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2 de set. de 2014

Linchamento no Poste Virtual - em Defesa da Gremista do Grito Racista.

Sim, venho aqui defender a garota.
Não, não a acho inocente.
Sim, acho que ela deve pagar o crime cometido.

Contudo, existe um negócio chamado bom-senso.
E existem também as leis.
E mais: existe uma parte da sociedade extremamente violenta - aqueles que lincham meninos negros amarrados em poste, e também a senhora branca de Bíblia na mão porque achavam que ela era feiticeira (não, isso não é na África!).

Óbvio que essas pessoas estão na Internet também! E estão atacando apenas virtualmente porque não tem acesso à pessoa, porque se tivessem, o fariam fisicamente até esfacelar seu crânio.
Mas só o fazem em grupo ou com a certeza do anonimato, porque são todos COVARDES.
A casa já foi atacada.

Movidos pelo desejo de agredir, de matar, essas pessoas só precisam de um motivo para se sentirem livres para soltar seus demônios e dar vazão à sua gana assassina, seu desejo por sangue.
Não, não são pessoas boas revoltadas. São os que atiram pedras na mulher enterrada até a cabeça no chão para matar a "indigna".

Por isso, a gremista que encetou a cena de racismo gritado e televisado, deve ser protegida da horda sedenta de sangue para, até, ser julgada na forma da lei, pagar seus débitos e crescer como ser humano.

Um dado que me ajudou a formar uma opinião sobre o assunto foram as entrevistas realizadas com vizinhos negros da menina, que conviveram com ela, interagiram com ela, receberam-na em sua casa, e foram tratados com respeito e bom humor por ela. E por terem essa visão maior do conjunto complexo que é este ser humano que cometeu um erro, estão defendendo-na e, como disseram, estão com ela até o fim, apesar de acharem que deve haver o seguimento dos tramites legais. Mas nada mais que isso.

Há que se ter cuidado com vídeos. Uma narrativa do acontecido, apesar de definir perfeitamente o ato, teria muito menos peso e mais bom-senso.

Tudo bem, ver a cena induz o sentimento de revolta. Mas como seus vizinhos com propriedade disseram (porque tem mais informações que nós, o que dão a eles uma visão mais abrangente), "ela é uma menina normal que foi no embalo da multidão" e merece seguir a vida depois de pagar o erro cometido.

E que se encontrem e processem os outros espectadores que também protagonizaram cenas terríveis, caso contrário não haverá justiça - apenas um bode expiatório.

O que a garota fez foi feio de se ver e de se sentir, quando empaticamente nos colocamos no lugar do agredido, mas tudo tem a sua medida e seu recipiente.
Se é para se julgar, que seja sem ódio obnubilante e com visão de conjunto.
Este é um caso para 20 anos de reclusão? Para pena de morte? Óbvio que não.
Muito menos para linchamentos, que deve ser sempre REPUDIADO de todas as formas.

Não para a violência e o ódio, sempre!

O Jogador aranha, ao qual acompanhei várias falas e passei a admirar como pessoa, com certeza está com este espírito de que as coisas se deem no sentido de amenizar os ódios, os preconceitos, de haver uma mudança, e não mais violência.

Sim, é tanta raiva expressa, vinda de tantas pessoas, que a menina está pagando muito mais do que deveria! Que ela seja julgada. Que pague, que indenize financeiramente o Jogador por danos morais, se assim a justiça entender.
Mas, depois de pagar tudo que deve, espero que volte tendo aprendido sua lição e se recupere em todos os sentidos.

E que seja acolhida como pessoa melhor, se assim mudar.

Cuidado com todo ódio. Se você o sente, seja por que motivo for, ligue todos os alarmes: o lobo que existe em você está bem alimentado!

1 de set. de 2014

O Operador Morte: de Getúlio Vargas a Eduardo Campos

Em um texto anterior (aqui), brinquei com uma analogia na vida e na sociedade do conceito de operador: um ente matemático tal como a raiz quadrada de um número, a soma e subtração – ou mais complexos como os que atuam na Mecânica Quântica – transformando uma função em outra, mudando o estado daquilo que sofre sua atuação.

Achei interessante – num exercício de livre-pensamento – a transposição deste conceito matemático para conceituar aqueles eventos transformadores das coisas da vida e do mundo – tal como as pessoas, instituições e países.

Por conta desta ação, tudo é transportado de um estado anterior para outro, ulterior – que pode ser melhor ou pior, maior ou menor, mais simples ou mais complicado.

Dentre os muitos operadores possíveis para as hiper-complexas equações humanas, existe um que surge (como uma das únicas certezas humanas) e muda tudo, sempre.

Este super-operador é a senhora MORTE.




Poderosa e isenta de dúvidas –  inescapável extintora da vida, desagregadora das moléculas do corpo – faz o despejo da alma.

Ocasiona, também, ao meio onde o ente "operado" viveu, dor, vazio, comoção e outras transformações. Por tabela, muda a vida de muita gente - as vezes de nações inteiras!

Mas a mais pitoresca (e irracional) ação deste operador é tornar os atos do ex-vivo – principalmente os que antecederam imediatamente a morte – em algo transcendente, repleto de significado.

