Aqui que jaz mãe nature...
Não quero dizer
Que se a janela da alma tem uma trava
Limpe seus olhos que tudo se acalma

Plural, quarta pessoa, verbo proteger

[Caetano Veloso]

I’m alive and vivo, muito vivo vivo
Feel the sound of music banging in my belly belly
Anda I know the one day I must die
I’m alive

[Sistah]

Quero aprender com o passarinhos melodias mais sutis
Fazer poesias delicadas como a Flor-de-lis

Obrigada natureza, é assim que se diz
O Sol nasce todo dia nem precisa pedir bis


[Lenine]

I’m alive! Ohhhhhh
Ohh Ohh Ohhhh

[Julia Mestre, José Vitor Ibarra e Tom Veloso]

Clama a floresta e-e-e-eeee
Sem fôlego
Para fazer dos teus frutos ninhos
Imagine como será...

[Lenine]

O céu chora , até chegar no mar
Demora

[Caetano Veloso]

I’m alive and vivo, muito vivo vivo
Feel the sound of music banging in my belly belly
Anda I know the one day I must die
I’m alive
Yes I know the one day I must die
I’m alive
Corre por tu savia, corre por tu sangre
Tiempo Deferente, tiempo idêntico
Corre tiempo en estos arrugas
Y nos círculos concéntricos

[Emicida]

Pétalas de um bem me quer
Arte, não mais, não menos
Jamais, sempre , parte, um
Sábio pajé falou: abre o xamã
Quem louva a beleza da natureza guarda o amanhã

Eu sou fã de quem constróis sem concreto
O que fica edifica pela palavra, dialeto
Nem todo poema é tinta e papel
Saiba ver de onde vem, onde tem
Cada alvorecer


[Ana Costa]

Sou a mãe e tenho sentimentos
Escuta o meu lamento, eu quero mais amor
Eu sigo viva e sigo nesse grito
E repita, eu quero mais amor

[Caetano Valoso]

And I know the one day I must die
I’m alive
And I know the one day I must die
I’m alive
Yes I know the one day I must die
I’m alive

[Lenine]

O rio ri
O céu chora
E até chegar ao mar
Demora
(2x)


25 de abr. de 2014

Como fazer a barba da melhor forma

Fazer a barba pode ser um dos tormentos diários da vida de um homem.

As mulheres reclamam que são obrigadas a passar por inúmeras experiências sacrificantes ao longo de sua (imprescindível) existência, como o ciclo menstrual e o parto, enquanto, segundo elas, o homem – “esse privilegiado” – passa incólume pela vida: tranquilo, leve e solto.
Mas eu retruco: tem muitas coisas que somente o homem tem de passar sim!
Fazer a barba é uma delas. E – pelo menos para mim – tem para todo dia ou mais!
Corto-a rente toda manhã, e se for sair à noite, já não existe mais "aquela maciez" propagandeada nos comerciais de TV. E lá vamos nós de novo!
Ter pelos na cara (podendo servir às vezes como lixa) que crescem todo dia e todo dia, e no dia seguinte de novo, significa:
- Conviver com uma escravidão diária;
- Ter de lidar habilmente com lâminas afiadíssimas;
- Gastos com produtos variados;
- Dores, ardências e pedaços de papel higiênico na cara, que estancam hemorragias que parecem não ter fim;
- Tempo perdido que se somado, dia após dia todos os dias da vida adulta, daria para fazer uma faculdade!
Para que esta “obrigação diária” não se torne um tormento – ou até mesmo uma cena de sangue – reuni minhas cinco regras de ouro para uma barba fácil e bem feita, desenvolvidas entre um corte e outro:
Regra 1: Ter sempre um aparelho novo, de três ou mais lâminas. Não adianta querer economizar neste quesito, a eficiência aumenta exponencialmente com o número de lâminas!
Regra 2: A primeira coisa a fazer no banheiro é passar aquela generosa camada de creme de barbear. Deixe a química fazer seu papel;
Regra 3: Escovar os dentes, fazer todas as outras “coisas mais”, deixando o creme agir e amaciar a “lixa”, e só depois tomar banho, deixando ir “ralo abaixo” toda esta primeira camada de creme. Deixe a água quente abrir os poros da pele;
Regra 4: De novo em frente ao espelho, passar o creme mais uma vez, e só aí iniciar – tranquilamente – o ato mecânico e transcendental de fazer a barba, enquanto filosofa sobre a vida em seus pensamentos difusos;
Regra 5: Passar o barbeador sempre no sentido em que nasce o pelo, ou seja, partindo da parte superior em direção à inferior, invertendo a direção no queixo e pescoço. Lembrar-se de esticar a pele com a mão livre, pois melhorará bastante todo o procedimento e evitará cortes.
O uso de uma loção pós-barba, se existe a tendência para irritações ou inflamações, é outro procedimento a ser adotado. Na inexistência de aparelhos melhores, podem ser usados os aparelhos descartáveis, desde que não nos esqueçamos de sua natureza descartável! Se for tomar sol, passe filtro solar.
Os barbeadores elétricos tem a vantagem da praticidade, da não utilização de cremes e de não causar traumas, e a desvantagem de não cortar o pelo tão rente. Pode ser a solução para dias corridos. Recomendo a aquisição do aparelho, como coringa.
Faça a escolha dos produtos adequados para seu tipo de pele. Não é frescura!
Deste modo, o aparelho "desliza macio" e "corta rente",  igualzinho aos comerciais que parecem saídos de mundos de fantasia.
E assim faço – todo dia e todo dia e todo dia de novo (viu mulheres!) – minha barba de propaganda de TV!