Sim, venho aqui defender a garota.
Não, não a acho inocente.
Sim, acho que ela deve pagar o crime cometido.
Contudo, existe um negócio chamado bom-senso.
E existem também as leis.
E mais: existe uma parte da sociedade extremamente violenta - aqueles que lincham meninos negros amarrados em poste, e também a senhora branca de Bíblia na mão porque achavam que ela era feiticeira (não, isso não é na África!).
Óbvio que essas pessoas estão na Internet também! E estão atacando apenas virtualmente porque não tem acesso à pessoa, porque se tivessem, o fariam fisicamente até esfacelar seu crânio.
Mas só o fazem em grupo ou com a certeza do anonimato, porque são todos COVARDES.
A casa já foi atacada.
Movidos pelo desejo de agredir, de matar, essas pessoas só precisam de um motivo para se sentirem livres para soltar seus demônios e dar vazão à sua gana assassina, seu desejo por sangue.
Não, não são pessoas boas revoltadas. São os que atiram pedras na mulher enterrada até a cabeça no chão para matar a "indigna".
Por isso, a gremista que encetou a cena de racismo gritado e televisado, deve ser protegida da horda sedenta de sangue para, até, ser julgada na forma da lei, pagar seus débitos e crescer como ser humano.
Um dado que me ajudou a formar uma opinião sobre o assunto foram as entrevistas realizadas com vizinhos negros da menina, que conviveram com ela, interagiram com ela, receberam-na em sua casa, e foram tratados com respeito e bom humor por ela. E por terem essa visão maior do conjunto complexo que é este ser humano que cometeu um erro, estão defendendo-na e, como disseram, estão com ela até o fim, apesar de acharem que deve haver o seguimento dos tramites legais. Mas nada mais que isso.
Há que se ter cuidado com vídeos. Uma narrativa do acontecido, apesar de definir perfeitamente o ato, teria muito menos peso e mais bom-senso.
Tudo bem, ver a cena induz o sentimento de revolta. Mas como seus vizinhos com propriedade disseram (porque tem mais informações que nós, o que dão a eles uma visão mais abrangente), "ela é uma menina normal que foi no embalo da multidão" e merece seguir a vida depois de pagar o erro cometido.
E que se encontrem e processem os outros espectadores que também protagonizaram cenas terríveis, caso contrário não haverá justiça - apenas um bode expiatório.
O que a garota fez foi feio de se ver e de se sentir, quando empaticamente nos colocamos no lugar do agredido, mas tudo tem a sua medida e seu recipiente.
Se é para se julgar, que seja sem ódio obnubilante e com visão de conjunto.
Este é um caso para 20 anos de reclusão? Para pena de morte? Óbvio que não.
Muito menos para linchamentos, que deve ser sempre REPUDIADO de todas as formas.
Não para a violência e o ódio, sempre!
O Jogador aranha, ao qual acompanhei várias falas e passei a admirar como pessoa, com certeza está com este espírito de que as coisas se deem no sentido de amenizar os ódios, os preconceitos, de haver uma mudança, e não mais violência.
Sim, é tanta raiva expressa, vinda de tantas pessoas, que a menina está pagando muito mais do que deveria! Que ela seja julgada. Que pague, que indenize financeiramente o Jogador por danos morais, se assim a justiça entender.
Mas, depois de pagar tudo que deve, espero que volte tendo aprendido sua lição e se recupere em todos os sentidos.
E que seja acolhida como pessoa melhor, se assim mudar.
Cuidado com todo ódio. Se você o sente, seja por que motivo for, ligue todos os alarmes: o lobo que existe em você está bem alimentado!
Mostrando postagens com marcador Pessoas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pessoas. Mostrar todas as postagens
2 de set. de 2014
1 de set. de 2014
O Operador Morte: de Getúlio Vargas a Eduardo Campos
Em um texto anterior (aqui), brinquei com uma analogia na vida e na sociedade do conceito de operador: um ente matemático tal como a raiz quadrada de um número, a soma e subtração – ou mais complexos como os que atuam na Mecânica Quântica – transformando uma função em outra, mudando o estado daquilo que sofre sua atuação.
Achei interessante – num exercício de livre-pensamento – a transposição deste conceito matemático para conceituar aqueles eventos transformadores das coisas da vida e do mundo – tal como as pessoas, instituições e países.
Por conta desta ação, tudo é transportado de um estado anterior para outro, ulterior – que pode ser melhor ou pior, maior ou menor, mais simples ou mais complicado.
Dentre os muitos operadores possíveis para as hiper-complexas equações humanas, existe um que surge (como uma das únicas certezas humanas) e muda tudo, sempre.
Este super-operador é a senhora MORTE.
Poderosa e isenta de dúvidas – inescapável extintora da vida, desagregadora das moléculas do corpo – faz o despejo da alma.
Ocasiona, também, ao meio onde o ente "operado" viveu, dor, vazio, comoção e outras transformações. Por tabela, muda a vida de muita gente - as vezes de nações inteiras!
Mas a mais pitoresca (e irracional) ação deste operador é tornar os atos do ex-vivo – principalmente os que antecederam imediatamente a morte – em algo transcendente, repleto de significado.
A morte operadora suprime (ou mascara) a "parte má", e exalta (ou diviniza) a "parte boa" da pessoa extinta – se assim puder ser, de algum modo, interpretada. Além disso, pode gerar uma reação de aversão (ou revolta) sobre aqueles que estavam, antes, hostilizando o ente falecido, fato este que pode minar a força e poder de seus adversários (se existirem), e trazer acusações de toda sorte.
Após a operação desestabilizante de extinção da vida, a morte pode transformar um vilão em herói; um assassino/genocida em mártir; um ditador em pai da pátria!
Pode-se também, através deste operador, "sair da vida para entrar na história".
Getúlio Vargas, autor da frase acima, em 2014 volta à mídia devido ao aniversário de 60 anos de sua morte, operada por ele em si mesmo através de um ato suicida.
Outra morte em evidência nestes dias pré-eleições – e exemplo perfeito dos efeitos aqui pressupostos (e o motivador destes escritos) – foi a do candidato à presidência da República Eduardo Campos, em um fatídico acidente de avião.
Me chamou muito a atenção esta coincidência. Duas mortes que transformaram, traumaticamente e repentinamente, a cara do Brasil.
Exemplos de outros passamentos repletos de significado para o país foram as de Tancredo Neves, Tiradentes, Juscelino Kubitschek e Ulysses Guimarães.
Getúlio Vargas, 1954, sabia deste poder operatório e transformador da morte, e se utilizou destas propriedades para inverter a favor de seu grupo o estado político do Brasil à época. Vivia o famoso brasileiro, em seus dias derradeiros, uma situação entendida pelos historiadores como sem saída: ora denominado ditador, ora "pai dos pobres", estava – mesmo na condição de presidente eleito – para ser deposto pelas forças armadas e ser preso.
A morte operada por suas próprias mãos foi a solução encontrada por ele para esta situação –
calculada para ser um ato, antes de tudo, político.
A comoção nacional ante tão forte e tresloucado ato, traria tanto simbolismo e significado que iria destruir os planos de seus adversários, forçando-os a se colocar na defensiva. A força de seu suicídio traria a vitória, e Getúlio, morto, sairia para sempre do palco da vida para deitar, vitorioso, no berço esplêndido da nação. O poderoso operador morte levaria a nação de um estado a outro!
E assim foi: a operação mudou totalmente a função Brasil-1954, e com ela o estado das coisas e o destino da nação (como está amplamente registrado nos livros de história).
Tempos atuais: Eduardo Campos, 2014 – terceiro colocado nas pesquisas para presidente da República – dificilmente sairia desta colocação; segundo informações, ele sabia disto e sua verdadeira intenção seria de se projetar nacionalmente – com olhos fixos nas próximas eleições.
Marina Silva, a ecologista ex-companheira de Chico Mendes, a mulher franzina de projeção nacional, filha da floresta amazônica, era sua candidata a vice – posição acatada depois de muitas atribulações partidárias, pois a intenção mais profunda de Marina era a de concorrer à presidência – o que não pode fazer por força das circunstâncias.
Foi uma trama de acontecimentos difícil de entender que a levou a esta situação, e somente um fato excepcional tornaria possível seu desejo de mudar o estado: de candidata a vice para chefe do poder executivo.
Estavam, então, a poucos meses da eleição, com estabilidade de índices onde a disputa, se houvesse, seria polarizaria entre os dois outros partidos que há muito tempo se revezam no poder; mas, inesperadamente (como comumente acontece – sorrateira que é a moça da foice), a morte operou: um acidente de avião misterioso e fatídico que, ao explodir na cidade, desceu como uma bomba sobre a nação.
"Não pode ser verdade!" "Como?" "Porque?" "Parece coisa do destino".
Esta é a primeira ação das tragédias: o assombro, a dificuldade de acreditar; depois vem a busca do entendimento, dos porquês; em seguida a aceitação e adaptação, entremeada de teorias conspiratórias.
No meio de todas destas fases, a outra ação do operador-ceifador é tornar tudo maior que era: se antes se tratava de um "simples" candidato com seu índice de aceitação e de rejeição bem definidos (e com as inevitáveis denúncias e montagens na Internet sendo feitas como sempre se vê), Campos agora era o elemento surpresa, o salto no gráfico, o dono das emoções e pensamentos da nação.
A trajetória do falecido ganhou destaque e importância, impregnadas de uma certa "aura luminosa" de predestinação, onde até as coincidências são supervalorizadas: na sua última entrevista na TV, sua frase de efeito dita no encerramento, "não desistam do Brasil" soou, diante da tragédia (ocorrida logo após) como mantra, profecia, mandamento!
Tudo ganhou importância, ares de predestinação, de destino!
Por conta desta atmosfera, os adversários foram colocados em uma posição delicada. Falar mal não seria mais de bom tom. Aliás, melhor entrar na onda e dizer que se é o verdadeiro herdeiro do legado do falecido. E foi o que aconteceu.
Por outro lado, os olhos se voltaram rapidamente para Marina. A equação, transposta de estado pelo operador morte, fechava a conta nela. Com a ex-seringueira como candidata no lugar de Campos, o destino parece se cumprir!
É uma mensagem subjacente, sentida, cheia da energia que vem do assombro e da estranheza. É o sentimento de predestinação.
Este é o exemplo perfeito da força das tragédias e da morte, de como eles brincam com a emoção de uma coletividade, transformando tudo, virando as peças de pernas pro ar e gerando uma nova realidade.
Tudo que foi dito aqui pode ser visto e sentido objetivamente olhando o gráfico com as intenções de voto desde antes do acidente:
Assim, ao que tudo indica, o futuro do país tomou um novo rumo. Sai-se, por conta do acontecimento, de uma dicotomia de partidos e entra-se em uma terceira via; Marina, uma surpresa fora do comum desde outras eleições, sofre um golpe do destino a seu favor.
