12 de mai. de 2014

O Rádio Não Vai Acabar!

O rádio - amado, injustiçado e heroico - vem entretendo e informando os brasileiros desde a década de 20, caminhando para fazer um século de bons serviços.
Ele sobreviveu à popularização da TV nos anos 50 e 60, contrariando todos os prognósticos da época. Hoje, novamente sob ataque e vaticínios de morte, ele vem sobrevivendo à universalização da gigantesca World Wide Web (www) - nossa amada Internet - novamente mostrando grande resistência.

O rádio: vivo e cheio de charme.

Porquê? Qual seu segredo? É mesmo uma questão de tempo até sua morte?

O erro dos que acham que o rádio não tem lugar neste mundo altamente tecnológico é que eles estão subestimando seus valores e, por causa destes, ao contrário do que há tempos tem sido profetizado, o rádio não vai desaparecer! Não pelo menos no curto e médio prazo, ou até onde este mundo cheio de cada vez mais rápidas mudanças nos permite prever. Ele sempre terá seu lugar, seu nicho de mercado, assim como o livro de papel.

Deste modo, não cometamos o erro de menosprezá-lo, pois como foi dito acima, ele tem valorosas características. Algumas delas são:

  1. Físicas. Seu meio ambiente é a sonosfera, e por isso tem os poderes do som, como a omnidirecionalidade, nos permitindo locomover com total liberdade, até mesmo a outro ambiente e com grandes obstáculos materiais entre nós e o auto-falante e, mesmo assim, ficamos auditivamente sintonizados;
  2. Sinergéticas. Não tem dificuldades nem estresses, é só ligar e curtir, e a única interatividade possível e atenção necessária é a escolha da emissora. É o caminho de mínima energia que a natureza (e a gente) tanto adora;
  3. Geográficas. O rádio é uma mídia local, regional, trazendo maior noção de coletividade e tornando-o um instrumento de utilidade pública;
  4. Multitarefas. Por não necessitar de atenção demasiada, é a única mídia possível - fora simples tocadores de música - para ser utilizada enquanto se dirige ou trabalha, ou se interage com o mundo de alguma outra forma;
  5. Sociais. É democrático, pois basta um receptor baratinho (que ainda pode ser o antigo aparelho de rádio!) para se ter acesso;
  6. Artísticas. Depende ainda mais, quando comparado com outras mídias com mais recursos, do talento do locutor na arte de construir imagens na cabeça dos ouvintes e induzir emoções. É a eterna arte de um bom contador de histórias sendo requisitada;
  7. Mentais. Estimula a imaginação ao permitir, não a visão de uma figura pronta, mas da construção pessoal na mente de ouvinte da imagem daquilo que sai do auto-falante na forma de ondas sonoras. Somos, assim, co-criadores da história!
  8. Libertárias: Representa a libertação da atual e estressante necessidade de ter de escolher em demasia - como na Internet - ou da prisão de fixar o olhar na imagem - como na TV - nos preenchendo de encantadora simplicidade!

Enfim, o Rádio não é um patinho feio, muito menos um moribundo.
Ele possuiu qualidades únicas e características próprias e que, no final das contas, são produtos de grande valor comercial!

O ser multimidiático da atualidade quer ser ouvinte, espectador, internauta e leitor.

Quer diversidade e o melhor de cada um!


O rádio, definitivamente, não vai acabar!


Dival.

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Como adicional, deixo aqui um link do YouTube com a declamação radiofônica de um poema sobre o Rádio, como costumava ouvir à beira do fogão com minha mãe, quando eu era criança:

https://www.youtube.com/watch?v=s8nd8ED-8sU

Ouçam também sem imagens, como num rádio ouviriam...
Nostálgico, nostálgico...

E se o link "sair do ar", avisem pra mim, beleza? :)

5 de mai. de 2014

Repúdio Total aos Linchamentos

Nos últimos tempos, uma onda de linchamentos estampa as manchetes dos jornais brasileiros, como se fosse uma simples "modinha" destes novos tempos. Além disso, outros países, como a Argentina, já vem sofrendo com esta triste e ameaçadora realidade.

E para que estes fatos ocorram parece não existir a necessidade de certeza: a maioria dos agressores tem sua convicção de culpa e necessidade de punir geradas a partir dos relatos enlouquecidos dos que já estavam lá. É uma multidão enraivecida e que vai aumentando devido à curiosidade, excitada com a saída da rotina, repetindo e amplificando os boatos sem saber de onde se originaram, e muito menos da veracidade dos mesmos.