A morte operadora suprime  (ou mascara) a "parte má", e exalta (ou diviniza) a "parte boa" da pessoa extinta – se assim puder ser, de algum modo, interpretada. Além disso, pode gerar uma reação de aversão (ou revolta) sobre aqueles que estavam, antes, hostilizando o ente falecido, fato este que pode minar a força e poder de seus adversários (se existirem), e trazer acusações de toda sorte.

Após a operação desestabilizante de extinção da vida, a morte pode transformar um vilão em herói; um assassino/genocida em mártir; um ditador em pai da pátria!

Pode-se também, através deste operador, "sair da vida para entrar na história".

Getúlio Vargas, autor da frase acima, em 2014 volta à mídia devido ao aniversário de 60 anos de sua morte, operada por ele em si mesmo através de um ato suicida.

Outra morte em evidência nestes dias pré-eleições – e exemplo perfeito dos efeitos aqui pressupostos (e o motivador destes escritos) – foi a do candidato à presidência da República Eduardo Campos, em um fatídico acidente de avião.

Me chamou muito a atenção esta coincidência. Duas mortes que transformaram, traumaticamente e repentinamente, a cara do Brasil.

Exemplos de outros passamentos repletos de significado para o país foram as de Tancredo Neves, Tiradentes, Juscelino Kubitschek e Ulysses Guimarães.

Getúlio Vargas, 1954, sabia deste poder operatório e transformador da morte, e se utilizou destas propriedades para inverter a favor de seu grupo o estado político do Brasil à época. Vivia o famoso brasileiro, em seus dias derradeiros, uma situação entendida pelos historiadores como sem saída: ora denominado ditador, ora "pai dos pobres", estava – mesmo na condição de presidente eleito – para ser deposto pelas forças armadas e ser preso.
A morte operada por suas próprias mãos foi a solução encontrada por ele para esta situação –
calculada para ser um ato, antes de tudo, político.
A comoção nacional ante tão forte e tresloucado ato, traria tanto simbolismo e significado que iria destruir os planos de seus adversários, forçando-os a se colocar na defensiva. A força de seu suicídio traria a vitória, e Getúlio, morto, sairia para sempre do palco da vida para deitar, vitorioso, no berço esplêndido da nação. O poderoso operador morte levaria a nação de um estado a outro!

E assim foi: a operação mudou totalmente a função Brasil-1954, e com ela o estado das coisas e o destino da nação (como está amplamente registrado nos livros de história).

Tempos atuais: Eduardo Campos, 2014 – terceiro colocado nas pesquisas para presidente da República – dificilmente sairia desta colocação; segundo informações, ele sabia disto e sua verdadeira intenção seria de se projetar nacionalmente – com olhos fixos nas próximas eleições.

Marina Silva, a ecologista ex-companheira de Chico Mendes, a mulher franzina de projeção nacional, filha da floresta amazônica, era sua candidata a vice – posição acatada depois de muitas atribulações partidárias, pois a intenção mais profunda de Marina era a de concorrer à presidência – o que não pode fazer por força das circunstâncias.

Foi uma trama de acontecimentos difícil de entender que a levou a esta situação, e somente um fato excepcional tornaria possível seu desejo de mudar o estado: de candidata a vice para chefe do poder executivo.

Estavam, então, a poucos meses da eleição, com estabilidade de índices onde a disputa, se houvesse, seria polarizaria entre os dois outros partidos que há muito tempo se revezam no poder; mas, inesperadamente (como comumente acontece – sorrateira que é a moça da foice), a morte operou: um acidente de avião misterioso e fatídico que, ao explodir na cidade, desceu como uma bomba sobre a nação.

"Não pode ser verdade!" "Como?" "Porque?" "Parece coisa do destino".

Esta é a primeira ação das tragédias: o assombro, a dificuldade de acreditar; depois vem a busca do entendimento, dos porquês; em seguida a aceitação e adaptação, entremeada de teorias conspiratórias.

No meio de todas destas fases, a outra ação do operador-ceifador é tornar tudo maior que era: se antes se tratava de um "simples" candidato com seu índice de aceitação e de rejeição bem definidos (e com as inevitáveis denúncias e montagens na Internet sendo feitas como sempre se vê), Campos agora era o elemento surpresa, o salto no gráfico, o dono das emoções e pensamentos da nação.

A trajetória do falecido ganhou destaque e importância, impregnadas de uma certa "aura luminosa" de predestinação, onde até as coincidências são supervalorizadas: na sua última entrevista na TV, sua frase de efeito dita no encerramento, "não desistam do Brasil" soou, diante da tragédia (ocorrida logo após) como mantra, profecia, mandamento!

Tudo ganhou importância, ares de predestinação, de destino!

Por conta desta atmosfera, os adversários foram colocados em uma posição delicada.  Falar mal não seria mais de bom tom. Aliás, melhor entrar na onda e dizer que se é o verdadeiro herdeiro do legado do falecido. E foi o que aconteceu.