Se continuará assim, se será bom ou ruim, eu não sei, mas que foi mais um episódio histórico derivado de uma morte significativa para ser sempre lembrado – e que está desenhando novos caminhos para o Brasil – ninguém pode negar.
Somente o frio operador morte pode gerar transformações tão intensas em tão curtos períodos. Sai-se da vida e, indubitavelmente, se entra na História.
Achei interessante – num exercício de livre-pensamento – a transposição deste conceito matemático para conceituar aqueles eventos transformadores das coisas da vida e do mundo – tal como as pessoas, instituições e países.
Por conta desta ação, tudo é transportado de um estado anterior para outro, ulterior – que pode ser melhor ou pior, maior ou menor, mais simples ou mais complicado.
Dentre os muitos operadores possíveis para as hiper-complexas equações humanas, existe um que surge (como uma das únicas certezas humanas) e muda tudo, sempre.
Este super-operador é a senhora MORTE.
Ocasiona, também, ao meio onde o ente "operado" viveu, dor, vazio, comoção e outras transformações. Por tabela, muda a vida de muita gente - as vezes de nações inteiras!
Mas a mais pitoresca (e irracional) ação deste operador é tornar os atos do ex-vivo – principalmente os que antecederam imediatamente a morte – em algo transcendente, repleto de significado.
A morte operadora suprime (ou mascara) a "parte má", e exalta (ou diviniza) a "parte boa" da pessoa extinta – se assim puder ser, de algum modo, interpretada. Além disso, pode gerar uma reação de aversão (ou revolta) sobre aqueles que estavam, antes, hostilizando o ente falecido, fato este que pode minar a força e poder de seus adversários (se existirem), e trazer acusações de toda sorte.
Após a operação desestabilizante de extinção da vida, a morte pode transformar um vilão em herói; um assassino/genocida em mártir; um ditador em pai da pátria!
Pode-se também, através deste operador, "sair da vida para entrar na história".
Getúlio Vargas, autor da frase acima, em 2014 volta à mídia devido ao aniversário de 60 anos de sua morte, operada por ele em si mesmo através de um ato suicida.
Outra morte em evidência nestes dias pré-eleições – e exemplo perfeito dos efeitos aqui pressupostos (e o motivador destes escritos) – foi a do candidato à presidência da República Eduardo Campos, em um fatídico acidente de avião.
Me chamou muito a atenção esta coincidência. Duas mortes que transformaram, traumaticamente e repentinamente, a cara do Brasil.
Exemplos de outros passamentos repletos de significado para o país foram as de Tancredo Neves, Tiradentes, Juscelino Kubitschek e Ulysses Guimarães.
Getúlio Vargas, 1954, sabia deste poder operatório e transformador da morte, e se utilizou destas propriedades para inverter a favor de seu grupo o estado político do Brasil à época. Vivia o famoso brasileiro, em seus dias derradeiros, uma situação entendida pelos historiadores como sem saída: ora denominado ditador, ora "pai dos pobres", estava – mesmo na condição de presidente eleito – para ser deposto pelas forças armadas e ser preso.
A morte operada por suas próprias mãos foi a solução encontrada por ele para esta situação –
calculada para ser um ato, antes de tudo, político.
A comoção nacional ante tão forte e tresloucado ato, traria tanto simbolismo e significado que iria destruir os planos de seus adversários, forçando-os a se colocar na defensiva. A força de seu suicídio traria a vitória, e Getúlio, morto, sairia para sempre do palco da vida para deitar, vitorioso, no berço esplêndido da nação. O poderoso operador morte levaria a nação de um estado a outro!
E assim foi: a operação mudou totalmente a função Brasil-1954, e com ela o estado das coisas e o destino da nação (como está amplamente registrado nos livros de história).
Tempos atuais: Eduardo Campos, 2014 – terceiro colocado nas pesquisas para presidente da República – dificilmente sairia desta colocação; segundo informações, ele sabia disto e sua verdadeira intenção seria de se projetar nacionalmente – com olhos fixos nas próximas eleições.
Marina Silva, a ecologista ex-companheira de Chico Mendes, a mulher franzina de projeção nacional, filha da floresta amazônica, era sua candidata a vice – posição acatada depois de muitas atribulações partidárias, pois a intenção mais profunda de Marina era a de concorrer à presidência – o que não pode fazer por força das circunstâncias.
Foi uma trama de acontecimentos difícil de entender que a levou a esta situação, e somente um fato excepcional tornaria possível seu desejo de mudar o estado: de candidata a vice para chefe do poder executivo.
Estavam, então, a poucos meses da eleição, com estabilidade de índices onde a disputa, se houvesse, seria polarizaria entre os dois outros partidos que há muito tempo se revezam no poder; mas, inesperadamente (como comumente acontece – sorrateira que é a moça da foice), a morte operou: um acidente de avião misterioso e fatídico que, ao explodir na cidade, desceu como uma bomba sobre a nação.
"Não pode ser verdade!" "Como?" "Porque?" "Parece coisa do destino".
Esta é a primeira ação das tragédias: o assombro, a dificuldade de acreditar; depois vem a busca do entendimento, dos porquês; em seguida a aceitação e adaptação, entremeada de teorias conspiratórias.
No meio de todas destas fases, a outra ação do operador-ceifador é tornar tudo maior que era: se antes se tratava de um "simples" candidato com seu índice de aceitação e de rejeição bem definidos (e com as inevitáveis denúncias e montagens na Internet sendo feitas como sempre se vê), Campos agora era o elemento surpresa, o salto no gráfico, o dono das emoções e pensamentos da nação.
A trajetória do falecido ganhou destaque e importância, impregnadas de uma certa "aura luminosa" de predestinação, onde até as coincidências são supervalorizadas: na sua última entrevista na TV, sua frase de efeito dita no encerramento, "não desistam do Brasil" soou, diante da tragédia (ocorrida logo após) como mantra, profecia, mandamento!
Tudo ganhou importância, ares de predestinação, de destino!
Por conta desta atmosfera, os adversários foram colocados em uma posição delicada. Falar mal não seria mais de bom tom. Aliás, melhor entrar na onda e dizer que se é o verdadeiro herdeiro do legado do falecido. E foi o que aconteceu.
Por outro lado, os olhos se voltaram rapidamente para Marina. A equação, transposta de estado pelo operador morte, fechava a conta nela. Com a ex-seringueira como candidata no lugar de Campos, o destino parece se cumprir!
É uma mensagem subjacente, sentida, cheia da energia que vem do assombro e da estranheza. É o sentimento de predestinação.
Este é o exemplo perfeito da força das tragédias e da morte, de como eles brincam com a emoção de uma coletividade, transformando tudo, virando as peças de pernas pro ar e gerando uma nova realidade.
Tudo que foi dito aqui pode ser visto e sentido objetivamente olhando o gráfico com as intenções de voto desde antes do acidente:
![]() |
| Fonte: Blog Brasil Decide. |
Se continuará assim, se será bom ou ruim, eu não sei, mas que foi mais um episódio histórico derivado de uma morte significativa para ser sempre lembrado – e que está desenhando novos caminhos para o Brasil – ninguém pode negar.
Somente o frio operador morte pode gerar transformações tão intensas em tão curtos períodos. Sai-se da vida e, indubitavelmente, se entra na História.
Contudo... que Deus nos livre deste operador!
DiVal.
31 de ago. de 2014
Operadores das Pessoas e do Mundo
O conceito de operador pode parecer matematicamente difícil, mas todo mundo já fez uso destas ferramentas na vida, em maior ou menor grau de complexidade. Exemplos de operadores é a raiz quadrada de um número, ou os operadores soma e subtração.
Simplificadamente, operador é um ente matemático que, ao atuar sobre uma função, produz outra função. Em Física, diz-se que o operador atua sobre o espaço dos estados físicos, levando uma função a outro estado.
Seja o operador A, atuando na função f(x):
Observe que "f" não se transformou em "T", ou "Omega", e sim em "F", indicando que guarda em si a função originária, mas transformada. O que a entidade operada era e suas condições iniciais são importantes.
Ainda, pode-se dizer - deixando de lado todo o rigor matemático para poder fazer tal assertiva - que existem operadores que atuam "fortemente", e outras "fracamente".
Ainda menos rigorosamente: operador transforma uma coisa em outra, dependendo do que era esta coisa inicialmente e do que manda fazer o operador.
Alguns operadores tem nomes poderosos, como os operadores aniquilação e criação, da mecânica quântica. Com tal denominação, parecem operadores dos deuses, não?
Os conceitos das áreas de exatas são muito úteis quando extrapolados para a área de humanas; por exemplo, a Psicologia adora transpor conceitos físicos para a esfera da mente: a inércia da física (resistência à alteração do movimento) foi adotada pela Psicologia para denominar a resistência às mudanças necessárias na psique ou na vida do indivíduo.
Considerando as pessoas e construções humanas como entidades passíveis de serem transformadas (através de algum agente de mudança, o operador), elas dependem, além do que são naquele momento, do mundo que as cerca. Elas são sempre sistemas interligados ao mundo e interagentes com ele.
Assim, quando um operador age e transforma algo, muda também o mundo ao qual ele se conecta. Este algo pode ser pessoa, instituição, coisa (material ou imaterial) ou um complexo misto disso tudo com uma ligação entre partes, formando algo com um mínimo de coesão.
Então, na vida, quais são os operadores que transformam pessoas e instituições?
As mais contundentes são as TRAGÉDIAS: operam destrutivamente, e transformam a vida de um grupúsculo familiar ou de toda uma sociedade. As energias, após tragédias, são direcionadas para a reconstrução, a recuperação dos feridos, a sobrevivência. Enfim, tragédias são operadores poderosos, que podem atingir desde a vida de um indivíduo apenas até nações inteiras.
Operadores podem gerar operadores: com as tragédias, podem vir acompanhada a MORTE.
A morte é quase sempre um operador poderoso em nível nuclear, familiar, mas pode alcançar abrangências maiores, se a(s) pessoa(s) falecida(s) tem projeção em uma sociedade.
Vide a morte de Eduardo Campos recentemente no Brasil, em um desastre de avião.
O operador ódio e amor são grandes forças humanas: um destrói, outro cria; um traz dor, o outro felicidade.
Existem operadores instantâneos que transformam o ente operado em um breve mas intenso período de tempo, e depois se lida com as transformações: caso das tragédias; e existem os operadores de longo prazo, como o ódio entre pessoas, etnias, nações, religiões. Vide o caso Israel-Palestina.
Como seres vivos dependentes do equilíbrio da natureza, deveríamos privilegiar alguns operadores-criadores, se desejamos um mundo com alto nível de felicidade, que se desenvolva sustentavelmente e proporcione um mínimo de riquezas para todos; enfim, um mundo onde possamos vislumbrar um futuro longo, como raça.