Nas discussões sobre estes acontecimentos, imputa-se tamanha fúria popular à sensação generalizada de impunidade somado ao aumento da violência. É possível, mas pode-se enxergar nestes atos, claramente, a momentânea exteriorização dos demônios de cada um!



A visão é mesmo algo infernal: nos vídeos que circulavam pela Internet, vê-se inacreditáveis, incontroláveis e incontidos murros e chutes, pedras, paus e até capacetes descendo violentamente sobre o corpo, que vai se avermelhando e deformando, desvanecendo e ressuscitando, desferidos por mãos, pés e instrumentos que surgem e desaparecem nas imagens como se não tivessem donos, em uma impessoalidade assombrosa, até a perda completa da consciência ou, em muitos casos, da vida do agredido.

E assim, a cada novo membro "indignado" que se soma à multidão, expressando um ódio que não se espera de pessoas comuns, um demônio de violência vai crescendo em um auto-alimentado acontecimento. É um novo perigo que se soma aos existentes, onde todos nós, nossos filhos, nossos pais e amigos, correm o risco de - num evento inimaginável como no caso relatado a seguir - ser vítima inocente deste tipo de atrocidade.

5 de maio de 2014: nesta data esta nova e obscura realidade desceu de maneira contundente sobre nós brasileiros, explícito nas manchetes dos jornais na forma da morte de uma mulher espancada por moradores do município de Guarujá, acusada do sequestro de crianças para práticas de magia negra (ressuscita-se, assim, a caça às bruxas!). 
A prova de sua culpa? Uma foto publicada em um site de uma "suspeita" que se assemelhava a ela.
Somente isso! Como se uma desculpa para o início da barbárie fosse o único fator necessário, e tudo está justificado desde que se inicie o ato: um verdadeiro festim diabólico!

A mulher era uma dona de casa de apenas 33 anos, se chamava Fabiane Maria de Jesus, e tinha duas filhas pequenas. 
E era inocente.

Inocente!
Contudo, a sociedade precisa entender que, mesmo para os "culpados", o sistema legal de justiça - que é falho mas fundamental para o mundo como conhecemos funcionar minimamente - deve sempre prevalecer.
A justiça não pode implicar em infligir sofrimento, senão é barbárie.
A vingança não é um direito, é um desequilíbrio emocional.
A denominada "justiça com as próprias mãos" já nasce antecedida pelo prefixo "in".

Quanto aos participantes dos atos como o relatado acima, não sejamos condescendentes nem superficiais: o fato é que as mãos dos executores dos linchamentos -  e até mesmo dos incentivadores - ficam indelevelmente e inexoravelmente manchadas de sangue, e isto é válido mesmo que o acusado seja culpado do crime de que é acusado. Este fato já tem um peso sobre a vida, a história pessoal e tudo que possa ser considerado sagrado e bonito na vida de cada uma destas pessoas que se reuniram para cometer este ato de inconsequente violência.

E o sangue nas mãos destas pessoas no caso acima exposto não é de qualquer um: é a de um inocente, de uma mãe de família. Dores eternas foram infingidas às pessoas próximas à Fabiane, pessoas em que foram abertas feridas que nunca serão curadas. Um marido sem sua mulher, duas filhas sem sua mãe, parentes e amigos sem Fabiane e todos remoendo a dor da injustiça e de imaginar o terrível sofrimento e terror que o ente amado passou ao ser desintegrado física e psicologicamente por uma coletividade fora de si. 

Não há como amenizar o ato e aplacar a consciência. Ao agir pelos impulsos, ao seguir a multidão, ao responder aos comandos de ódio, ao materializar atos de violência extrema, riscos e responsabilidades foram assumidos: todos se tornaram criminosos, todos se tornaram assassinos. 
Em um ato desta natureza, em qualquer configuração que seja montada, todos se tornam sempre piores do que aquele que acusam. 

E o que fazer? Linchá-los também? Não abramos esta CAIXA DE PANDORA!

Um basta tem de acontecer! Ao ser humano não é dado o direito de matar ou mesmo ferir seu semelhante, seja em que circunstâncias forem, exceptuando-se um ato de defesa. 
Quem nos dá o direito de julgar e condenar à danos físicos e sofrimento - ou mesmo à morte - quem quer que seja, tenha culpa do que é acusado ou não? Um amontoado de pessoas enfurecidas e alimentadas por cada vez mais desvinculados da verdade boatos, gerados pelos murmurinho dos ensandecidos?  