Por outro lado, os olhos se voltaram rapidamente para Marina. A equação, transposta de estado pelo operador morte, fechava a conta nela. Com a ex-seringueira como candidata no lugar de Campos, o destino parece se cumprir!

É uma mensagem subjacente, sentida, cheia da energia que vem do assombro e da estranheza. É o sentimento de predestinação.

Este é o exemplo perfeito da força das tragédias e da morte, de como eles brincam com a emoção de uma coletividade, transformando tudo, virando as peças de pernas pro ar e gerando uma nova realidade.
Tudo que foi dito aqui pode ser visto e sentido objetivamente olhando o gráfico com as intenções de voto desde antes do acidente:
Fonte: Blog Brasil Decide.

Assim, ao que tudo indica, o futuro do país tomou um novo rumo. Sai-se, por conta do acontecimento, de uma dicotomia de partidos e entra-se em uma terceira via; Marina, uma surpresa fora do comum desde outras eleições, sofre um golpe do destino a seu favor.

Se continuará assim, se será bom ou ruim, eu não sei, mas que foi mais um episódio histórico derivado de uma morte significativa para ser sempre lembrado – e que está desenhando novos caminhos para o Brasil – ninguém pode negar.

Somente o frio operador morte pode gerar transformações tão intensas em tão curtos períodos. Sai-se da vida e, indubitavelmente, se entra na História.

Contudo... que Deus nos livre deste operador!

DiVal.

19 de jun. de 2014

Enjoados de Photoshop: Por Menos Desenho e Mais Fotografia!

Estamos enjoados de ver mulheres desmesuradamente "photoshopadas".
Mulheres desnudas de variações e de tons, quase translúcidas.
De monótono tom perolado.

É moda um tal de branqueamento e uniformização da cútis sem fim, em uma produção em série de mulheres do tipo - como diria Guimarães Rosa - baratas descascadas!

De afrodescendente à branquela dos cachinhos dourados: tendência onipresente do clareamento uniformizante no mundo da imagem, como que a desvestir a modelo de sua própria pele.
A fotomontagem acima mostra uma manipulação da imagem tão hiperbólica que permite a licença humorística (olhe e reolhe e veja se não ri!) e mostra que, indubitavelmente, photoshop em exagero falseia, engana, ilude:
  • O que se vê, não é;
  • O que parece estar, não está;
  • O que não está, estava.
As possibilidades de transformação dos atuais softwares de edição de imagens é tanta que é justo se desconfiar que a aparente finíssima cintura da modelo da capa de sua revista preferida pode provir, na verdade, de uma conjunção de tecidos adiposos pertencente a uma silhueta convexa, e a "pele de pêssego" pode ter, em sua origem, uma cútis idêntica a um protuberante abacaxi!
Enfim, aquelas proporções perfeitas, o corpo escultural e a pele uniformíssima do rosto da "gata-da-capa" mostrados na revista preferida podem ter como matriz geradora um corpo assimétrico-disforme-decadente!


A verdade é que se, inicialmente, o olhar é atraído para uma bela modelo super trabalhada em photoshop, um segundo olhar - mais atento - geralmente traz um "q" de estranheza, seguido de uma sensação de estarmos sendo enganados, que cresce rapidamente e mata qualquer admiração de longo período.
É fato inescapável: na maioria das vezes o exagero de edição traz uma sensação de irrealidade, falseamento ou mesmo de surrealidade, como se estivéssemos vendo uma personagem fictícia retirada diretamente de um anime japonês.

Fazendo-se uma revisão no mundo da moda e da imagem, descobre-se que o exagero de uso do recurso é tanto que, periodicamente, surgem verdadeiras aberrações:
  • Sumiço de umbigos das modelos;
  • Pescoço e pernas deslocadas em relação ao eixo do tronco;
  • Assimetrias de forma e tamanho de um lado do corpo em relação ao outro;
  • Cinturas e pernas tão finas que fariam a Barbie sentir-se "enorme de gorda".
E um outro tanto de barbaridades que somente um mundo que se distanciou das pessoas reais - mesmo das já "quase" perfeitas - pode produzir! Acha exagerada a colocação? Olhe a figura abaixo e concorde em gênero, número e grau:

Da beleza natural exuberante à boneca de plástico: excesso de photoshop que motivou uma campanha da supermodelo Gisele Bündchen contra o uso excessivo desta ferramenta.

Esta realidade já há algum tempo está em discussão no mundo da moda. Fala-se da influência destes estereótipos na cabeça dos jovens, produzindo insatisfação eterna com o próprio corpo, anorexia, e até mesmo suicídios.
Por conta deste fato, muitas reações vem acontecendo, tais como:
  • Nossa bela e famosa Gisele Bündchen iniciou uma campanha pessoal contra o uso excessivo da ferramenta, depois de ser "vítima" do excesso de manipulação, conforme mostrado na figura acima;
  • Leis sendo feitas e discutidas para tornar obrigatório um aviso do uso de manipulação digital, similar ao que acontece com cigarros (veja aqui); 
  • Campanhas de beleza sendo banidas por excesso de photoshop (aqui); 
  • Campanhas mostrando a "beleza real" da mulher (youtube); 
  • A revista feminina Verily dispensou o uso de photoshop, ou a revista feminina (chilena) Ya que anunciou que trabalhará somente com modelos maquiadas, mas nunca retocadas por photoshop (entre no site destas revistas e veja por você mesma(o) se o uso do software fez falta...).