Quais seriam estes operadores-criação? O amor, a solidariedade, a sustentabilidade, a ecologia, a ciência bem direcionada, a tolerância, a paz.
Quais mais?
Em tempo: a POLUIÇÃO - operador químico que insistimos em colocar todos os dias para atuar sobre o ambiente - está, neste momento, agindo sobre as abelhas e as matando a passos largos, podendo levá-as à extinção! É o operador aniquilação que pomos a agir na esfera natural.
O operador violência cresce na sociedade brasileira e está pondo em risco o futuro da nação.
Os conflitos, operando nos países, os faz retornar à barbárie, e traz junto os produtos/operadores dor, pobreza, fome, morte.
A fome é um operador que atua sobre um terço da humanidade, roubando-lhes o presente e o futuro.
Enfim, operador aniquilação (A-) tem sido utilizado há tempos pela humanidade (h). Que tal fazermos o operador criação (A+) tomar o lugar do primeiro como nossa ferramenta-mor, e transformarmos, assim, a função mundo (M)?
Seja o operador A, atuando na função f(x):
A --> f(x) = F(x)
Observe que "f" não se transformou em "T", ou "Omega", e sim em "F", indicando que guarda em si a função originária, mas transformada. O que a entidade operada era e suas condições iniciais são importantes.
Ainda, pode-se dizer - deixando de lado todo o rigor matemático para poder fazer tal assertiva - que existem operadores que atuam "fortemente", e outras "fracamente".
Ainda menos rigorosamente: operador transforma uma coisa em outra, dependendo do que era esta coisa inicialmente e do que manda fazer o operador.
Alguns operadores tem nomes poderosos, como os operadores aniquilação e criação, da mecânica quântica. Com tal denominação, parecem operadores dos deuses, não?
Os conceitos das áreas de exatas são muito úteis quando extrapolados para a área de humanas; por exemplo, a Psicologia adora transpor conceitos físicos para a esfera da mente: a inércia da física (resistência à alteração do movimento) foi adotada pela Psicologia para denominar a resistência às mudanças necessárias na psique ou na vida do indivíduo.
Considerando as pessoas e construções humanas como entidades passíveis de serem transformadas (através de algum agente de mudança, o operador), elas dependem, além do que são naquele momento, do mundo que as cerca. Elas são sempre sistemas interligados ao mundo e interagentes com ele.
Assim, quando um operador age e transforma algo, muda também o mundo ao qual ele se conecta. Este algo pode ser pessoa, instituição, coisa (material ou imaterial) ou um complexo misto disso tudo com uma ligação entre partes, formando algo com um mínimo de coesão.
Então, na vida, quais são os operadores que transformam pessoas e instituições?
As mais contundentes são as TRAGÉDIAS: operam destrutivamente, e transformam a vida de um grupúsculo familiar ou de toda uma sociedade. As energias, após tragédias, são direcionadas para a reconstrução, a recuperação dos feridos, a sobrevivência. Enfim, tragédias são operadores poderosos, que podem atingir desde a vida de um indivíduo apenas até nações inteiras.
Operadores podem gerar operadores: com as tragédias, podem vir acompanhada a MORTE.
A morte é quase sempre um operador poderoso em nível nuclear, familiar, mas pode alcançar abrangências maiores, se a(s) pessoa(s) falecida(s) tem projeção em uma sociedade.
Vide a morte de Eduardo Campos recentemente no Brasil, em um desastre de avião.
O operador ódio e amor são grandes forças humanas: um destrói, outro cria; um traz dor, o outro felicidade.
Existem operadores instantâneos que transformam o ente operado em um breve mas intenso período de tempo, e depois se lida com as transformações: caso das tragédias; e existem os operadores de longo prazo, como o ódio entre pessoas, etnias, nações, religiões. Vide o caso Israel-Palestina.
Como seres vivos dependentes do equilíbrio da natureza, deveríamos privilegiar alguns operadores-criadores, se desejamos um mundo com alto nível de felicidade, que se desenvolva sustentavelmente e proporcione um mínimo de riquezas para todos; enfim, um mundo onde possamos vislumbrar um futuro longo, como raça.
Quais seriam estes operadores-criação? O amor, a solidariedade, a sustentabilidade, a ecologia, a ciência bem direcionada, a tolerância, a paz.
Quais mais?
Em tempo: a POLUIÇÃO - operador químico que insistimos em colocar todos os dias para atuar sobre o ambiente - está, neste momento, agindo sobre as abelhas e as matando a passos largos, podendo levá-as à extinção! É o operador aniquilação que pomos a agir na esfera natural.
O operador violência cresce na sociedade brasileira e está pondo em risco o futuro da nação.
Os conflitos, operando nos países, os faz retornar à barbárie, e traz junto os produtos/operadores dor, pobreza, fome, morte.
A fome é um operador que atua sobre um terço da humanidade, roubando-lhes o presente e o futuro.
Enfim, operador aniquilação (A-) tem sido utilizado há tempos pela humanidade (h). Que tal fazermos o operador criação (A+) tomar o lugar do primeiro como nossa ferramenta-mor, e transformarmos, assim, a função mundo (M)?
A- --> M(h) = M- A+ --> M(h) = M+!
DiVal
19 de jul. de 2014
Elefantíase Impiedosa
Elefantíase é a manifestação mais grave da doença chamada filariose, caracterizada pelo aumento excessivo do tamanho dos membros do paciente. Impiedosa é a pessoa que não expressa compaixão, desumana, cruel.
"Elefantíase impiedosa" é como vou chamar aqui uma maldade do tipo "GGG" que certos "humanos" são capazes de infligir a outro ser senciente – bicho ou homem. Extra grande porque é cronificada e contínua: dia após dia, ano após ano, década após década – o acúmulo e o cúmulo da crueldade continuada.
Mais especificamente, a expressão me surgiu vendo este triste e emocionante caso recém-noticiado (10/07/2014):
Segundo a fundação Wildlife SOS UK, responsável pela libertação do elefante, este passou 50 anos preso – praticamente todas as horas destes anos todos – por correntes com pregos, que causavam lesões e não o deixavam se movimentar, nem nos limites das correntes.
Sim, argolas com pregos nas patas, ao modo de uma crucificação de 50 anos, infligida por animais (des)humanos.
Essa restrição ininterrupta de movimentos causou uma dolorosa artrite no animal, além das outras agressões físicas que sofria e da fome eterna a que era submetido.
Bodas de ouro no cárcere, bodas de ferro em carne viva, bodas vermelhas de sangue.
Advirto: tentar se colocar no lugar do animal e sentir o que ele sentia, causa depressão.
Segundo seus salvadores, quando o animal percebeu que estava livre após tanto tempo de sofrimento, lágrimas de emoção rolaram de seus olhos.
Forte imagem! É como se toda natureza se expressasse ali, naqueles olhos paquidérmicos subnutridos.
Triste imaginar que todos estes anos de convivência não geraram nenhuma afeição por parte dos humanos que estavam diariamente com Raju.
Crueldade do tamanho do majestoso animal, insensibilidade elefantíaca.
Não há como ter certeza que houveram mesmo estas lágrimas, pois não foram registradas, mas com certeza houve a emoção que as geraria. Se não pode concordar de cara com esta afirmação, existem outros casos que vão no sentido de corroborar esta afirmação, como os a seguir (o primeiro, um mamífero humano; os outros, vários casos com outros seres sencientes – estes com vídeo):
Vendo as cenas do leão na hora da libertação – extremamente didático para uma humanidade doente – as imagens resgataram da minha memória (mais do que as imagens, a "atmosfera emocional") o conto "Negrinha", de Monteiro Lobato (1920).
Um resumo: Negrinha – nascida na senzala e órfã aos quatro anos – era a menina dos olhos maus de dona Inácia; dona das mão pesadas como chumbo, dos beliscões caprichados dados por seus dedos duros e frios como o aço do alicate. Negrinha não podia brincar, não podia chorar (nunca pôde). Era mero instrumento de alívio sádico de uma mulher de "virtudes apostólicas", como dizia o vigário:
Mas como toda criança é novidadeira, Negrinha foi levada pelas meninas, pela primeira vez, a brincar. Aventura das aventuras! Ao pegar – também pela primeira vez – uma boneca nas mãos, aconteceu:
Por acaso o vídeo não mostra que sentiu-se assim, de alguma maneira, o leão? É ao modo desta imagem perfeita da opressão e crueldade sobre um ser de menor poder, construída pelo grande escritor Monteiro Lobato, que imagino sentir-se este leão no seu momento com anjos, bem como todos os animais – humanos e não-humanos – libertados após uma vida de aprisionamento e maus tratos. O ambiente de exuberante natureza era seu céu; ali, pela primeira vez, ele podia brincar! É o momento mágico de libertação de uma vida de sofrimento e privação – do tipo que faria um animal do tamanho do elefante chorar. Penso que também para estes animais, de quem roubaram a vida e a majestade, seria impossível viver de novo uma vida de objeto.
Se a sociedade e a cultura humana atuais tornam demagogas as ideias de libertação dos seres sencientes chamados de irracionais, que pelo menos eles tenham o mínimo de condições para sentir um pouco da beleza do mundo; uma vida rica o suficiente para ter valido a pena – mesmo na condição de escravos de humanos e reserva proteica – viver.
Acredito que a humanidade – como raça e sentimento – se desenvolverá com o tempo e, um dia, teremos na terra, naturalmente, uma elefantíase piedosa, onde nenhum animal precisará ser libertado, pois todos serão, por regra, livres da vida de coisa.
EdiVal
19/07/2014
"Elefantíase impiedosa" é como vou chamar aqui uma maldade do tipo "GGG" que certos "humanos" são capazes de infligir a outro ser senciente – bicho ou homem. Extra grande porque é cronificada e contínua: dia após dia, ano após ano, década após década – o acúmulo e o cúmulo da crueldade continuada.
Mais especificamente, a expressão me surgiu vendo este triste e emocionante caso recém-noticiado (10/07/2014):
![]() |
| Elefante Raju (Índia): libertado após passar 50 anos preso com correntes e argolas fabricadas com pontas perfurantes, o animal chorou de emoção ao se ver livre! |
Segundo a fundação Wildlife SOS UK, responsável pela libertação do elefante, este passou 50 anos preso – praticamente todas as horas destes anos todos – por correntes com pregos, que causavam lesões e não o deixavam se movimentar, nem nos limites das correntes.
Sim, argolas com pregos nas patas, ao modo de uma crucificação de 50 anos, infligida por animais (des)humanos.
Essa restrição ininterrupta de movimentos causou uma dolorosa artrite no animal, além das outras agressões físicas que sofria e da fome eterna a que era submetido.
Bodas de ouro no cárcere, bodas de ferro em carne viva, bodas vermelhas de sangue.
Advirto: tentar se colocar no lugar do animal e sentir o que ele sentia, causa depressão.