Não é possível imaginar como uma pessoa, num dia que até aquele momento era apenas mais um na vida corrida,  possa querer participar de algo com tamanho peso. Violência gera violência, e nunca será bom para a sociedade.
É uma monstruosidade e a banalização da selvageria, a degradação da humanidade e um passo atrás no custoso processo civilizatório dos povos gerada com muito custo ao longo de milênios.
Significará sempre o fim da humanidade e o recomeço da barbárie.

Devemos todos nos envergonhar de tais fatos, e como cidadães da terra e membros da espécie humana, mostrar nossa preocupação e indignação.

A observação diária nos dá indicações de que a maior parte das pessoas que compõem nossa e qualquer sociedade da terra são fundamentalmente pacíficas e não concordam com tais atos, sentindo - mesmo que não consigam colocar em palavras - como se algo estivesse muito errado!
Essas pessoas devem levantar sua voz, pressionando para que as autoridades tomem providências. A escalada de violência - ainda mais vinda de pessoas comuns - tem de ser interrompida!
Temos de nos encontrar novamente como seres humanos.

Que um alto e claro "REPÚDIO TOTAL AOS LINCHAMENTOS" seja dado pela sociedade brasileira e de qualquer país que esteja passando por tais aterrorizantes fatos.

É isto ou construiremos um mundo de terror e que não vale a pena viver. 
Será o fim da humanidade ao qual pertencemos, ou que valha a pena pertencer. 

 Edival

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Já são mais de 50 casos de linchamentos este ano:
http://g1.globo.com/politica/dias-de-intolerancia/platb/

25 de abr. de 2014

Como fazer a barba da melhor forma

Fazer a barba pode ser um dos tormentos diários da vida de um homem.

As mulheres reclamam que são obrigadas a passar por inúmeras experiências sacrificantes ao longo de sua (imprescindível) existência, como o ciclo menstrual e o parto, enquanto, segundo elas, o homem – “esse privilegiado” – passa incólume pela vida: tranquilo, leve e solto.
Mas eu retruco: tem muitas coisas que somente o homem tem de passar sim!
Fazer a barba é uma delas. E – pelo menos para mim – tem para todo dia ou mais!
Corto-a rente toda manhã, e se for sair à noite, já não existe mais "aquela maciez" propagandeada nos comerciais de TV. E lá vamos nós de novo!
Ter pelos na cara (podendo servir às vezes como lixa) que crescem todo dia e todo dia, e no dia seguinte de novo, significa:
- Conviver com uma escravidão diária;
- Ter de lidar habilmente com lâminas afiadíssimas;
- Gastos com produtos variados;
- Dores, ardências e pedaços de papel higiênico na cara, que estancam hemorragias que parecem não ter fim;
- Tempo perdido que se somado, dia após dia todos os dias da vida adulta, daria para fazer uma faculdade!
Para que esta “obrigação diária” não se torne um tormento – ou até mesmo uma cena de sangue – reuni minhas cinco regras de ouro para uma barba fácil e bem feita, desenvolvidas entre um corte e outro:
Regra 1: Ter sempre um aparelho novo, de três ou mais lâminas. Não adianta querer economizar neste quesito, a eficiência aumenta exponencialmente com o número de lâminas!
Regra 2: A primeira coisa a fazer no banheiro é passar aquela generosa camada de creme de barbear. Deixe a química fazer seu papel;
Regra 3: Escovar os dentes, fazer todas as outras “coisas mais”, deixando o creme agir e amaciar a “lixa”, e só depois tomar banho, deixando ir “ralo abaixo” toda esta primeira camada de creme. Deixe a água quente abrir os poros da pele;
Regra 4: De novo em frente ao espelho, passar o creme mais uma vez, e só aí iniciar – tranquilamente – o ato mecânico e transcendental de fazer a barba, enquanto filosofa sobre a vida em seus pensamentos difusos;
Regra 5: Passar o barbeador sempre no sentido em que nasce o pelo, ou seja, partindo da parte superior em direção à inferior, invertendo a direção no queixo e pescoço. Lembrar-se de esticar a pele com a mão livre, pois melhorará bastante todo o procedimento e evitará cortes.
O uso de uma loção pós-barba, se existe a tendência para irritações ou inflamações, é outro procedimento a ser adotado. Na inexistência de aparelhos melhores, podem ser usados os aparelhos descartáveis, desde que não nos esqueçamos de sua natureza descartável! Se for tomar sol, passe filtro solar.
Os barbeadores elétricos tem a vantagem da praticidade, da não utilização de cremes e de não causar traumas, e a desvantagem de não cortar o pelo tão rente. Pode ser a solução para dias corridos. Recomendo a aquisição do aparelho, como coringa.
Faça a escolha dos produtos adequados para seu tipo de pele. Não é frescura!
Deste modo, o aparelho "desliza macio" e "corta rente",  igualzinho aos comerciais que parecem saídos de mundos de fantasia.
E assim faço – todo dia e todo dia e todo dia de novo (viu mulheres!) – minha barba de propaganda de TV!