Digite no Google "antes e depois do photoshop", e veja por si! Olhe outro exemplo abaixo:

Madonna: antes e depois do photoshop, mostrando um "produto" final irritantemente fora da realidade.

E que se registre em todos os anais do mundo do glamour e da sensualidade: na imensa maioria das vezes seria muito, mas muito mais interessante - pelo menos para um Homem - ver a mulher real!
Real, mas com direito a toda a produção, roupas, cenário, cabelos, ângulos e bocas que valorizem suas formas e características interessantes - e sim, pintura é aceitável!

Aproveitando a ideia acima, pode-se destacar outro fator muito importante e que não se vê discutido por aí, pelo menos não com o peso que deveria ter:
Uma trabalho de edição no computador, ao possibilitar a construção, desconstrução e reconstrução sem limites (ad infinitum) da imagem digital, concentra a maior parte do trabalho em cima de um profissional da área: o operador do software. Assim, onde vários criativos e talentosos trabalhadores poderiam estar agindo e interagindo em dinâmica atenção à modelo, o falsário computador reina...

Outro fator de igual ou maior valor: onde fica a valorização de quem se cuida verdadeiramente? A modelo que leva uma vida saudável, se exercita, estuda e corre atrás, por exemplo, construindo sua beleza plástica e sua graça. Não devemos sair do mundo do faz de conta e recompensar o que é real? Valorizar a genética, o esforço pessoal, o sex appeal e o investimento em si mesmo?

E aí, "mercado da imagem", necessitando disfarçar os "terríveis" defeitos de uma celebridade?
A pele manchada e enrugada da artista de novela que nem passa perto do que a telinha tenta passar?
A celebridade que já está na terceira idade e que necessita ser "apessegada"?
Dobras se sucedem na cintura delas e constroem um engavetamento de material circular?

Deixem para os profissionais da maquiagem, da fotografia, de iluminação, de construção de cenários! Para os personal stylist e personal trainers! Estes trabalhadores talentosos são especialistas na valorização do que o ser humano a ser clicado tem ou pode ter de melhor, mais bonito, mais chamativo.
Quanta criatividade, força de trabalho e talento que podem estar sendo desvalorizados por um programa de computador! Quanta beleza real ignorada!

A verdade é que deveria ser uma ofensa para a mulher necessitar ser inteiramente modificada para se tornar publicável em um número de revista.

Tudo bem, não sejamos fanáticos intransigentes: um suave photoshop poderia ser utilizado (afinal o operador é um talentoso profissional!).
Mas que seja suave, leve, e nunca trabalho de escultor.


Nós, os consumidores, podemos dar o tom! Nosso bolso é nossa arma. Reclame da imagem muito alterada, bote em discussão!
Que os amantes da beleza honesta boicotem os exageros "photoshopísticos"!

Viva a beleza real!
Viva a valorização do que existe de verdade, e não do que vem ao mundo como um desenho gerado no computador!

E que a beleza seja eterna enquanto vinda de um corpo e rosto sinceros.



Dival (aquele que prefere a mulher real).

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Um exemplo de criatividade que valoriza o uso do photoshop: Beleza do mesmo rosto de acordo com as preferências de 25 países.
http://www.buzzfeed.com/ashleyperez/global-beauty-standards
No projeto “Before and After“, uma foto foi enviada para diferentes artistas digitais, objetivando o uso da ferramenta do para "direcionar" a beleza de acordo com as preferências do país.


13 de mai. de 2014

Já ouviu? "I'm Alive" Brasil na Floresta da Tijuca

Quero compartilhar e encantar outros ouvidos com a canção ""I'm Alive": A song for Brazil's rainforests".



[Doe aqui <I'm Alive> para baixar.  A doação é a partir de $5, e será utilizada em investimentos de conservação das florestas brasileiras]

De singular beleza e extremamente rica em detalhes e variações. Sem dúvidas entrou para o seleto :) grupo de "minhas músicas favoritas".

Ela foi produzida para comemorar o dia da terra (22 de abril) e colaborar na luta pela preservação das florestas, tendo como cenário a Floresta da Tijuca, e foi sonorizada por um grupo de músicos conceituados, como Caetano Veloso, Lenine e Criolo.

É uma união de partes, porções de músicas independentes e incompletas que foram coladas seguidamente em harmonia, e essa diversidade de tons e melodias traz muitas possibilidades.

Uma canção para cada um destes trechos:
1- 0:40 até 1:42 (Criolo);
2- 2:02 até 2:17 (Sistah)
3- 2:28 até 2:54 (Julia Mestre, José Vitor Ibarra e Tom Veloso);
4- 2:54 até 3:16 (Caetano Veloso);
5- 3:25 até 3:51 (Ana Costa);
6- 4:23 até 4:48 (Lenine).