Segundo seus salvadores, quando o animal percebeu que estava livre após tanto tempo de sofrimento, lágrimas de emoção rolaram de seus olhos.
Forte imagem! É como se toda natureza se expressasse ali, naqueles olhos paquidérmicos subnutridos.
Triste imaginar que todos estes anos de convivência não geraram nenhuma afeição por parte dos humanos que estavam diariamente com Raju.
Crueldade do tamanho do majestoso animal, insensibilidade elefantíaca.
Não há como ter certeza que houveram mesmo estas lágrimas, pois não foram registradas, mas com certeza houve a emoção que as geraria. Se não pode concordar de cara com esta afirmação, existem outros casos que vão no sentido de corroborar esta afirmação, como os a seguir (o primeiro, um mamífero humano; os outros, vários casos com outros seres sencientes – estes com vídeo):
- Menina mantida 17 anos em cárcere privado: Reportagem.
- Vacas pulando de alegria ao serem postas em liberdade, após uma vida como matrizes de leite: Aqui.
- Chimpanzés sendo libertados após 30 anos presos em um laboratório. Alguns nunca tinham estado fora da sala: Aqui.
- Outro caso com chimpanzé : Aqui.
- Cães resgatados, cobaias de um laboratório, veem o sol pela primeira vez: Vídeo.
- Leão sendo libertado já velho e doente (dos 40 aos 60 segundos). Comovente (mas desconsidere algumas cenas açucaradas)! Vídeo:
Vendo as cenas do leão na hora da libertação – extremamente didático para uma humanidade doente – as imagens resgataram da minha memória (mais do que as imagens, a "atmosfera emocional") o conto "Negrinha", de Monteiro Lobato (1920).
Um resumo: Negrinha – nascida na senzala e órfã aos quatro anos – era a menina dos olhos maus de dona Inácia; dona das mão pesadas como chumbo, dos beliscões caprichados dados por seus dedos duros e frios como o aço do alicate. Negrinha não podia brincar, não podia chorar (nunca pôde). Era mero instrumento de alívio sádico de uma mulher de "virtudes apostólicas", como dizia o vigário:
"O 13 de Maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava Negrinha em casa como remédio para os frenesis. Inocente derivativo:Um dia, quando Negrinha já tinha sete anos, desceram dois anjos à casa. Duas meninas loiras, sobrinhas de dona Inácia e nascidas em berço de ouro. E elas brincavam! "Porque dona Inácia permitia outras crianças brincar?". E, assim, somou-se às dores de Negrinha a dor da injustiça.
— Ai! Como alivia a gente uma boa roda de cocres bem fincados!..."
Mas como toda criança é novidadeira, Negrinha foi levada pelas meninas, pela primeira vez, a brincar. Aventura das aventuras! Ao pegar – também pela primeira vez – uma boneca nas mãos, aconteceu:
"Negrinha olhou para os lados, ressabiada, com o coração aos pinotes. Que ventura, santo Deus! Seria possível? Depois pegou a boneca. E muito sem jeito, como quem pega o Senhor menino, sorria para ela e para as meninas, com assustados relanços de olhos para a porta. Fora de si, literalmente... era como se penetrara no céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe tivesse vindo adormecer ao colo" (...) "Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que trazia em si e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa –e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa" (Grifos meus).
Por acaso o vídeo não mostra que sentiu-se assim, de alguma maneira, o leão? É ao modo desta imagem perfeita da opressão e crueldade sobre um ser de menor poder, construída pelo grande escritor Monteiro Lobato, que imagino sentir-se este leão no seu momento com anjos, bem como todos os animais – humanos e não-humanos – libertados após uma vida de aprisionamento e maus tratos. O ambiente de exuberante natureza era seu céu; ali, pela primeira vez, ele podia brincar! É o momento mágico de libertação de uma vida de sofrimento e privação – do tipo que faria um animal do tamanho do elefante chorar. Penso que também para estes animais, de quem roubaram a vida e a majestade, seria impossível viver de novo uma vida de objeto.
Se a sociedade e a cultura humana atuais tornam demagogas as ideias de libertação dos seres sencientes chamados de irracionais, que pelo menos eles tenham o mínimo de condições para sentir um pouco da beleza do mundo; uma vida rica o suficiente para ter valido a pena – mesmo na condição de escravos de humanos e reserva proteica – viver.
Acredito que a humanidade – como raça e sentimento – se desenvolverá com o tempo e, um dia, teremos na terra, naturalmente, uma elefantíase piedosa, onde nenhum animal precisará ser libertado, pois todos serão, por regra, livres da vida de coisa.
EdiVal
19/07/2014
-----------------------------------
Um texto para iniciar 2015 refletindo...:
ADICIONAL:
Um texto para iniciar 2015 refletindo...:
PRECE DE FINAL DE ANO A UM CAVALO
Por Marcio de Almeida Bueno
ADICIONAL:
19 de jun. de 2014
Enjoados de Photoshop: Por Menos Desenho e Mais Fotografia!
Estamos enjoados de ver mulheres desmesuradamente "photoshopadas".
Mulheres desnudas de variações e de tons, quase translúcidas.
De monótono tom perolado.
É moda um tal de branqueamento e uniformização da cútis sem fim, em uma produção em série de mulheres do tipo - como diria Guimarães Rosa - baratas descascadas!
A fotomontagem acima mostra uma manipulação da imagem tão hiperbólica que permite a licença humorística (olhe e reolhe e veja se não ri!) e mostra que, indubitavelmente, photoshop em exagero falseia, engana, ilude:
Enfim, aquelas proporções perfeitas, o corpo escultural e a pele uniformíssima do rosto da "gata-da-capa" mostrados na revista preferida podem ter como matriz geradora um corpo assimétrico-disforme-decadente!
A verdade é que se, inicialmente, o olhar é atraído para uma bela modelo super trabalhada em photoshop, um segundo olhar - mais atento - geralmente traz um "q" de estranheza, seguido de uma sensação de estarmos sendo enganados, que cresce rapidamente e mata qualquer admiração de longo período.
É fato inescapável: na maioria das vezes o exagero de edição traz uma sensação de irrealidade, falseamento ou mesmo de surrealidade, como se estivéssemos vendo uma personagem fictícia retirada diretamente de um anime japonês.
Fazendo-se uma revisão no mundo da moda e da imagem, descobre-se que o exagero de uso do recurso é tanto que, periodicamente, surgem verdadeiras aberrações:
Esta realidade já há algum tempo está em discussão no mundo da moda. Fala-se da influência destes estereótipos na cabeça dos jovens, produzindo insatisfação eterna com o próprio corpo, anorexia, e até mesmo suicídios.
Por conta deste fato, muitas reações vem acontecendo, tais como:
Digite no Google "antes e depois do photoshop", e veja por si! Olhe outro exemplo abaixo:
E que se registre em todos os anais do mundo do glamour e da sensualidade: na imensa maioria das vezes seria muito, mas muito mais interessante - pelo menos para um Homem - ver a mulher real!
Real, mas com direito a toda a produção, roupas, cenário, cabelos, ângulos e bocas que valorizem suas formas e características interessantes - e sim, pintura é aceitável!
Aproveitando a ideia acima, pode-se destacar outro fator muito importante e que não se vê discutido por aí, pelo menos não com o peso que deveria ter:
Uma trabalho de edição no computador, ao possibilitar a construção, desconstrução e reconstrução sem limites (ad infinitum) da imagem digital, concentra a maior parte do trabalho em cima de um profissional da área: o operador do software. Assim, onde vários criativos e talentosos trabalhadores poderiam estar agindo e interagindo em dinâmica atenção à modelo, o falsário computador reina...
Outro fator de igual ou maior valor: onde fica a valorização de quem se cuida verdadeiramente? A modelo que leva uma vida saudável, se exercita, estuda e corre atrás, por exemplo, construindo sua beleza plástica e sua graça. Não devemos sair do mundo do faz de conta e recompensar o que é real? Valorizar a genética, o esforço pessoal, o sex appeal e o investimento em si mesmo?
E aí, "mercado da imagem", necessitando disfarçar os "terríveis" defeitos de uma celebridade?
A pele manchada e enrugada da artista de novela que nem passa perto do que a telinha tenta passar?
A celebridade que já está na terceira idade e que necessita ser "apessegada"?
Dobras se sucedem na cintura delas e constroem um engavetamento de material circular?
Deixem para os profissionais da maquiagem, da fotografia, de iluminação, de construção de cenários! Para os personal stylist e personal trainers! Estes trabalhadores talentosos são especialistas na valorização do que o ser humano a ser clicado tem ou pode ter de melhor, mais bonito, mais chamativo.
Quanta criatividade, força de trabalho e talento que podem estar sendo desvalorizados por um programa de computador! Quanta beleza real ignorada!
A verdade é que deveria ser uma ofensa para a mulher necessitar ser inteiramente modificada para se tornar publicável em um número de revista.
Tudo bem, não sejamos fanáticos intransigentes: um suave photoshop poderia ser utilizado (afinal o operador é um talentoso profissional!).
Mas que seja suave, leve, e nunca trabalho de escultor.
Nós, os consumidores, podemos dar o tom! Nosso bolso é nossa arma. Reclame da imagem muito alterada, bote em discussão!
Que os amantes da beleza honesta boicotem os exageros "photoshopísticos"!
Viva a beleza real!
Viva a valorização do que existe de verdade, e não do que vem ao mundo como um desenho gerado no computador!
E que a beleza seja eterna enquanto vinda de um corpo e rosto sinceros.
Mulheres desnudas de variações e de tons, quase translúcidas.
De monótono tom perolado.
É moda um tal de branqueamento e uniformização da cútis sem fim, em uma produção em série de mulheres do tipo - como diria Guimarães Rosa - baratas descascadas!
![]() |
| De afrodescendente à branquela dos cachinhos dourados: tendência onipresente do clareamento uniformizante no mundo da imagem, como que a desvestir a modelo de sua própria pele. |
- O que se vê, não é;
- O que parece estar, não está;
- O que não está, estava.
Enfim, aquelas proporções perfeitas, o corpo escultural e a pele uniformíssima do rosto da "gata-da-capa" mostrados na revista preferida podem ter como matriz geradora um corpo assimétrico-disforme-decadente!
A verdade é que se, inicialmente, o olhar é atraído para uma bela modelo super trabalhada em photoshop, um segundo olhar - mais atento - geralmente traz um "q" de estranheza, seguido de uma sensação de estarmos sendo enganados, que cresce rapidamente e mata qualquer admiração de longo período.
É fato inescapável: na maioria das vezes o exagero de edição traz uma sensação de irrealidade, falseamento ou mesmo de surrealidade, como se estivéssemos vendo uma personagem fictícia retirada diretamente de um anime japonês.