22 de abr. de 2014

Como amenizar o calor e seus efeitos

Publiquei recentemente um artigo falando do calor excessivo, seus efeitos no corpo, e como amenizá-los, no Yahoo!Mulher.

Fiz bem completo. Um verdadeiro review com as mais funcionais dicas para esses tempos de aquecimento global.

Por exemplo, sabia que é melhor a janela deve ficar fechada se o sol bater diretamente sobre ela? E que um dos segredos fundamentais para uma proteção funcional contra o calor excessivo, ou mesmo saber qual aparelho usar para se refrescar, depende da umidade relativa do ar?

Ou que um relatório da NASA diz que numa  temperatura de 30°C, se estamos trabalhando, a produtividade pode cair cerca de 20% e os erros aumentar em 75%?

Sim, o calor excessivo vai ser um companheiro indesejado do nosso futuro, e saber como lidar com este fato já é necessidade, pois pode levar até à morte.

Desejando saber mais, leiam lá:

https://br.mulher.yahoo.com/como-amenizar-os-efeitos-calor-150200394.html

Bom conforto térmico a todos!

21 de abr. de 2014

Se eu também "descobrir", posso sair correndo pelado pela rua?

Eureka! é uma expressão que o mundo conhece e uma das palavras mais populares relacionados com a história da ciência, fazendo - indubitavelmente - parte do imaginário coletivo do povo da terra.

Eureka! representa - além do êxtase da descoberta - o cientista apaixonado pela ciência (e meio doidão, claro). Pode ser traduzida como Encontrei! Achei!

Quem a tornou famosa foi Arquimedes, no século 3 a.C., ao descobrir o hoje chamado "Princípio de Arquimedes".

O cientista se encontrava - naquele misterioso momento que antecede o clímax - na banheira tomando um relaxante banho junto com seus pensamentos dominados por sua pesquisa. O resultado foi - obtida a solução repentina de seu problema - um cientista correndo nu pelas ruas de sua cidade gritando Eureka! Eureka!.

Falta de moral? de pudor? Não! O velho cientista entrou em uma dimensão além desta dos simples humanos. Fácil imaginar como tudo em volta ficou tão pequeno, que desapareceu perante a grandeza da descoberta do novo, da sensação de ser a primeira pessoa do mundo a obter o entendimento de uma lei natural.

Assim, o que importa é correr para o laboratório do jeito que estiver, a hora que for, antes que a ideia, desaforada, fuja e se esconda para sempre.

Ideias revolucionárias são temperamentais!

Hoje em dia, quais seriam as palavras mágicas? como pesquisador, já usei algumas (poucas, infelizmente):
ACHEI! ISSO! YES! MARAVILHA!

E é como a EUREKA: nunca vem como explosão intelecto-emocional solitária, mas acompanhada de uma sequência de atos desabafantes - como punhos agitados em movimentos bruscos - em uma verdadeira catarse.



“Dê-me um ponto de apoio, e moverei o mundo”. Frase de Arquimedes - o cientista peladão - mas que eternizou seu nome na história.

19 de abr. de 2014

"Balas" Geladas de Acerola

A vitamina C é essencial para o correto funcionamento do nosso corpo, e sua imagem nos vem à mente - talvez na forma de uma bela laranja - associada à resistência contra problemas respiratórios, principalmente a gripe.

Mas ela é muito mais que fortalecedora do sistema imunológico: antioxidante, desintoxicante, combate o estresse, o envelhecimento precoce, a obesidade, torna a pele mais bonita, combate o AVC...
Além disso, favorece a absorção de ferro dos outros alimentos, se ingerida em conjunto.