É assim se construiu esta admirável canção-colagem atual...
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Letra:
[Intro: Gisele Buchen]
If we ask ourselfs
How can we live more mindfully?
And what can we do better?
Better for the Earth, for forrests
For our life, for humanity
Laid the path toward possible
Given people ways to grew food, harvest hood
All in harmony with nature
And to learn a decente living in the process
That’s the Rainforrest Alliance is doing

[Criolo]

Sem braço, sem pernas, sem moedas no pote
Sem nenhuma boca grande pra dizer acorde
Estamos ai a sua mercê
Ele chegou aqui, cheio de ferramentas
Desavenças, falsas crenças
Em aço soberba, concreto e poder
Você vai viver assim numa caixa de vidro
Ou em leilão de álcool por quilo?
Aqui que jaz mãe nature...
Não quero dizer
Que se a janela da alma tem uma trava
Limpe seus olhos que tudo se acalma

Plural, quarta pessoa, verbo proteger

[Caetano Veloso]

I’m alive and vivo, muito vivo vivo
Feel the sound of music banging in my belly belly
Anda I know the one day I must die
I’m alive

[Sistah]

Quero aprender com o passarinhos melodias mais sutis
Fazer poesias delicadas como a Flor-de-lis

Obrigada natureza, é assim que se diz
O Sol nasce todo dia nem precisa pedir bis


[Lenine]

I’m alive! Ohhhhhh
Ohh Ohh Ohhhh

[Julia Mestre, José Vitor Ibarra e Tom Veloso]

Clama a floresta e-e-e-eeee
Sem fôlego
Para fazer dos teus frutos ninhos
Imagine como será...

[Lenine]

O céu chora , até chegar no mar
Demora

[Caetano Veloso]

I’m alive and vivo, muito vivo vivo
Feel the sound of music banging in my belly belly
Anda I know the one day I must die
I’m alive
Yes I know the one day I must die
I’m alive
Corre por tu savia, corre por tu sangre
Tiempo Deferente, tiempo idêntico
Corre tiempo en estos arrugas
Y nos círculos concéntricos

[Emicida]

Pétalas de um bem me quer
Arte, não mais, não menos
Jamais, sempre , parte, um
Sábio pajé falou: abre o xamã
Quem louva a beleza da natureza guarda o amanhã

Eu sou fã de quem constróis sem concreto
O que fica edifica pela palavra, dialeto
Nem todo poema é tinta e papel
Saiba ver de onde vem, onde tem
Cada alvorecer


[Ana Costa]

Sou a mãe e tenho sentimentos
Escuta o meu lamento, eu quero mais amor
Eu sigo viva e sigo nesse grito
E repita, eu quero mais amor

[Caetano Valoso]

And I know the one day I must die
I’m alive
And I know the one day I must die
I’m alive
Yes I know the one day I must die
I’m alive

[Lenine]

O rio ri
O céu chora
E até chegar ao mar
Demora
(2x)


12 de mai. de 2014

O Rádio Não Vai Acabar!

O rádio - amado, injustiçado e heroico - vem entretendo e informando os brasileiros desde a década de 20, caminhando para fazer um século de bons serviços.
Ele sobreviveu à popularização da TV nos anos 50 e 60, contrariando todos os prognósticos da época. Hoje, novamente sob ataque e vaticínios de morte, ele vem sobrevivendo à universalização da gigantesca World Wide Web (www) - nossa amada Internet - novamente mostrando grande resistência.

O rádio: vivo e cheio de charme.

Porquê? Qual seu segredo? É mesmo uma questão de tempo até sua morte?

O erro dos que acham que o rádio não tem lugar neste mundo altamente tecnológico é que eles estão subestimando seus valores e, por causa destes, ao contrário do que há tempos tem sido profetizado, o rádio não vai desaparecer! Não pelo menos no curto e médio prazo, ou até onde este mundo cheio de cada vez mais rápidas mudanças nos permite prever. Ele sempre terá seu lugar, seu nicho de mercado, assim como o livro de papel.

Deste modo, não cometamos o erro de menosprezá-lo, pois como foi dito acima, ele tem valorosas características. Algumas delas são:

  1. Físicas. Seu meio ambiente é a sonosfera, e por isso tem os poderes do som, como a omnidirecionalidade, nos permitindo locomover com total liberdade, até mesmo a outro ambiente e com grandes obstáculos materiais entre nós e o auto-falante e, mesmo assim, ficamos auditivamente sintonizados;
  2. Sinergéticas. Não tem dificuldades nem estresses, é só ligar e curtir, e a única interatividade possível e atenção necessária é a escolha da emissora. É o caminho de mínima energia que a natureza (e a gente) tanto adora;
  3. Geográficas. O rádio é uma mídia local, regional, trazendo maior noção de coletividade e tornando-o um instrumento de utilidade pública;
  4. Multitarefas. Por não necessitar de atenção demasiada, é a única mídia possível - fora simples tocadores de música - para ser utilizada enquanto se dirige ou trabalha, ou se interage com o mundo de alguma outra forma;
  5. Sociais. É democrático, pois basta um receptor baratinho (que ainda pode ser o antigo aparelho de rádio!) para se ter acesso;
  6. Artísticas. Depende ainda mais, quando comparado com outras mídias com mais recursos, do talento do locutor na arte de construir imagens na cabeça dos ouvintes e induzir emoções. É a eterna arte de um bom contador de histórias sendo requisitada;
  7. Mentais. Estimula a imaginação ao permitir, não a visão de uma figura pronta, mas da construção pessoal na mente de ouvinte da imagem daquilo que sai do auto-falante na forma de ondas sonoras. Somos, assim, co-criadores da história!
  8. Libertárias: Representa a libertação da atual e estressante necessidade de ter de escolher em demasia - como na Internet - ou da prisão de fixar o olhar na imagem - como na TV - nos preenchendo de encantadora simplicidade!