Fazendo-se uma revisão no mundo da moda e da imagem, descobre-se que o exagero de uso do recurso é tanto que, periodicamente, surgem verdadeiras aberrações:
- Sumiço de umbigos das modelos;
- Pescoço e pernas deslocadas em relação ao eixo do tronco;
- Assimetrias de forma e tamanho de um lado do corpo em relação ao outro;
- Cinturas e pernas tão finas que fariam a Barbie sentir-se "enorme de gorda".
![]() |
| Da beleza natural exuberante à boneca de plástico: excesso de photoshop que motivou uma campanha da supermodelo Gisele Bündchen contra o uso excessivo desta ferramenta. |
Esta realidade já há algum tempo está em discussão no mundo da moda. Fala-se da influência destes estereótipos na cabeça dos jovens, produzindo insatisfação eterna com o próprio corpo, anorexia, e até mesmo suicídios.
Por conta deste fato, muitas reações vem acontecendo, tais como:
- Nossa bela e famosa Gisele Bündchen iniciou uma campanha pessoal contra o uso excessivo da ferramenta, depois de ser "vítima" do excesso de manipulação, conforme mostrado na figura acima;
- Leis sendo feitas e discutidas para tornar obrigatório um aviso do uso de manipulação digital, similar ao que acontece com cigarros (veja aqui);
- Campanhas de beleza sendo banidas por excesso de photoshop (aqui);
- Campanhas mostrando a "beleza real" da mulher (youtube);
- A revista feminina Verily dispensou o uso de photoshop, ou a revista feminina (chilena) Ya que anunciou que trabalhará somente com modelos maquiadas, mas nunca retocadas por photoshop (entre no site destas revistas e veja por você mesma(o) se o uso do software fez falta...).
Digite no Google "antes e depois do photoshop", e veja por si! Olhe outro exemplo abaixo:
![]() |
| Madonna: antes e depois do photoshop, mostrando um "produto" final irritantemente fora da realidade. |
Real, mas com direito a toda a produção, roupas, cenário, cabelos, ângulos e bocas que valorizem suas formas e características interessantes - e sim, pintura é aceitável!
Aproveitando a ideia acima, pode-se destacar outro fator muito importante e que não se vê discutido por aí, pelo menos não com o peso que deveria ter:
Uma trabalho de edição no computador, ao possibilitar a construção, desconstrução e reconstrução sem limites (ad infinitum) da imagem digital, concentra a maior parte do trabalho em cima de um profissional da área: o operador do software. Assim, onde vários criativos e talentosos trabalhadores poderiam estar agindo e interagindo em dinâmica atenção à modelo, o falsário computador reina...
Outro fator de igual ou maior valor: onde fica a valorização de quem se cuida verdadeiramente? A modelo que leva uma vida saudável, se exercita, estuda e corre atrás, por exemplo, construindo sua beleza plástica e sua graça. Não devemos sair do mundo do faz de conta e recompensar o que é real? Valorizar a genética, o esforço pessoal, o sex appeal e o investimento em si mesmo?
E aí, "mercado da imagem", necessitando disfarçar os "terríveis" defeitos de uma celebridade?
A pele manchada e enrugada da artista de novela que nem passa perto do que a telinha tenta passar?
A celebridade que já está na terceira idade e que necessita ser "apessegada"?
Dobras se sucedem na cintura delas e constroem um engavetamento de material circular?
Deixem para os profissionais da maquiagem, da fotografia, de iluminação, de construção de cenários! Para os personal stylist e personal trainers! Estes trabalhadores talentosos são especialistas na valorização do que o ser humano a ser clicado tem ou pode ter de melhor, mais bonito, mais chamativo.
Quanta criatividade, força de trabalho e talento que podem estar sendo desvalorizados por um programa de computador! Quanta beleza real ignorada!
A verdade é que deveria ser uma ofensa para a mulher necessitar ser inteiramente modificada para se tornar publicável em um número de revista.
Tudo bem, não sejamos fanáticos intransigentes: um suave photoshop poderia ser utilizado (afinal o operador é um talentoso profissional!).
Mas que seja suave, leve, e nunca trabalho de escultor.
Nós, os consumidores, podemos dar o tom! Nosso bolso é nossa arma. Reclame da imagem muito alterada, bote em discussão!
Que os amantes da beleza honesta boicotem os exageros "photoshopísticos"!
Viva a beleza real!
Viva a valorização do que existe de verdade, e não do que vem ao mundo como um desenho gerado no computador!
E que a beleza seja eterna enquanto vinda de um corpo e rosto sinceros.
Dival (aquele que prefere a mulher real).
------------------------------------------
Um exemplo de criatividade que valoriza o uso do photoshop: Beleza do mesmo rosto de acordo com as preferências de 25 países.
![]() |
| No projeto “Before and After“, uma foto foi enviada para diferentes artistas digitais, objetivando o uso da ferramenta do para "direcionar" a beleza de acordo com as preferências do país. |
22 de mai. de 2014
Amor Vira-Lata
Existem muitos tipos de amor.
Amor romântico, amor filial, amor de mãe.
Amor entre amigos, entre irmãos.
O amor, se verdadeiro e compartilhado por pessoas bem resolvidas, é uma dádiva da vida.
Mas em boa parte dos amores que vemos por aí não é bem assim e, muitas vezes, ocorrem ações no relacionamento que machucam e podem fazer com que a troca amorosa talvez não valha a pena, ou pelo menos indiquem a necessidade de uma recauchutagem, parcial ou completa.
Digo isso porque notei, em muitas observações e experiências, um comportamento bastante frequente entre pares amorosos - um padrão de tratamento de um para com o outro - ao qual denominei "amor vira-lata", numa associação com um tipo comum de relação de donos com seus amigos peludos.
É claro que existem pessoas que tratam seus pets melhor que os humanos, mas este é outro caso...
Mas em que ponto, especificamente, se daria essa semelhança de tratamento?
De maneira geral, as pessoas adoram seus amigos peludos, e da alegria pura e simples que eles demonstram quando nos vê. Quem tem (ou teve) sabe: eles podem nos fazer sentir a pessoa mais especial do universo!
A chave é que essa relação homem-cão é desigual: o primeiro tem poder praticamente total sobre o segundo, podendo fazer quase tudo que deseja - mesmo infligir sofrimento - sem muitas possibilidades de que sejam geradas consequências. Essa é a verdade e um perigo para o mais fraco da relação.
Na dinâmica relacional do dia-a-dia entre eles, quando está de bom humor o dono brinca com seu totó, o afaga, aperta e até fala com aquela voz infantilizada. E o "au au" adora, apreciando intensamente tudo que recebe.
Mas num "belo" dia, o dono retorna irritado para casa. E grita com ele, ralha com ele, bate nele, manda deitar! Como diz a expressão popular, chega "chutando o cachorro".
Enfim, usa o pobre e confuso animal para descarregar as mazelas que acumulou no dia.
Mais tarde, o dono muda de humor e sente-se culpado ao ver o totó amuado em um canto, e volta com os afagos, agrados e novamente aquela "voz" que a titia faz para o bebê. E o ciclo se repete com o passar do tempo.
E o pobre animal (canis ou homus) só sente a confusão se instalar por não saber como agir, o que fez de errado, como se portar.
E assim, com um dos dois sendo tratado com carinhos e beijinhos em um dia, e como lixo em outro, constrói-se o amor vira-lata, que nem é tão incomum quanto se pode pensar num primeiro momento.
Começa em casa com os o pai, a mãe ou os dois, agindo desta maneira com outro ser de baixo poder: os filhos. Pode ser desta maneira também com a relação irmão mais velho/irmão mais novo (ou quem sabe o inverso?). Com os namorados, esposa e esposo, amigos e colegas, professores e alunos.
Enfim, em toda relação mais próxima.
É a transformação do outro em um objeto pessoal. "Sou o dono teu: acarinho se me dá prazer, bato se me trouxer alívio, de acordo com minhas vontades" seria uma tradução deste comportamento. Num caso como este, pode-se afirmar seguramente que até os momentos de carinho são expressões egoístas. Todos temos dias ruins, mas quem ama de verdade segura seus impulsos de agressão em consideração e respeito a pessoa do outro.
Duvido que alguém, aqui e aí, nunca tenha passado por muitas experiências de ser o "vira-lata" ou o "mau dono"; afinal, tanto os seres com quem compartilhamos a vida mais intimamente como nós mesmos somos falhos, temos dias ruins e, pasmem, erramos de vez em quando.
A questão é a frequência e a intensidade com que acontecem.
Pode-se pensar - com grande probabilidade de acerto - que numa relação majoritariamente deste tipo os estragos são maiores do que naquela em que a agressão é a norma, pois gera grande confusão e conflitos internos. No primeiro você tem certeza do que está acontecendo e sabe, pelo menos, o que deveria fazer; no outro, se rasga na indecisão e na perplexidade.
(Ab initio: não fazer nada, no primeiro caso, é assumir a vira-latisse!).
Tendo isto em mente, devemos estar atentos para saber separar um caso esporádico de tratamento canino de uma relação em que este seja o padrão: o amor vira-lata trazendo uma vida de cachorro!
Se sua identificação foi com a dono bipolar, aproveite esta percepção e mude! Positive o status quo e ganhe um parceiro que saberá expressar o quão satisfeito está com as mudanças.
Lembre-se: as pequenas agressões, físicas ou psicológicas - são destrutivas (senão criminosas) e podem sair do controle, ganhando energia sem que se perceba, e abrir uma verdadeira Caixa de Pandora, de onde os males espalhados podem destruir muitas coisas (inclusive você mesmo!).
Se for você o vira-lata (ipso facto) da história, protestar é preciso! Mostre com clareza que não gostou de cada ato deste tipo - de preferência sem descontroles emocionais. Converse, seja franco, lata (ops, fale)!
As coisas não são simples na vida e nas relações, contudo...
Se não houver solução, melhor fugir ou trocar de dono!
Amor romântico, amor filial, amor de mãe.
Amor entre amigos, entre irmãos.
O amor, se verdadeiro e compartilhado por pessoas bem resolvidas, é uma dádiva da vida.
Mas em boa parte dos amores que vemos por aí não é bem assim e, muitas vezes, ocorrem ações no relacionamento que machucam e podem fazer com que a troca amorosa talvez não valha a pena, ou pelo menos indiquem a necessidade de uma recauchutagem, parcial ou completa.
Digo isso porque notei, em muitas observações e experiências, um comportamento bastante frequente entre pares amorosos - um padrão de tratamento de um para com o outro - ao qual denominei "amor vira-lata", numa associação com um tipo comum de relação de donos com seus amigos peludos.
É claro que existem pessoas que tratam seus pets melhor que os humanos, mas este é outro caso...
Mas em que ponto, especificamente, se daria essa semelhança de tratamento?