O único problema é que o corpo não armazena vitamina C, e por este motivo temos que primar pela ingestão adequada desta substância todos os dias! Uma boa alimentação pode suprir com facilidade esta necessidade, na forma de laranjas, limões, melões, acerolas, goiabas, mangas, abacaxis, tomates, couve, repolho, brócolis, rúcula, entre outros alimentos. Perante essa grande disponibilidade da vitamina, deveria ser fácil manter sua ingestão dentro da dose diária recomendada, mas a correria do dia-a-dia faz com que nem sempre conseguimos atentar a todos os detalhes alimentares.

Dentre os alimentos citados acima - todos muito ricos nesta substância - a solução para esta dificuldade pode estar na acerola: a campeã de vitamina C! Uma, apenas uma acerolazinha, somada com a vitamina extra presente nos outros alimentos ingeridos, dão conta de toda vitamina C que a gente precisa num dia inteiro! Mas pode-se recomendar a ingestão de duas ou três acerolas como forma de obter uma energia extra para um dia corrido.

E o bom é que ela produz com facilidade incrível e com grande abundância. Quem nunca viu um pé de acerola carregado? Dá praticamente o ano todo, em todas as regiões do Brasil, e é tanta produção que a maior parte das frutinha se perde.

Um presente da natureza!

Acerola no pé.

O único problema é que as frutinhas são altamente perecíveis, e armazenar frescas fica complicado.
Uma forma é congelar para fazer suco: bastante funcional!
Fazendo isso percebi que as acerolas, por terem uma consistência "pastosa" mesmo congeladas, se colocadas à boca vão ficando moles rapidamente e podem ser mastigadas, ou chupadas como uma bala rica em nutrientes!

E, se ingerida logo após as refeições, trará junto a benesse de aumentar a absorção do ferro presente na comida!

Olha só as bichinhas, congeladas e valendo-se da técnica ninja do pote de sorvete:

Acerolas congeladas

Fica a dica. Bem legal antes de sair de casa, ou ir se exercitar, pegar uma ou duas delas e ir sorvendo seus nutrientes, sem ter trabalho algum com processamentos.

Prático, refrescante e funcional!





14 de abr. de 2014

Filosofia Bundocêntrica: Ser vadia é ser livre (?)

Há muito muito tempo atrás, surgia em terras tupiniquins Gretchen –  a matriz geradora de todas as "misses bumbum". Desde então vem ocorrendo, digamos assim, um fenômeno popular de grande sucesso com moças bem dotadas em danças sexualizadas – quase ginecológicas –, baseado no atributo negritado.
E aí assistimos ao longo de muitos anos – sem sacar muito bem a revolução que estava acontecendo – uma sucessão de "grandes sucessos" de matriz bunda lelê, como os do "É o Tchan" e suas "Sheilas", e de uma infinidade de fêmeas-fruta.

Assim, depois de anos sucessivos de grande abundância, chegamos vivos ao começo de 2014, onde tivemos o privilégio de presenciar o funk da cantora Valesca Popozuda, denominado “Beijinho no Ombro”, fazer muito sucesso, trazendo-a aos holofotes da mídia e a colocando involuntariamente em uma polêmica por ter sido chamada de "grande pensadora contemporânea" –  uma provocação de um professor de filosofia em uma prova no Distrito Federal.

Em decorrência deste fato – pois a provocação foi mais que bem sucedida e virou notícia nacional – Valesca deu uma entrevista para a revista ÉPOCA (abril de 2014), cujo título é:


Bom para ela, que ganhou um marketing inesperado!
Em tempo: A entrevista que ela deu mostrou que é uma mulher inteligente, de opiniões fortes e com boa articulação. Sabe o que quer, o que faz e onde quer chegar.

Mas e quanto à opinião expressa por ela? Ser vadia é mesmo ser livre? Tomo aqui a palavra vadia como definição de uma mulher que assume sua sexualidade e lida com seu corpo sem vergonha (ou sem-vergonha!), dando de ombros para a sociedade, fazendo o que quiser, onde quiser.

Quanto à frase que me motivou a escrever este texto, posso dizer que discordo como a ideia foi colocada: se ser vadio é ser livre, implica que quem não é vadio não é livre? No contexto atual de liberdade de expressão no Brasil, pode-se afirmar para a maioria dos casos, lugares e situações, que com certeza: 

Ser vadia (ou vadio) não traz a liberdade por si mesmo, mas significa que temos a liberdade de poder escolher ser! 

E isso é bom!
Deste modo, eu não sou livre como resultado direto do fato de ser "vadio", mas se sou livre posso tranquilamente escolher vadiar e – se respeito os limites da sociedade e uso do bom senso –ninguém tem nada a ver com isso! 