Enfim, o Rádio não é um patinho feio, muito menos um moribundo.
Ele possuiu qualidades únicas e características próprias e que, no final das contas, são produtos de grande valor comercial!

O ser multimidiático da atualidade quer ser ouvinte, espectador, internauta e leitor.

Quer diversidade e o melhor de cada um!


O rádio, definitivamente, não vai acabar!


Dival.

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Como adicional, deixo aqui um link do YouTube com a declamação radiofônica de um poema sobre o Rádio, como costumava ouvir à beira do fogão com minha mãe, quando eu era criança:

https://www.youtube.com/watch?v=s8nd8ED-8sU

Ouçam também sem imagens, como num rádio ouviriam...
Nostálgico, nostálgico...

E se o link "sair do ar", avisem pra mim, beleza? :)

5 de mai. de 2014

Repúdio Total aos Linchamentos

Nos últimos tempos, uma onda de linchamentos estampa as manchetes dos jornais brasileiros, como se fosse uma simples "modinha" destes novos tempos. Além disso, outros países, como a Argentina, já vem sofrendo com esta triste e ameaçadora realidade.

E para que estes fatos ocorram parece não existir a necessidade de certeza: a maioria dos agressores tem sua convicção de culpa e necessidade de punir geradas a partir dos relatos enlouquecidos dos que já estavam lá. É uma multidão enraivecida e que vai aumentando devido à curiosidade, excitada com a saída da rotina, repetindo e amplificando os boatos sem saber de onde se originaram, e muito menos da veracidade dos mesmos.

Nas discussões sobre estes acontecimentos, imputa-se tamanha fúria popular à sensação generalizada de impunidade somado ao aumento da violência. É possível, mas pode-se enxergar nestes atos, claramente, a momentânea exteriorização dos demônios de cada um!



A visão é mesmo algo infernal: nos vídeos que circulavam pela Internet, vê-se inacreditáveis, incontroláveis e incontidos murros e chutes, pedras, paus e até capacetes descendo violentamente sobre o corpo, que vai se avermelhando e deformando, desvanecendo e ressuscitando, desferidos por mãos, pés e instrumentos que surgem e desaparecem nas imagens como se não tivessem donos, em uma impessoalidade assombrosa, até a perda completa da consciência ou, em muitos casos, da vida do agredido.

E assim, a cada novo membro "indignado" que se soma à multidão, expressando um ódio que não se espera de pessoas comuns, um demônio de violência vai crescendo em um auto-alimentado acontecimento. É um novo perigo que se soma aos existentes, onde todos nós, nossos filhos, nossos pais e amigos, correm o risco de - num evento inimaginável como no caso relatado a seguir - ser vítima inocente deste tipo de atrocidade.

5 de maio de 2014: nesta data esta nova e obscura realidade desceu de maneira contundente sobre nós brasileiros, explícito nas manchetes dos jornais na forma da morte de uma mulher espancada por moradores do município de Guarujá, acusada do sequestro de crianças para práticas de magia negra (ressuscita-se, assim, a caça às bruxas!). 
A prova de sua culpa? Uma foto publicada em um site de uma "suspeita" que se assemelhava a ela.
Somente isso! Como se uma desculpa para o início da barbárie fosse o único fator necessário, e tudo está justificado desde que se inicie o ato: um verdadeiro festim diabólico!

A mulher era uma dona de casa de apenas 33 anos, se chamava Fabiane Maria de Jesus, e tinha duas filhas pequenas. 
E era inocente.

Inocente!
Contudo, a sociedade precisa entender que, mesmo para os "culpados", o sistema legal de justiça - que é falho mas fundamental para o mundo como conhecemos funcionar minimamente - deve sempre prevalecer.
A justiça não pode implicar em infligir sofrimento, senão é barbárie.
A vingança não é um direito, é um desequilíbrio emocional.
A denominada "justiça com as próprias mãos" já nasce antecedida pelo prefixo "in".

Quanto aos participantes dos atos como o relatado acima, não sejamos condescendentes nem superficiais: o fato é que as mãos dos executores dos linchamentos -  e até mesmo dos incentivadores - ficam indelevelmente e inexoravelmente manchadas de sangue, e isto é válido mesmo que o acusado seja culpado do crime de que é acusado. Este fato já tem um peso sobre a vida, a história pessoal e tudo que possa ser considerado sagrado e bonito na vida de cada uma destas pessoas que se reuniram para cometer este ato de inconsequente violência.