![]() |
| O cachorrinho da relação! |
A chave é que essa relação homem-cão é desigual: o primeiro tem poder praticamente total sobre o segundo, podendo fazer quase tudo que deseja - mesmo infligir sofrimento - sem muitas possibilidades de que sejam geradas consequências. Essa é a verdade e um perigo para o mais fraco da relação.
Na dinâmica relacional do dia-a-dia entre eles, quando está de bom humor o dono brinca com seu totó, o afaga, aperta e até fala com aquela voz infantilizada. E o "au au" adora, apreciando intensamente tudo que recebe.
Mas num "belo" dia, o dono retorna irritado para casa. E grita com ele, ralha com ele, bate nele, manda deitar! Como diz a expressão popular, chega "chutando o cachorro".
Enfim, usa o pobre e confuso animal para descarregar as mazelas que acumulou no dia.
Mais tarde, o dono muda de humor e sente-se culpado ao ver o totó amuado em um canto, e volta com os afagos, agrados e novamente aquela "voz" que a titia faz para o bebê. E o ciclo se repete com o passar do tempo.
E o pobre animal (canis ou homus) só sente a confusão se instalar por não saber como agir, o que fez de errado, como se portar.
E assim, com um dos dois sendo tratado com carinhos e beijinhos em um dia, e como lixo em outro, constrói-se o amor vira-lata, que nem é tão incomum quanto se pode pensar num primeiro momento.
Começa em casa com os o pai, a mãe ou os dois, agindo desta maneira com outro ser de baixo poder: os filhos. Pode ser desta maneira também com a relação irmão mais velho/irmão mais novo (ou quem sabe o inverso?). Com os namorados, esposa e esposo, amigos e colegas, professores e alunos.
Enfim, em toda relação mais próxima.
É a transformação do outro em um objeto pessoal. "Sou o dono teu: acarinho se me dá prazer, bato se me trouxer alívio, de acordo com minhas vontades" seria uma tradução deste comportamento. Num caso como este, pode-se afirmar seguramente que até os momentos de carinho são expressões egoístas. Todos temos dias ruins, mas quem ama de verdade segura seus impulsos de agressão em consideração e respeito a pessoa do outro.
Duvido que alguém, aqui e aí, nunca tenha passado por muitas experiências de ser o "vira-lata" ou o "mau dono"; afinal, tanto os seres com quem compartilhamos a vida mais intimamente como nós mesmos somos falhos, temos dias ruins e, pasmem, erramos de vez em quando.
A questão é a frequência e a intensidade com que acontecem.
Pode-se pensar - com grande probabilidade de acerto - que numa relação majoritariamente deste tipo os estragos são maiores do que naquela em que a agressão é a norma, pois gera grande confusão e conflitos internos. No primeiro você tem certeza do que está acontecendo e sabe, pelo menos, o que deveria fazer; no outro, se rasga na indecisão e na perplexidade.
(Ab initio: não fazer nada, no primeiro caso, é assumir a vira-latisse!).
Tendo isto em mente, devemos estar atentos para saber separar um caso esporádico de tratamento canino de uma relação em que este seja o padrão: o amor vira-lata trazendo uma vida de cachorro!
Se sua identificação foi com a dono bipolar, aproveite esta percepção e mude! Positive o status quo e ganhe um parceiro que saberá expressar o quão satisfeito está com as mudanças.
Lembre-se: as pequenas agressões, físicas ou psicológicas - são destrutivas (senão criminosas) e podem sair do controle, ganhando energia sem que se perceba, e abrir uma verdadeira Caixa de Pandora, de onde os males espalhados podem destruir muitas coisas (inclusive você mesmo!).
Se for você o vira-lata (ipso facto) da história, protestar é preciso! Mostre com clareza que não gostou de cada ato deste tipo - de preferência sem descontroles emocionais. Converse, seja franco, lata (ops, fale)!
As coisas não são simples na vida e nas relações, contudo...
Se não houver solução, melhor fugir ou trocar de dono!
![]() |
| Eu não sou cachorro não! |
5 de mai. de 2014
Repúdio Total aos Linchamentos
Nos últimos tempos, uma onda de linchamentos estampa as manchetes dos jornais brasileiros, como se fosse uma simples "modinha" destes novos tempos. Além disso, outros países, como a Argentina, já vem sofrendo com esta triste e ameaçadora realidade.
E para que estes fatos ocorram parece não existir a necessidade de certeza: a maioria dos agressores tem sua convicção de culpa e necessidade de punir geradas a partir dos relatos enlouquecidos dos que já estavam lá. É uma multidão enraivecida e que vai aumentando devido à curiosidade, excitada com a saída da rotina, repetindo e amplificando os boatos sem saber de onde se originaram, e muito menos da veracidade dos mesmos.
Nas discussões sobre estes acontecimentos, imputa-se tamanha fúria popular à sensação generalizada de impunidade somado ao aumento da violência. É possível, mas pode-se enxergar nestes atos, claramente, a momentânea exteriorização dos demônios de cada um!
A visão é mesmo algo infernal: nos vídeos que circulavam pela Internet, vê-se inacreditáveis, incontroláveis e incontidos murros e chutes, pedras, paus e até capacetes descendo violentamente sobre o corpo, que vai se avermelhando e deformando, desvanecendo e ressuscitando, desferidos por mãos, pés e instrumentos que surgem e desaparecem nas imagens como se não tivessem donos, em uma impessoalidade assombrosa, até a perda completa da consciência ou, em muitos casos, da vida do agredido.
E assim, a cada novo membro "indignado" que se soma à multidão, expressando um ódio que não se espera de pessoas comuns, um demônio de violência vai crescendo em um auto-alimentado acontecimento. É um novo perigo que se soma aos existentes, onde todos nós, nossos filhos, nossos pais e amigos, correm o risco de - num evento inimaginável como no caso relatado a seguir - ser vítima inocente deste tipo de atrocidade.
5 de maio de 2014: nesta data esta nova e obscura realidade desceu de maneira contundente sobre nós brasileiros, explícito nas manchetes dos jornais na forma da morte de uma mulher espancada por moradores do município de Guarujá, acusada do sequestro de crianças para práticas de magia negra (ressuscita-se, assim, a caça às bruxas!).
A prova de sua culpa? Uma foto publicada em um site de uma "suspeita" que se assemelhava a ela.
Somente isso! Como se uma desculpa para o início da barbárie fosse o único fator necessário, e tudo está justificado desde que se inicie o ato: um verdadeiro festim diabólico!
A mulher era uma dona de casa de apenas 33 anos, se chamava Fabiane Maria de Jesus, e tinha duas filhas pequenas.
E era inocente.
Inocente!
Contudo, a sociedade precisa entender que, mesmo para os "culpados", o sistema legal de justiça - que é falho mas fundamental para o mundo como conhecemos funcionar minimamente - deve sempre prevalecer.
A justiça não pode implicar em infligir sofrimento, senão é barbárie.
A vingança não é um direito, é um desequilíbrio emocional.
A denominada "justiça com as próprias mãos" já nasce antecedida pelo prefixo "in".
Quanto aos participantes dos atos como o relatado acima, não sejamos condescendentes nem superficiais: o fato é que as mãos dos executores dos linchamentos - e até mesmo dos incentivadores - ficam indelevelmente e inexoravelmente manchadas de sangue, e isto é válido mesmo que o acusado seja culpado do crime de que é acusado. Este fato já tem um peso sobre a vida, a história pessoal e tudo que possa ser considerado sagrado e bonito na vida de cada uma destas pessoas que se reuniram para cometer este ato de inconsequente violência.
E o sangue nas mãos destas pessoas no caso acima exposto não é de qualquer um: é a de um inocente, de uma mãe de família. Dores eternas foram infingidas às pessoas próximas à Fabiane, pessoas em que foram abertas feridas que nunca serão curadas. Um marido sem sua mulher, duas filhas sem sua mãe, parentes e amigos sem Fabiane e todos remoendo a dor da injustiça e de imaginar o terrível sofrimento e terror que o ente amado passou ao ser desintegrado física e psicologicamente por uma coletividade fora de si.
Não há como amenizar o ato e aplacar a consciência. Ao agir pelos impulsos, ao seguir a multidão, ao responder aos comandos de ódio, ao materializar atos de violência extrema, riscos e responsabilidades foram assumidos: todos se tornaram criminosos, todos se tornaram assassinos.
Em um ato desta natureza, em qualquer configuração que seja montada, todos se tornam sempre piores do que aquele que acusam.
Um basta tem de acontecer! Ao ser humano não é dado o direito de matar ou mesmo ferir seu semelhante, seja em que circunstâncias forem, exceptuando-se um ato de defesa.
Quem nos dá o direito de julgar e condenar à danos físicos e sofrimento - ou mesmo à morte - quem quer que seja, tenha culpa do que é acusado ou não? Um amontoado de pessoas enfurecidas e alimentadas por cada vez mais desvinculados da verdade boatos, gerados pelos murmurinho dos ensandecidos?
Não é possível imaginar como uma pessoa, num dia que até aquele momento era apenas mais um na vida corrida, possa querer participar de algo com tamanho peso. Violência gera violência, e nunca será bom para a sociedade.
É uma monstruosidade e a banalização da selvageria, a degradação da humanidade e um passo atrás no custoso processo civilizatório dos povos gerada com muito custo ao longo de milênios.
Significará sempre o fim da humanidade e o recomeço da barbárie.
Devemos todos nos envergonhar de tais fatos, e como cidadães da terra e membros da espécie humana, mostrar nossa preocupação e indignação.
A observação diária nos dá indicações de que a maior parte das pessoas que compõem nossa e qualquer sociedade da terra são fundamentalmente pacíficas e não concordam com tais atos, sentindo - mesmo que não consigam colocar em palavras - como se algo estivesse muito errado!
Essas pessoas devem levantar sua voz, pressionando para que as autoridades tomem providências. A escalada de violência - ainda mais vinda de pessoas comuns - tem de ser interrompida!
Temos de nos encontrar novamente como seres humanos.
Que um alto e claro "REPÚDIO TOTAL AOS LINCHAMENTOS" seja dado pela sociedade brasileira e de qualquer país que esteja passando por tais aterrorizantes fatos.
É isto ou construiremos um mundo de terror e que não vale a pena viver.
Será o fim da humanidade ao qual pertencemos, ou que valha a pena pertencer.
----------------------------------------------------
Já são mais de 50 casos de linchamentos este ano:
http://g1.globo.com/politica/dias-de-intolerancia/platb/
E para que estes fatos ocorram parece não existir a necessidade de certeza: a maioria dos agressores tem sua convicção de culpa e necessidade de punir geradas a partir dos relatos enlouquecidos dos que já estavam lá. É uma multidão enraivecida e que vai aumentando devido à curiosidade, excitada com a saída da rotina, repetindo e amplificando os boatos sem saber de onde se originaram, e muito menos da veracidade dos mesmos.