Penso que esta frase, colocada pela mãe da filosofia "popocêntrica", foi bem pertinente ao traduzir o pensamento de uma parte da "expressão cultural" do país; este fato, quando assumido, traz a necessidade de uma reflexão por um detalhe que deriva deste "movimento" (esquecendo as derivações auditivas): a exploração de performances quase pornográficas e letras que vão no mesmo sentido na consciente sexualização evidenciada por artistas do gênero bundal tem como platéia não só homens hipnotizados, mas todos que tem ouvidos de ouvir, inclusive as crianças (estão por aí os carros com som na estratosfera que não me deixam mentir).

São novos tempos e costumes, e teremos de lidar com as mudanças, o que a princípio é bom.
Mas o que se pode pensar sobre estes fatos?  É algo que permeia a mídia, a TV, as rádios, e os amplificadores sendo, portanto, atualíssimo, preocupando pais e educadores e levando a sociedade refletir em muitos momentos.

O fato é que estes cantores populares, por estarem em evidência, exercem influência sobre os mais jovens e contribuem para os moldar, e por este motivo talvez seja relevante e interessante também nós sermos grandes pensadores do assunto.
Nesta linha de análise da nossa sociedade, percebe-se que como resultado do "movimento", e implícita no título da reportagem, está a ideia de que – sinteticamente falando – para ser "legal", tem de "descer até o chão", sempre com pouco pano e em poses ginecológicas.

Coisas a se pensar, num exercício de livre pensamento, já que o assunto que foi abordado, ser vadia ou vadio, foi evidenciado:
Uma mulher assumidamente vadia, é legal? E um homem vadio?
E as crianças que recebem essas mensagens? E os pais, os educadores-mor, que tem a filha que caminha para se tornar uma "vadia"? Você, caro leitor,  na condição de pai ou mãe, o que sentiria ou pensaria? Educaria sua filha para ser livre e escolher ser vadia, se ela assim desejar? E quanto ao termo "vulgaridade", ele é pertinente aos dias de hoje? O que é ser uma mulher (ou mesmo homem) "de classe" ou "vulgar"? Isso ainda tem sentido? Existe um ditado que diz que a mulher perfeita sabe ser vadia na cama e dama na sociedade.

Enfim, essa liberdade de ser vadia/o – se uma mulher/homem assim desejar – é boa ou ruim no total da soma? Em minha opinião, com certeza! Uma das maravilhas do mundo moderno, uma liberdade adquirida a duras penas pelos seres humanos e ainda mais (muito mais) pelas mulheres!

Mas sempre tem a questão do outro: minha liberdade entra no limbo quando desestabilizo os que alcanço. Quando o assunto é sexo/sexualização, eu tenho o direito de fazer o eu que quiser, onde quiser? Os pais tem o direito de não ver sua criança presenciando letras e cenas explícitas de conteúdo sexual?

Como opinião pessoal, posso dizer:

  • Viva a liberdade de sermos vadios (se assim desejarmos)!
  • Viva a mulher/homem que tem a capacidade de ser vadia/o em deliciosos momentos!
  • Viva a desrepressão organísmica!

Em segundo lugar, posso dizer que não consigo sentir como algo positivo "ser" vadia/o o tempo todo, em vez de "estar" num momento da vida, de experimentar como uma fase, se assim a pessoa sentir necessidade/vontade, como parte integrante de uma vida rica em vivências.
Também não vejo como ser positivo a invasão dos espaços: o mundo de quem não deseja vivenciar certos exageros, ou que seu rebento seja "violentado" no desenvolvimento de sua sexualidade, deve ser respeitado.
Como se fará isso, não sei: dramas da vida moderna!

Dentro de meus limites pessoais posso dizer que não aprecio, com grandes chances de virem inseridos no pacote da vadiagem como filosofia de vida (coisas que a gente vê): a libertinagem, a irresponsabilidade com o próprio corpo, a vulgaridade, a invasão dos espaços escandalizando e influenciando as mentes em formação e deixando pais preocupados, e a negação dos direitos dos outros.

Dou – destacando a ideia central deste texto – meus aplausos sinceros à liberdade já conquistada e a quem luta pelo direito de sermos o que desejamos – respeitando os limites dos outros – ser.
Por fim, acrescento que não desejo que minha história ressoe pela eternidade como aquela produzida por um ser fútil, sem vida interior e que só vadiou toda vida – e nada mais.

Sejamos livres, então, e que a vida seja rica e valha sempre a pena!

EdiVal
14/04/2014