E o sangue nas mãos destas pessoas no caso acima exposto não é de qualquer um: é a de um inocente, de uma mãe de família. Dores eternas foram infingidas às pessoas próximas à Fabiane, pessoas em que foram abertas feridas que nunca serão curadas. Um marido sem sua mulher, duas filhas sem sua mãe, parentes e amigos sem Fabiane e todos remoendo a dor da injustiça e de imaginar o terrível sofrimento e terror que o ente amado passou ao ser desintegrado física e psicologicamente por uma coletividade fora de si. 

Não há como amenizar o ato e aplacar a consciência. Ao agir pelos impulsos, ao seguir a multidão, ao responder aos comandos de ódio, ao materializar atos de violência extrema, riscos e responsabilidades foram assumidos: todos se tornaram criminosos, todos se tornaram assassinos. 
Em um ato desta natureza, em qualquer configuração que seja montada, todos se tornam sempre piores do que aquele que acusam. 

E o que fazer? Linchá-los também? Não abramos esta CAIXA DE PANDORA!

Um basta tem de acontecer! Ao ser humano não é dado o direito de matar ou mesmo ferir seu semelhante, seja em que circunstâncias forem, exceptuando-se um ato de defesa. 
Quem nos dá o direito de julgar e condenar à danos físicos e sofrimento - ou mesmo à morte - quem quer que seja, tenha culpa do que é acusado ou não? Um amontoado de pessoas enfurecidas e alimentadas por cada vez mais desvinculados da verdade boatos, gerados pelos murmurinho dos ensandecidos?  

Não é possível imaginar como uma pessoa, num dia que até aquele momento era apenas mais um na vida corrida,  possa querer participar de algo com tamanho peso. Violência gera violência, e nunca será bom para a sociedade.
É uma monstruosidade e a banalização da selvageria, a degradação da humanidade e um passo atrás no custoso processo civilizatório dos povos gerada com muito custo ao longo de milênios.
Significará sempre o fim da humanidade e o recomeço da barbárie.

Devemos todos nos envergonhar de tais fatos, e como cidadães da terra e membros da espécie humana, mostrar nossa preocupação e indignação.

A observação diária nos dá indicações de que a maior parte das pessoas que compõem nossa e qualquer sociedade da terra são fundamentalmente pacíficas e não concordam com tais atos, sentindo - mesmo que não consigam colocar em palavras - como se algo estivesse muito errado!
Essas pessoas devem levantar sua voz, pressionando para que as autoridades tomem providências. A escalada de violência - ainda mais vinda de pessoas comuns - tem de ser interrompida!
Temos de nos encontrar novamente como seres humanos.

Que um alto e claro "REPÚDIO TOTAL AOS LINCHAMENTOS" seja dado pela sociedade brasileira e de qualquer país que esteja passando por tais aterrorizantes fatos.

É isto ou construiremos um mundo de terror e que não vale a pena viver. 
Será o fim da humanidade ao qual pertencemos, ou que valha a pena pertencer. 

 Edival

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Já são mais de 50 casos de linchamentos este ano:
http://g1.globo.com/politica/dias-de-intolerancia/platb/

14 de abr. de 2014

Filosofia Bundocêntrica: Ser vadia é ser livre (?)

Há muito muito tempo atrás, surgia em terras tupiniquins Gretchen –  a matriz geradora de todas as "misses bumbum". Desde então vem ocorrendo, digamos assim, um fenômeno popular de grande sucesso com moças bem dotadas em danças sexualizadas – quase ginecológicas –, baseado no atributo negritado.
E aí assistimos ao longo de muitos anos – sem sacar muito bem a revolução que estava acontecendo – uma sucessão de "grandes sucessos" de matriz bunda lelê, como os do "É o Tchan" e suas "Sheilas", e de uma infinidade de fêmeas-fruta.

Assim, depois de anos sucessivos de grande abundância, chegamos vivos ao começo de 2014, onde tivemos o privilégio de presenciar o funk da cantora Valesca Popozuda, denominado “Beijinho no Ombro”, fazer muito sucesso, trazendo-a aos holofotes da mídia e a colocando involuntariamente em uma polêmica por ter sido chamada de "grande pensadora contemporânea" –  uma provocação de um professor de filosofia em uma prova no Distrito Federal.

Em decorrência deste fato – pois a provocação foi mais que bem sucedida e virou notícia nacional – Valesca deu uma entrevista para a revista ÉPOCA (abril de 2014), cujo título é:


Bom para ela, que ganhou um marketing inesperado!
Em tempo: A entrevista que ela deu mostrou que é uma mulher inteligente, de opiniões fortes e com boa articulação. Sabe o que quer, o que faz e onde quer chegar.

Mas e quanto à opinião expressa por ela? Ser vadia é mesmo ser livre? Tomo aqui a palavra vadia como definição de uma mulher que assume sua sexualidade e lida com seu corpo sem vergonha (ou sem-vergonha!), dando de ombros para a sociedade, fazendo o que quiser, onde quiser.