Nas discussões sobre estes acontecimentos, imputa-se tamanha fúria popular à sensação generalizada de impunidade somado ao aumento da violência. É possível, mas pode-se enxergar nestes atos, claramente, a momentânea exteriorização dos demônios de cada um!
A visão é mesmo algo infernal: nos vídeos que circulavam pela Internet, vê-se inacreditáveis, incontroláveis e incontidos murros e chutes, pedras, paus e até capacetes descendo violentamente sobre o corpo, que vai se avermelhando e deformando, desvanecendo e ressuscitando, desferidos por mãos, pés e instrumentos que surgem e desaparecem nas imagens como se não tivessem donos, em uma impessoalidade assombrosa, até a perda completa da consciência ou, em muitos casos, da vida do agredido.
E assim, a cada novo membro "indignado" que se soma à multidão, expressando um ódio que não se espera de pessoas comuns, um demônio de violência vai crescendo em um auto-alimentado acontecimento. É um novo perigo que se soma aos existentes, onde todos nós, nossos filhos, nossos pais e amigos, correm o risco de - num evento inimaginável como no caso relatado a seguir - ser vítima inocente deste tipo de atrocidade.
A prova de sua culpa? Uma foto publicada em um site de uma "suspeita" que se assemelhava a ela.
Somente isso! Como se uma desculpa para o início da barbárie fosse o único fator necessário, e tudo está justificado desde que se inicie o ato: um verdadeiro festim diabólico!
A mulher era uma dona de casa de apenas 33 anos, se chamava Fabiane Maria de Jesus, e tinha duas filhas pequenas.
E era inocente.
Inocente!
Contudo, a sociedade precisa entender que, mesmo para os "culpados", o sistema legal de justiça - que é falho mas fundamental para o mundo como conhecemos funcionar minimamente - deve sempre prevalecer.
A justiça não pode implicar em infligir sofrimento, senão é barbárie.
A vingança não é um direito, é um desequilíbrio emocional.
A denominada "justiça com as próprias mãos" já nasce antecedida pelo prefixo "in".
Quanto aos participantes dos atos como o relatado acima, não sejamos condescendentes nem superficiais: o fato é que as mãos dos executores dos linchamentos - e até mesmo dos incentivadores - ficam indelevelmente e inexoravelmente manchadas de sangue, e isto é válido mesmo que o acusado seja culpado do crime de que é acusado. Este fato já tem um peso sobre a vida, a história pessoal e tudo que possa ser considerado sagrado e bonito na vida de cada uma destas pessoas que se reuniram para cometer este ato de inconsequente violência.
E o sangue nas mãos destas pessoas no caso acima exposto não é de qualquer um: é a de um inocente, de uma mãe de família. Dores eternas foram infingidas às pessoas próximas à Fabiane, pessoas em que foram abertas feridas que nunca serão curadas. Um marido sem sua mulher, duas filhas sem sua mãe, parentes e amigos sem Fabiane e todos remoendo a dor da injustiça e de imaginar o terrível sofrimento e terror que o ente amado passou ao ser desintegrado física e psicologicamente por uma coletividade fora de si.
Não há como amenizar o ato e aplacar a consciência. Ao agir pelos impulsos, ao seguir a multidão, ao responder aos comandos de ódio, ao materializar atos de violência extrema, riscos e responsabilidades foram assumidos: todos se tornaram criminosos, todos se tornaram assassinos.
Em um ato desta natureza, em qualquer configuração que seja montada, todos se tornam sempre piores do que aquele que acusam.
E o que fazer? Linchá-los também? Não abramos esta CAIXA DE PANDORA!
Um basta tem de acontecer! Ao ser humano não é dado o direito de matar ou mesmo ferir seu semelhante, seja em que circunstâncias forem, exceptuando-se um ato de defesa.
Quem nos dá o direito de julgar e condenar à danos físicos e sofrimento - ou mesmo à morte - quem quer que seja, tenha culpa do que é acusado ou não? Um amontoado de pessoas enfurecidas e alimentadas por cada vez mais desvinculados da verdade boatos, gerados pelos murmurinho dos ensandecidos?
Não é possível imaginar como uma pessoa, num dia que até aquele momento era apenas mais um na vida corrida, possa querer participar de algo com tamanho peso. Violência gera violência, e nunca será bom para a sociedade.
É uma monstruosidade e a banalização da selvageria, a degradação da humanidade e um passo atrás no custoso processo civilizatório dos povos gerada com muito custo ao longo de milênios.
Significará sempre o fim da humanidade e o recomeço da barbárie.
Devemos todos nos envergonhar de tais fatos, e como cidadães da terra e membros da espécie humana, mostrar nossa preocupação e indignação.
A observação diária nos dá indicações de que a maior parte das pessoas que compõem nossa e qualquer sociedade da terra são fundamentalmente pacíficas e não concordam com tais atos, sentindo - mesmo que não consigam colocar em palavras - como se algo estivesse muito errado!
Essas pessoas devem levantar sua voz, pressionando para que as autoridades tomem providências. A escalada de violência - ainda mais vinda de pessoas comuns - tem de ser interrompida!
Temos de nos encontrar novamente como seres humanos.
Que um alto e claro "REPÚDIO TOTAL AOS LINCHAMENTOS" seja dado pela sociedade brasileira e de qualquer país que esteja passando por tais aterrorizantes fatos.
É isto ou construiremos um mundo de terror e que não vale a pena viver.
Será o fim da humanidade ao qual pertencemos, ou que valha a pena pertencer.
Edival
----------------------------------------------------
Já são mais de 50 casos de linchamentos este ano:
http://g1.globo.com/politica/dias-de-intolerancia/platb/
25 de abr. de 2014
Como fazer a barba da melhor forma
Fazer a barba pode ser um dos
tormentos diários da vida de um homem.
As mulheres reclamam que
são obrigadas a passar por inúmeras experiências sacrificantes ao longo de sua
(imprescindível) existência, como o ciclo menstrual e o parto, enquanto, segundo
elas, o homem – “esse privilegiado” – passa incólume pela vida: tranquilo, leve
e solto.
Mas eu retruco: tem muitas
coisas que somente o homem tem de passar sim!
Fazer a
barba é uma
delas. E – pelo menos para mim – tem para todo dia ou mais!
Corto-a rente toda
manhã, e se for sair à noite, já não existe mais "aquela maciez"
propagandeada nos comerciais de TV. E lá vamos nós de novo!
Ter pelos na cara (podendo servir às vezes como lixa) que crescem todo dia e todo dia, e no dia seguinte de
novo, significa:
- Conviver com uma
escravidão diária;
- Ter de lidar
habilmente com lâminas afiadíssimas;
- Gastos com produtos
variados;
- Dores, ardências e
pedaços de papel higiênico na cara, que estancam hemorragias que parecem não
ter fim;
- Tempo perdido que se
somado, dia após dia todos os dias da vida adulta, daria para fazer uma
faculdade!
Para que esta “obrigação
diária” não se torne um tormento – ou até mesmo uma cena de sangue – reuni minhas
cinco regras de ouro para uma barba fácil e bem feita, desenvolvidas entre um
corte e outro:
Regra 1: Ter sempre um aparelho novo, de três
ou mais lâminas. Não adianta querer economizar
neste quesito, a eficiência aumenta exponencialmente com o número de lâminas!
Regra 2: A primeira coisa a fazer no banheiro é passar aquela generosa
camada de creme de barbear. Deixe a química fazer seu papel;
Regra 3: Escovar os dentes, fazer todas as outras “coisas mais”,
deixando o creme agir e amaciar a “lixa”, e só depois tomar banho, deixando ir
“ralo abaixo” toda esta primeira camada de creme. Deixe a água quente abrir os
poros da pele;
Regra 4: De novo em frente ao espelho, passar o creme mais uma vez, e
só aí iniciar – tranquilamente – o ato mecânico e transcendental de fazer a
barba, enquanto filosofa sobre a vida em seus pensamentos difusos;
Regra 5: Passar o barbeador sempre no sentido em que nasce o pelo, ou
seja, partindo da parte superior em direção à inferior, invertendo a direção no
queixo e pescoço. Lembrar-se de esticar a pele com a mão livre, pois melhorará
bastante todo o procedimento e evitará cortes.
O uso de uma loção
pós-barba, se existe a tendência para irritações ou inflamações, é outro
procedimento a ser adotado. Na inexistência de aparelhos melhores, podem ser
usados os aparelhos descartáveis, desde que não nos esqueçamos de sua natureza
descartável! Se for tomar sol, passe filtro solar.
Os barbeadores elétricos
tem a vantagem da praticidade, da não utilização de cremes e de não causar
traumas, e a desvantagem de não cortar o pelo tão rente. Pode ser a solução
para dias corridos. Recomendo a aquisição do aparelho, como coringa.
Faça a escolha dos
produtos adequados para seu tipo de pele. Não é frescura!
Deste modo, o aparelho
"desliza macio" e "corta rente", igualzinho aos comerciais que parecem saídos
de mundos de fantasia.
E assim faço – todo dia
e todo dia e todo dia de novo (viu mulheres!) – minha barba de propaganda de
TV!
14 de abr. de 2014
Filosofia Bundocêntrica: Ser vadia é ser livre (?)
Há muito muito tempo atrás, surgia em terras tupiniquins Gretchen – a matriz geradora de todas as "misses bumbum". Desde então vem ocorrendo, digamos assim, um fenômeno popular de grande sucesso com moças bem dotadas em danças sexualizadas – quase ginecológicas –, baseado no atributo negritado.
E aí assistimos ao longo de muitos anos – sem sacar muito bem a revolução que estava acontecendo – uma sucessão de "grandes sucessos" de matriz bunda lelê, como os do "É o Tchan" e suas "Sheilas", e de uma infinidade de fêmeas-fruta.
Assim, depois de anos sucessivos de grande abundância, chegamos vivos ao começo de 2014, onde tivemos o privilégio de presenciar o funk da cantora Valesca Popozuda, denominado “Beijinho no Ombro”, fazer muito sucesso, trazendo-a aos holofotes da mídia e a colocando involuntariamente em uma polêmica por ter sido chamada de "grande pensadora contemporânea" – uma provocação de um professor de filosofia em uma prova no Distrito Federal.
Em decorrência deste fato – pois a provocação foi mais que bem sucedida e virou notícia nacional – Valesca deu uma entrevista para a revista ÉPOCA (abril de 2014), cujo título é:
Bom para ela, que ganhou um marketing inesperado!
Em tempo: A entrevista que ela deu mostrou que é uma mulher inteligente, de opiniões fortes e com boa articulação. Sabe o que quer, o que faz e onde quer chegar.
Mas e quanto à opinião expressa por ela? Ser vadia é mesmo ser livre? Tomo aqui a palavra vadia como definição de uma mulher que assume sua sexualidade e lida com seu corpo sem vergonha (ou sem-vergonha!), dando de ombros para a sociedade, fazendo o que quiser, onde quiser.
Penso que esta frase, colocada pela mãe da filosofia "popocêntrica", foi bem pertinente ao traduzir o pensamento de uma parte da "expressão cultural" do país; este fato, quando assumido, traz a necessidade de uma reflexão por um detalhe que deriva deste "movimento" (esquecendo as derivações auditivas): a exploração de performances quase pornográficas e letras que vão no mesmo sentido na consciente sexualização evidenciada por artistas do gênero bundal tem como platéia não só homens hipnotizados, mas todos que tem ouvidos de ouvir, inclusive as crianças (estão por aí os carros com som na estratosfera que não me deixam mentir).
São novos tempos e costumes, e teremos de lidar com as mudanças, o que a princípio é bom.
Mas o que se pode pensar sobre estes fatos? É algo que permeia a mídia, a TV, as rádios, e os amplificadores sendo, portanto, atualíssimo, preocupando pais e educadores e levando a sociedade refletir em muitos momentos.
O fato é que estes cantores populares, por estarem em evidência, exercem influência sobre os mais jovens e contribuem para os moldar, e por este motivo talvez seja relevante e interessante também nós sermos grandes pensadores do assunto.
Nesta linha de análise da nossa sociedade, percebe-se que como resultado do "movimento", e implícita no título da reportagem, está a ideia de que – sinteticamente falando – para ser "legal", tem de "descer até o chão", sempre com pouco pano e em poses ginecológicas.
E as crianças que recebem essas mensagens? E os pais, os educadores-mor, que tem a filha que caminha para se tornar uma "vadia"? Você, caro leitor, na condição de pai ou mãe, o que sentiria ou pensaria? Educaria sua filha para ser livre e escolher ser vadia, se ela assim desejar? E quanto ao termo "vulgaridade", ele é pertinente aos dias de hoje? O que é ser uma mulher (ou mesmo homem) "de classe" ou "vulgar"? Isso ainda tem sentido? Existe um ditado que diz que a mulher perfeita sabe ser vadia na cama e dama na sociedade.
Enfim, essa liberdade de ser vadia/o – se uma mulher/homem assim desejar – é boa ou ruim no total da soma? Em minha opinião, com certeza! Uma das maravilhas do mundo moderno, uma liberdade adquirida a duras penas pelos seres humanos e ainda mais (muito mais) pelas mulheres!
Mas sempre tem a questão do outro: minha liberdade entra no limbo quando desestabilizo os que alcanço. Quando o assunto é sexo/sexualização, eu tenho o direito de fazer o eu que quiser, onde quiser? Os pais tem o direito de não ver sua criança presenciando letras e cenas explícitas de conteúdo sexual?
Como opinião pessoal, posso dizer:
Em segundo lugar, posso dizer que não consigo sentir como algo positivo "ser" vadia/o o tempo todo, em vez de "estar" num momento da vida, de experimentar como uma fase, se assim a pessoa sentir necessidade/vontade, como parte integrante de uma vida rica em vivências.
Também não vejo como ser positivo a invasão dos espaços: o mundo de quem não deseja vivenciar certos exageros, ou que seu rebento seja "violentado" no desenvolvimento de sua sexualidade, deve ser respeitado.
Como se fará isso, não sei: dramas da vida moderna!
Dentro de meus limites pessoais posso dizer que não aprecio, com grandes chances de virem inseridos no pacote da vadiagem como filosofia de vida (coisas que a gente vê): a libertinagem, a irresponsabilidade com o próprio corpo, a vulgaridade, a invasão dos espaços escandalizando e influenciando as mentes em formação e deixando pais preocupados, e a negação dos direitos dos outros.
Dou – destacando a ideia central deste texto – meus aplausos sinceros à liberdade já conquistada e a quem luta pelo direito de sermos o que desejamos – respeitando os limites dos outros – ser.
Por fim, acrescento que não desejo que minha história ressoe pela eternidade como aquela produzida por um ser fútil, sem vida interior e que só vadiou toda vida – e nada mais.
Sejamos livres, então, e que a vida seja rica e valha sempre a pena!
E aí assistimos ao longo de muitos anos – sem sacar muito bem a revolução que estava acontecendo – uma sucessão de "grandes sucessos" de matriz bunda lelê, como os do "É o Tchan" e suas "Sheilas", e de uma infinidade de fêmeas-fruta.
Assim, depois de anos sucessivos de grande abundância, chegamos vivos ao começo de 2014, onde tivemos o privilégio de presenciar o funk da cantora Valesca Popozuda, denominado “Beijinho no Ombro”, fazer muito sucesso, trazendo-a aos holofotes da mídia e a colocando involuntariamente em uma polêmica por ter sido chamada de "grande pensadora contemporânea" – uma provocação de um professor de filosofia em uma prova no Distrito Federal.
Em decorrência deste fato – pois a provocação foi mais que bem sucedida e virou notícia nacional – Valesca deu uma entrevista para a revista ÉPOCA (abril de 2014), cujo título é:
Bom para ela, que ganhou um marketing inesperado!
Em tempo: A entrevista que ela deu mostrou que é uma mulher inteligente, de opiniões fortes e com boa articulação. Sabe o que quer, o que faz e onde quer chegar.
Mas e quanto à opinião expressa por ela? Ser vadia é mesmo ser livre? Tomo aqui a palavra vadia como definição de uma mulher que assume sua sexualidade e lida com seu corpo sem vergonha (ou sem-vergonha!), dando de ombros para a sociedade, fazendo o que quiser, onde quiser.
Quanto à frase que me motivou a escrever este texto, posso dizer que discordo como a ideia foi colocada: se ser vadio é ser livre, implica que quem não é vadio não é livre? No contexto atual de liberdade de expressão no Brasil, pode-se afirmar para a maioria dos casos, lugares e situações, que com certeza:
Ser vadia (ou vadio) não traz a liberdade por si mesmo, mas significa que temos a liberdade de poder escolher ser!
E isso é bom!
Deste modo, eu não sou livre como resultado direto do fato de ser "vadio", mas se sou livre posso tranquilamente escolher vadiar e – se respeito os limites da sociedade e uso do bom senso –ninguém tem nada a ver com isso!
Deste modo, eu não sou livre como resultado direto do fato de ser "vadio", mas se sou livre posso tranquilamente escolher vadiar e – se respeito os limites da sociedade e uso do bom senso –ninguém tem nada a ver com isso!
Penso que esta frase, colocada pela mãe da filosofia "popocêntrica", foi bem pertinente ao traduzir o pensamento de uma parte da "expressão cultural" do país; este fato, quando assumido, traz a necessidade de uma reflexão por um detalhe que deriva deste "movimento" (esquecendo as derivações auditivas): a exploração de performances quase pornográficas e letras que vão no mesmo sentido na consciente sexualização evidenciada por artistas do gênero bundal tem como platéia não só homens hipnotizados, mas todos que tem ouvidos de ouvir, inclusive as crianças (estão por aí os carros com som na estratosfera que não me deixam mentir).
São novos tempos e costumes, e teremos de lidar com as mudanças, o que a princípio é bom.
Mas o que se pode pensar sobre estes fatos? É algo que permeia a mídia, a TV, as rádios, e os amplificadores sendo, portanto, atualíssimo, preocupando pais e educadores e levando a sociedade refletir em muitos momentos.
O fato é que estes cantores populares, por estarem em evidência, exercem influência sobre os mais jovens e contribuem para os moldar, e por este motivo talvez seja relevante e interessante também nós sermos grandes pensadores do assunto.
Nesta linha de análise da nossa sociedade, percebe-se que como resultado do "movimento", e implícita no título da reportagem, está a ideia de que – sinteticamente falando – para ser "legal", tem de "descer até o chão", sempre com pouco pano e em poses ginecológicas.
Coisas a se pensar, num exercício de livre pensamento, já que o assunto que foi abordado, ser vadia ou vadio, foi evidenciado:
Uma mulher assumidamente vadia, é legal? E um homem vadio?E as crianças que recebem essas mensagens? E os pais, os educadores-mor, que tem a filha que caminha para se tornar uma "vadia"? Você, caro leitor, na condição de pai ou mãe, o que sentiria ou pensaria? Educaria sua filha para ser livre e escolher ser vadia, se ela assim desejar? E quanto ao termo "vulgaridade", ele é pertinente aos dias de hoje? O que é ser uma mulher (ou mesmo homem) "de classe" ou "vulgar"? Isso ainda tem sentido? Existe um ditado que diz que a mulher perfeita sabe ser vadia na cama e dama na sociedade.
Enfim, essa liberdade de ser vadia/o – se uma mulher/homem assim desejar – é boa ou ruim no total da soma? Em minha opinião, com certeza! Uma das maravilhas do mundo moderno, uma liberdade adquirida a duras penas pelos seres humanos e ainda mais (muito mais) pelas mulheres!
Mas sempre tem a questão do outro: minha liberdade entra no limbo quando desestabilizo os que alcanço. Quando o assunto é sexo/sexualização, eu tenho o direito de fazer o eu que quiser, onde quiser? Os pais tem o direito de não ver sua criança presenciando letras e cenas explícitas de conteúdo sexual?
Como opinião pessoal, posso dizer:
- Viva a liberdade de sermos vadios (se assim desejarmos)!
- Viva a mulher/homem que tem a capacidade de ser vadia/o em deliciosos momentos!
- Viva a desrepressão organísmica!
Em segundo lugar, posso dizer que não consigo sentir como algo positivo "ser" vadia/o o tempo todo, em vez de "estar" num momento da vida, de experimentar como uma fase, se assim a pessoa sentir necessidade/vontade, como parte integrante de uma vida rica em vivências.
Também não vejo como ser positivo a invasão dos espaços: o mundo de quem não deseja vivenciar certos exageros, ou que seu rebento seja "violentado" no desenvolvimento de sua sexualidade, deve ser respeitado.
Como se fará isso, não sei: dramas da vida moderna!
Dentro de meus limites pessoais posso dizer que não aprecio, com grandes chances de virem inseridos no pacote da vadiagem como filosofia de vida (coisas que a gente vê): a libertinagem, a irresponsabilidade com o próprio corpo, a vulgaridade, a invasão dos espaços escandalizando e influenciando as mentes em formação e deixando pais preocupados, e a negação dos direitos dos outros.
Dou – destacando a ideia central deste texto – meus aplausos sinceros à liberdade já conquistada e a quem luta pelo direito de sermos o que desejamos – respeitando os limites dos outros – ser.
Por fim, acrescento que não desejo que minha história ressoe pela eternidade como aquela produzida por um ser fútil, sem vida interior e que só vadiou toda vida – e nada mais.
Sejamos livres, então, e que a vida seja rica e valha sempre a pena!
EdiVal
14/04/2014
Assinar:
Postagens (Atom)