Quanto à frase que me motivou a escrever este texto, posso dizer que discordo como a ideia foi colocada: se ser vadio é ser livre, implica que quem não é vadio não é livre? No contexto atual de liberdade de expressão no Brasil, pode-se afirmar para a maioria dos casos, lugares e situações, que com certeza: 

Ser vadia (ou vadio) não traz a liberdade por si mesmo, mas significa que temos a liberdade de poder escolher ser! 

E isso é bom!
Deste modo, eu não sou livre como resultado direto do fato de ser "vadio", mas se sou livre posso tranquilamente escolher vadiar e – se respeito os limites da sociedade e uso do bom senso –ninguém tem nada a ver com isso! 

Penso que esta frase, colocada pela mãe da filosofia "popocêntrica", foi bem pertinente ao traduzir o pensamento de uma parte da "expressão cultural" do país; este fato, quando assumido, traz a necessidade de uma reflexão por um detalhe que deriva deste "movimento" (esquecendo as derivações auditivas): a exploração de performances quase pornográficas e letras que vão no mesmo sentido na consciente sexualização evidenciada por artistas do gênero bundal tem como platéia não só homens hipnotizados, mas todos que tem ouvidos de ouvir, inclusive as crianças (estão por aí os carros com som na estratosfera que não me deixam mentir).

São novos tempos e costumes, e teremos de lidar com as mudanças, o que a princípio é bom.
Mas o que se pode pensar sobre estes fatos?  É algo que permeia a mídia, a TV, as rádios, e os amplificadores sendo, portanto, atualíssimo, preocupando pais e educadores e levando a sociedade refletir em muitos momentos.

O fato é que estes cantores populares, por estarem em evidência, exercem influência sobre os mais jovens e contribuem para os moldar, e por este motivo talvez seja relevante e interessante também nós sermos grandes pensadores do assunto.
Nesta linha de análise da nossa sociedade, percebe-se que como resultado do "movimento", e implícita no título da reportagem, está a ideia de que – sinteticamente falando – para ser "legal", tem de "descer até o chão", sempre com pouco pano e em poses ginecológicas.

Coisas a se pensar, num exercício de livre pensamento, já que o assunto que foi abordado, ser vadia ou vadio, foi evidenciado:
Uma mulher assumidamente vadia, é legal? E um homem vadio?
E as crianças que recebem essas mensagens? E os pais, os educadores-mor, que tem a filha que caminha para se tornar uma "vadia"? Você, caro leitor,  na condição de pai ou mãe, o que sentiria ou pensaria? Educaria sua filha para ser livre e escolher ser vadia, se ela assim desejar? E quanto ao termo "vulgaridade", ele é pertinente aos dias de hoje? O que é ser uma mulher (ou mesmo homem) "de classe" ou "vulgar"? Isso ainda tem sentido? Existe um ditado que diz que a mulher perfeita sabe ser vadia na cama e dama na sociedade.

Enfim, essa liberdade de ser vadia/o – se uma mulher/homem assim desejar – é boa ou ruim no total da soma? Em minha opinião, com certeza! Uma das maravilhas do mundo moderno, uma liberdade adquirida a duras penas pelos seres humanos e ainda mais (muito mais) pelas mulheres!

Mas sempre tem a questão do outro: minha liberdade entra no limbo quando desestabilizo os que alcanço. Quando o assunto é sexo/sexualização, eu tenho o direito de fazer o eu que quiser, onde quiser? Os pais tem o direito de não ver sua criança presenciando letras e cenas explícitas de conteúdo sexual?

Como opinião pessoal, posso dizer:

  • Viva a liberdade de sermos vadios (se assim desejarmos)!
  • Viva a mulher/homem que tem a capacidade de ser vadia/o em deliciosos momentos!
  • Viva a desrepressão organísmica!

Em segundo lugar, posso dizer que não consigo sentir como algo positivo "ser" vadia/o o tempo todo, em vez de "estar" num momento da vida, de experimentar como uma fase, se assim a pessoa sentir necessidade/vontade, como parte integrante de uma vida rica em vivências.
Também não vejo como ser positivo a invasão dos espaços: o mundo de quem não deseja vivenciar certos exageros, ou que seu rebento seja "violentado" no desenvolvimento de sua sexualidade, deve ser respeitado.
Como se fará isso, não sei: dramas da vida moderna!

Dentro de meus limites pessoais posso dizer que não aprecio, com grandes chances de virem inseridos no pacote da vadiagem como filosofia de vida (coisas que a gente vê): a libertinagem, a irresponsabilidade com o próprio corpo, a vulgaridade, a invasão dos espaços escandalizando e influenciando as mentes em formação e deixando pais preocupados, e a negação dos direitos dos outros.

Dou – destacando a ideia central deste texto – meus aplausos sinceros à liberdade já conquistada e a quem luta pelo direito de sermos o que desejamos – respeitando os limites dos outros – ser.
Por fim, acrescento que não desejo que minha história ressoe pela eternidade como aquela produzida por um ser fútil, sem vida interior e que só vadiou toda vida – e nada mais.

Sejamos livres, então, e que a vida seja rica e valha sempre a pena!

EdiVal
14/04/2014